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14 de nov de 2014

Corpo de Cristo ou Anomalia?

Por Thiago Azevedo

O intento que visa esta investigação é saber se é possível haver patologias na instituição corpo de Cristo - essencialmente falando. Para este questionamento a resposta é negativa. Ou seja, não há, nem nunca houve, mesmo enquanto Jesus esteve aqui na terra, nada de maléfico ou patológico nas instituições estabelecidas pelo Próprio. Como também, não há em seus mandamentos e nas palavras que saíram de sua boca nada que seja de caráter maléfico ou patológico. Mas, naquilo que se acredita erroneamente ser na atualidade o corpo de Cristo, a saber, algumas instituições religiosas, a investigação deve ser criteriosa. Ou seja, acredita-se que muitas das igrejas existentes na atualidade não dizem respeito ao verdadeiro corpo de Cristo - essencialmente falando - nem ao que Ele instituiu como comunidade dos santos, pois estas se distanciaram muito das características verdadeiras do corpo de Cristo, e com isso, formam verdadeiras anomalias que se dizem ser corpo de Cristo. Mas, na realidade, não são por agirem de forma totalmente independente da cabeça do corpo.

Nestes corpos independentes, nestas anomalias que se dizem corpo de Cristo, sem sombras de dúvidas, proliferam-se diversas espécies de parasitas que destroem seu metabolismo e causam males dos mais diversos em quem se agrega. No que tange a estas anomalias maléficas e mal sucedidas, é possível atestar uma sorte de doenças das mais diversas onde a que mais se destaca, neste pobre organismo, é uma espécie de câncer. Mas, quando a observação é mais criteriosa percebe-se que não apenas um câncer, mas diversos destes assolam estes organismos! A onda cancerígena começou com a invenção do G-12 e suas células. Todavia, seus criadores, se esqueceram de que todo câncer começa no interior de uma célula, e as células cancerígenas desta funesta visão estão se proliferando cada vez mais em ambientes ditos evangélicos. Foi deste “ebola contemporâneo” chamado G-12 que as mazelas da batalha espiritual, quebra de maldição, cobertura espiritual, atos proféticos, cura interior, regressão, hipnose, cair no poder etc., surgiram no cenário evangélico brasileiro. Não convém destacar e retratar todas estas mazelas religiosas que adentraram nas anomalias que se dizem corpo de cristo, mas apenas dar-se-á destaque a prática da regressão.

Nos cultos que enfatizam as doutrinas desta seita, G-12, pratica-se a regressão, ou seja, pessoas devem se concentrar e por meio de uma espécie de hipnose, regredirem até o suposto período da vida em que foi acometido de algum mal. Alguns regridem até mesmo a fase infantil, muitos até choram como sendo uma criança de fato. Na suposta volta no tempo, ao encontrar o problema, devem deixá-lo no passado. Nestes cultos é ensinado que a pessoa deve perdoar Deus, isso mesmo! Agora uma pergunta básica: O que Deus fez para que eu o perdoe? Segundo os defensores desta visão doentia, devemos perdoar Deus por Ele ter nos imposto um peso muito grande chamado pecado e exigências pesadas demais a serem cumpridas. Isso é ou não é um câncer, não no corpo, mas sim nas anomalias que se dizem corpo de Cristo? Como conciliar estas alegações maléficas com textos bíblicos como Miquéias 7:19?

O fato é que isso revela a situação caótica que se encontra o ambiente evangélico brasileiro da atualidade, pois nem a própria psicologia faz uso mais da regressão, psicólogos alegam que já se trata de uma prática obsoleta. No entanto, ai vem o “evangelho” e se adapta de restos inúteis da psicologia (lamentável!). O que esta seita propõe é na realidade refazer tudo aquilo que Cristo desfez o qual está revelado em sua palavra. O cantor João Alexandre retrata na sua canção “É proibido pensar” mais ou menos este ambiente precário. Isto é: querem costurar o véu que Cristo rasgou, querem trazer de volta o que Cristo subjugou, e cospem e pisam na graça. Por fim, com estas alegações maléficas, querem anular o sacrifício de Cristo na cruz, pois a palavra de Deus alega que nenhuma condenação há para quem está em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito Rm 8:1. Por que nenhuma condenação há para os que estão em Cristo? Porque o sacrifício na cruz do calvário realizado por Jesus é suficiente em todos e quaisquer aspectos. Ou seja, todas as mazelas relatadas alhures não são necessárias para os que estão em Cristo e que foram lavados pelo seu sangue. Mas o povo de Deus se perde por falta de conhecimento – conhecimento da palavra (Os 4:6). Portanto, um dos cânceres que afeta as anomalias que se dizem corpo de cristo é a visão G-12 e toda sua bagagem.

Outro câncer que afeta as anomalias que se dizem corpo de cristo é o dinheiro. A palavra de Deus não condena o dinheiro em si, mas condena o amor a este (I Tm 6:10). Tem-se visto instituições religiosas atoladas em problemas financeiros, débitos gigantescos, folhas salariais astronômicas, e tudo isso para manter o que denomino de sistema legalista eclesiástico, ou seja, existe um sistema legalista eclesiástico onde vidas não são mais importantes, pessoas não são mais importantes e o que de fato é importante é a manutenção deste sistema legalista por meio de seu principal combustível chamado DINHEIRO.

É por meio do dinheiro que pessoas são avaliadas, é por meio do dinheiro que pessoas são nomeadas aos cargos, é por meio do dinheiro que pessoas são humilhadas e outras exaltadas. É por conta do dinheiro que pessoas que erram grosseiramente não são punidas. É por conta do dinheiro que não há mais disciplina nas igrejas, é por conta do dinheiro que homens que possuem poder aquisitivo elevado mandam e desmandam nas igrejas. E, por fim, é por meio do dinheiro que pastores e líderes abdicam da fé e abrem mão de princípios e acabam convivendo em meio a práticas que não condizem com os princípios das escrituras sagradas.

Pessoas que abrem mão da verdade bíblica e penam sem se posicionar em troca de não ficar sem salário. Isso sem falar no jogo partidário dentro destas instituições, politicagem etc. etc. etc... Isso é ou não é um câncer em qualquer organismo, sobre tudo, nas anomalias que se dizem corpo de cristo?

Há de fato uma preocupação em se ter templos suntuosos que alimentam a sede de pastores com síndromes megalomaníacas, e tudo isso, para alimentar a bolha burocrática sistemática legalista eclesiástica representada pela sigla B.B.S.L.E. Na atualidade a pergunta não é mais se determinado jovem tem ou não vocação para dirigir uma igreja, e sim, quanto ele quer ganhar. Se for pouco é um bom negócio, mesmo que ele confunda Jesus com Genésio ou Habeas corpus com corpus christis. Em algumas anomalias que se dizem corpo de cristo, que muitos erroneamente chamam igreja, o dinheiro é quem dita às normas, à liturgia, às doutrinas, e, em alguns casos, “compra até a salvação ou lugares no céu”. Este tem sido o pior câncer, o mais devastador existente nestes ambientes.

Apontando já para o final da nossa análise oncológica das anomalias eclesiásticas que se sentem no direito de se auto intitularem membros do corpo de Cristo, destaca-se mais um câncer, a saber, a má administração. Alguns acabam acreditando que Deus só pode ser glorificado e exaltado por meio de louvores necessariamente. O caminho da glorificação e da exaltação a Deus passa pelo louvor, só que este não é o único caminho. Ou seja, eu posso ou não posso glorificar a Deus por meio de meu testemunho? Eu posso ou não posso glorificar a Deus por meio de uma boa administração eclesiástica? A resposta é SIM.

Alguns acabam esquecendo que por meio de uma boa administração eclesiástica o nome de Deus é também glorificado e exaltado. Parte daqui o dualismo que há nas instituições religiosas na atualidade, ou seja, glorifica-se a Deus, exalta-se a Deus por meio das palavras, mas a recíproca não é verdadeira nos atos – administração. A vida humana é dotada de algo chamado juízo, este se dá na relação da linguagem com a realidade. Ou seja, eu julgo verdadeiro aquilo que é falado em comparação com a realidade. Por exemplo, se alguém diz que o céu é preto, logo todos vão discordar, isso pelo fato do céu ser azul. Assim, o discurso não bate com a realidade. É o que tem ocorrido com muitas instituições religiosas onde seus respectivos líderes proferem belas palavras, dizem que está tudo bem, dizem que adoram a Deus, mas a realidade é diferente.

Há de fato uma disparidade entre discurso e realidade. Além disso, uns acabam que trazendo para o seio da administração eclesiástica princípios políticos e partidários conforme já se mencionou anteriormente. Isso é um mal antigo conforme I Co 3:3-6. No texto há uma espécie de dissenção entre os irmãos de Corinto a escolher Paulo ou Apolo. Mas, é no verso 6 que recai o principal princípio na administração eclesiástica, a saber, o crescimento vem de Deus.

Por mais que Paulo plante e Apolo regue o crescimento é dado pelo Senhor, e isso se estende ao ambiente do lar conforme Sl 127:2 e a todos os ambientes da vida. As anomalias que se dizem corpo de cristo estão permeadas de cânceres, e nestes, o crescimento não vem do Senhor, e sim por meio da estratégia midiática de seus líderes em entreter e flexionar o padrão do evangelho adaptando-o ao molde do freguês. Seria mais ou menos um evangelho tipo self-service. Mas, no verdadeiro corpo de Cristo – aquelas igrejas remanescentes –, que vivem a fé de forma correta e pautada nas Escrituras, nestas, o crescimento vem única e exclusivamente da parte de Cristo, do Senhor. Engana-se quem associa crescimento da parte de Deus com membresia numerosa. O crescimento que provém da parte de Cristo está mais atrelado à qualidade do que à quantidade. O crescimento que vem por meio de Senhor, no verdadeiro corpo de Cristo e não nas anomalias que se dizem corpo de Cristo, não se assemelha a inchaço, e sim a essência.

Segundo esta analise, é possível concluir que as verdadeiras igrejas remanescentes, aquelas que podem de fato ser classificadas como corpo de Cristo e não como anomalias que se dizem corpo de Cristo, não possuem um abarrotamento de seu espaço físico por fiéis. Ou seja, nas anomalias há um inchaço populacional: é só levantar a mão e pronto, uma nova criatura surge novinha em folha, na hora, feito caldo de cana. Deva ser por isso que o pseudo “IDH” nestas instituições, nas anomalias que se dizem Corpo de Cristo, é tão elevado. No entanto, isso não implica dizer que a verdadeira igreja de Cristo na terra, aquelas que são de fato parte do Corpo e não anomalias, não crescem e não são desenvolvidas por terem poucos membros. O verdadeiro crescimento se dá em essência e não em aparência Sl 119:160 (NVI).

No que diz respeito à essência, à qualidade, e ao que verdadeiramente importa, o verdadeiro corpo de Cristo se sobrepõe as anomalias. Com isso é importante que fique clara a distinção que se faz neste texto entre ambos. Muitas instituições religiosas se avaliam como corpo de Cristo, mas, de acordo com suas práticas e costumes, de acordo com a relação do que se fala com a realidade, se percebe de forma bem clara que estas de corpo de Cristo não têm nada. Estas, não passam de meras anomalias que se dizem corpo de Cristo e que se reproduziram de forma independente – é possível ver isso no seu desprezo à Bíblia. São nestas anomalias que pairam as maiores mazelas da fé. Isso não significa dizer que nas verdadeiras igrejas, verdadeiramente aquelas que podem ser classificadas como corpo de Cristo, não haja problemas. Mas, além destes problemas serem em nível bem menor, os problemas são resolutos. Se comparados, quando no máximo, a meros resfriados e não chegam à esfera de um câncer.

No verdadeiro corpo de Cristo, naquelas instituições que de fato podem ser vistas desta forma, não há câncer, não há metástases, pois neste ambiente há antídoto contra estes males e o principal é chamado Escritura Sagrada. Por isso estes males avassaladores não se desenvolvem. De forma bem distinta ocorre nas anomalias que se dizem corpo de Cristo, onde estes males – câncer com metástase – estão arraigados corroendo tudo, pelo fato de não haver tratamento correto com o antídoto indicado – bíblia. Portanto, após esta mera avaliação, fica a dica e a pergunta: Você congrega no corpo de Cristo ou em uma anomalia que se diz ser o corpo Cristo?

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