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22 de set de 2014

Um conselho aos jovens teólogos-acadêmicos


Por Thiago Azevedo

Constantemente tenho me debruçado na leitura de muitos artigos de cunho cristão. Louvo a Deus pela safra de pessoas comprometidas com as Escrituras e com o verdadeiro evangelho que tem surgido em tempos atuais em Pernambuco e em toda parte do Brasil. Além destes, existem muitos outros homens de Deus espalhados pelo mundo, ao que seria até possível listá-los neste pequeno texto, mas não o terminaria com menos de vinte laudas, sendo quinze destas só para os cristãos de Pernambuco. 

Estes estudiosos contemplam aqueles que gostam de uma boa leitura com estudos minuciosos e com requintes de detalhes acerca de vários assuntos teológicos. Porém, há um mal no texto de alguns destes homens que se torna mais que freqüente nas suas publicações: A Bíblia não figura na lista das fontes pesquisadas. Fico a me perguntar como as Escrituras têm sido cada vez menos usadas – ao menos é o que aparenta – nestes estudos e pesquisas. Recentemente li um artigo de um teólogo internacional e muito badalado que trazia na sua lista de fontes utilizadas para pesquisa mais de dez obras. Porém, a Bíblia não constava naquela relação. 

O objetivo deste mero texto não é incitar à proibição da leitura destas obras e nem alegar que estas não possam servir de apoio às Escrituras e ao seu entendimento, no entanto o principal a ser explorado para este fim é o Espírito Santo, bem como a própria Bíblia. Há de fato uma porção de obras literárias que estão em consonância com a Palavra e com sua tradição – a Confissão de Fé de Westminster, Catecismo de Heidelberg, Cânones de Dort e o próprio Catecismo Maior e Menor de Westminster – que corroboram para uma fortificação da fé. Todavia, por mais que tudo isso seja de fato importante, nunca estarão no mesmo patamar das Escrituras Sagradas. Todos estes documentos foram tecidos com fim apologético, mas deve ficar entendido a quem se debruça para ler estes referidos tratados – escritos por bons teólogos – que a Bíblia é a principal fonte destes – isso, infelizmente, não tem sido notório em certos artigos que leio.

Certo dia conversando com um jovem teólogo, muito estudioso por sinal, o mesmo me confessou que ia fazer mais de dois anos que não lia a bíblia, mas já tinha lido as Institutas de Calvino, uma gama exagerada de confissões, diversos livros de apologética... Em amor, lhe disse que estava errado. Seu erro não era ler estas obras, mas sim ler apenas estas obras deixando de lado a bíblia sagrada. Seja em quaisquer planos de leituras, principalmente do cristão, a bíblia deve constar na lista. 

Por fim, pontuo que uma vasta leitura de obras teológicas é de suma importância para o arcabouço do conhecimento e robustez da fé, mas a principal destas obras chama-se Bíblia Sagrada, devendo esta constar na lista, de quaisquer teólogos, como a principal de todas as fontes utilizadas. Infelizmente, não generalizando, esta postura – a de esquecer a Bíblia na citação das fontes usadas para composição de artigos e estudos teológicos – é a mesma que diversos teólogos acadêmicos aderem para suas vidas, àquilo que eu considero como a síndrome de Nicodemos Jo 3 – conhecem e sabem de tudo, menos do principal.