1509725595914942

11 de set de 2014

Resistindo à secularização (2/2)


Por Bruno Silva

O ensinamento à Igreja era um só: “lutar todo tempo contra as pressões e investidas do mundo”. Para nós, igreja contemporânea, ficam aqui alguns ensinamentos da Palavra de Deus.  Nos versículos de 7 à 10 - deste mesmo capítulo - o apóstolo nos mostra os meios, a cura para uma igreja secularizada. Tiago chega em um dos pontos fundamentais na luta contra a secularização que é a origem do mal, o próprio Diabo. Ele diz: “Sujeitai-vos, portanto a Deus; mas resisti ao Diabo e ele fugirá de vós”.

As pessoas têm várias percepções do Diabo. Algumas pessoas acreditam que ele é um ser mitológico, outros acham que é apenas fruto da imaginação criativa dos homens, e ainda há quem acredite que ele não existe. No entanto, precisamos entender que isso são estratégias, do próprio Diabo, para levar vantagem sobre nós, e sermos suas presas fáceis. Tiago nos apresenta estratégias muito práticas para lidar com sua astúcia e termos uma vida piedosa. 

O primeiro é: a submissão ao Senhor. Submeter-se a Deus é estar debaixo de sua autoridade, seguir suas diretrizes, sua Palavra. É ter ouvidos para a voz do Redentor, Cristo! Russell Shedd em seu comentário nos dá uma preciosa definição de Submissão, ele diz: “É estar completamente dependente de Deus em tudo nessa vida, de tal forma que nada é feito sem antes consultar sua Palavra, e ouvir dele a orientação”.[1] Quem assim crê entende que sua vontade é boa, perfeita e agradável (Rm 12:2). Submeter-se a Deus não é um ato de tristeza, não nos traz peso e sim, alegria e deleite.

O segundo é: a resistência ao Diabo. Significa que devemos nos manter firmes diante dele ou nos opormos a ele. Existe uma parcela de culpa por parte do diabo em nossas quedas, mas precisamos nos manter firmes para que ao acontecer o ataque ele fuja de nós. Da mesma forma que aconteceu com Jesus na tentação no deserto. A Bíblia diz que ele o deixou, ainda que por algum tempo, “até momento oportuno”, (Lc 4:13).    

O terceiro é: chegar-se a Ele. Significa que aquele que foi lavado e remido no sangue do Filho de Deus pode se achegar a Ele. Como diz o autor aos Hebreus “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (4:16). No passado éramos proibidos de nos achegarmos a Sua presença, mas agora por causa de Cristo, e somente por causa Dele, podemos nos aproximar da Presença doce e bendita do Pai. Com isso Tiago diz que Ele, Deus, se achegará, (i.é.) aproximará de nós! Significa, que a própria presença de Deus será o nosso galardão. Não, os benefícios que Suas mãos podem dar, e que são muito bons, mas Ele. A seus filhos, o apóstolo, diz que Ele concede: graça (v.6); Sua presença (v.8). Esse lembrete é para todos que podem não estar indo muito bem na sua resistência ao secularismo. Entretanto, não podemos desistir, precisamos confiar e nos aproximar d’Ele.

O quarto é: purificar as mãos e limpar o coração. Purificar as mãos está ligado a ter uma conduta irrepreensível. Os judeus tinham essa prática no cumprimento de seus deveres religiosos e o autor sabiamente faz essa ligação com a nossa prática de vida. Esse confronto é para mantermos nossa vida livre da sujeira do pecado. A limpeza do coração, a qual ele se refere, é mais profundo do que um arrependimento momentâneo. É uma denúncia a todos aqueles que tem uma mente dividida. A expressão: “ânimo dobre” (no grego é dipsuchos) “duas almas”, confronta aqueles que abandonaram o seu primeiro amor. Essa linguagem requer de nós autoexame. Será que os leitores são nascidos do Espírito? De qualquer forma, o genuíno arrependimento é necessário para se achegar diante de Deus.

O Quinto é: um quebrantamento que precede o avivamento. “Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (v.9-10). Precisamos ter em nossos corações esse entendimento da necessidade de um quebrantamento poderoso da parte do Senhor. Na história dos avivamentos o que precedia a conversão de milhares de pessoas era o arrependimento. Richard Baxter em seu livro, Quebrantamento: Espírito de Humilhação, diz: “Um dos usos da humilhação é ajudar na mortificação da carne, ou do “eu” carnal, e aniquilá-la, visto ser esta o ídolo da alma”. E completa: “a humilhação transforma esta torre de Babel em pó, e faz com que detestemos até o pó e cinzas. Ela toca fogo na casa, na qual confiávamos e nos deleitávamos, diante dos nossos olhos; e nos faz não apenas ver, mas sentir que é tempo de nos rendermos”. O que Deus espera é o arrependimento verdadeiro e genuíno. Só o verdadeiro arrependimento poderá gerar em nós a verdadeira alegria. A exaltação da qual ele encerra falando esse trecho é para aqueles que se submetem alegremente a Sua vontade.

Que o Senhor nos ajude em todo o tempo nesta luta contra a secularização. Resistindo fielmente, para que sua glória seja manifestada através de nós, Sua Igreja. Recebendo assim o chamado do Senhor no último dia: “...Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”.  

Soli Deo Gloria!


[1] SHEDD, Russell; uma exposição de Tiago – a sabedoria de Deus. Pág 135