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1 de nov de 2014

O que dizer da Teonomia?

Palmer Robertson

O avanço da antiga aliança para a nova aliança também é parcialmente negado por aqueles que têm grande respeito pelas leis civis de Israel. Chamadas de “teonomistas”, essas pessoas são impressionadas pela equidade e sabedoria das leis que governaram o Estado de Israel – e corretamente. Particularmente quando comparadas com as leis impostas pelo Estado secular atual, a ordem civil do Estado de Israel, sob a antiga aliança, amplia as glórias de um Deus santo.

No entanto, deve ser conhecido o valor limitado do Estado de Israel da antiga aliança como um modelo tipológico do Reino de Deus. Seu domínio era definido espacialmente pelas fronteiras, a terra devia ter uma divisão cívica mediante a distribuição entre os descendentes físicos das doze tribos de Israel.

Nunca houve a pretensão de estabelecer essa legislação no território da Assíria ou do Egito (para pensar apenas nos vizinhos mais próximos de Israel). Embora planejada para revelar a equidade de Deus na distribuição da terra, essa legislação era temporal em sua aplicação, limitada ao tempo da presença de Israel como uma nação organizada na Palestina, sob as provisões da antiga aliança.

Na colonização inicial da América, foram feitos alguns esforços para reinstituir os códigos civis de Israel. As leis da Nova Inglaterra, como impressas em 1641, foram estabelecidas segundo os direitos territoriais tribais do antigo Israel; desse modo, as propriedades normalmente tinham de ser vendidas a outras pessoas que já habitavam uma cidade (mantendo, desse modo, a terra designada dentro da “tribo”). As filhas que herdavam terra deviam se casar dentro do distrito eleitoral da cidade ou pagar um imposto de aluguel para o tesouro público da cidade. Porém, esses esforços de transferir uma teocracia organizada de modo tribal para a moderna comunidade civil envolvem uma grande quantidade de esforço imaginativo. Conquanto o princípio geral de equidade possa ser transferido, as leis de natureza civil da antiga aliança não podem ter o efeito obrigatório das dez palavras.

Particularmente em razão da coação da verdadeira religião mediante autoridades cívicas segundo a lei mosaica, torna-se claro que a legislação da antiga aliança prevê um governo teocrático, que não se ajusta às intenções de Deus para a expansão do evangelho na presente era. De acordo com Deuteronômio 13.5, o profeta que promove uma falsa religião deve morrer. Segundo Deuteronômio 13.6-11, se qualquer pessoa, até mesmo em sua própria casa, propuser secretamente a adoração de outro deus, ela deve morrer. Conforme Deuteronômio 13. 12-18, se toda comunidade propuser a adoração de um falso deus, toda comunidade deve ser destruída.

Essas práticas devem ser úteis para descrever a eficácia do julgamento final. Elas podem fornecer uma base para a excomunhão da igreja de Cristo. Porém, pedir ao Estado secular atual – até mesmo um Estado cristianizado – para impor essas leis somente conduziria a sociedade uma vez mais aos horrores das guerras religiosas dos séculos passados.

Mediante a graça comum de Deus, os poderes civis atuais podem realizar uma função limitada de restringir o mal entre a humanidade caída. Por essa razão, eles merecem a honra que pertence apropriadamente à autoridade do Estado. Porém, as glórias do modelo da antiga aliança não devem ser confundidas com as funções limitadas do Estado na era atual. O Senhor da nova aliança reconheceu pessoalmente o lugar do Estado atual como distinto do seu próprio reino, quando declarou “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22.21).

Um dia a verdadeira religião será imposta pelo verdadeiro Estado. Porém, esse dia virá apenas com o retorno de Cristo em glória, quando ele estabelecerá o reino eterno de Deus. Enquanto isso, o cristão não deve se deixar cegar pelas glórias da revelação da antiga aliança, falhando em ver a glória maior da graça da nova aliança, no modo que ela é manifesta aos homens de todas as nações.

O reino da nova aliança é superior ao tipológico da época da antiga aliança. Graça maior é mostrada a todas as nações. Concentração maior é colocada na permanente duradoura lei moral de Deus. Glória maior é encontrada na pessoa de Cristo, o Rei Ungido, que derramou o seu Espírito sobre toda carne.
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Extraído do livro Alianças (Ed. Cultura Cristã), pág 65-66.