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9 de set de 2014

Chamado Desagradável


Por Morgana Mendonça dos Santos

"E veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença. Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do Senhor para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do Senhor" Jonas 1.1-3.

"Eu concordo, mas não quero ir. Eu entendo que devo pregar o evangelho, fazer discípulos, no entanto,Você pode ser um daqueles que ama missões (da boca para fora!?), porém, não se dispõe a obedecer a ordem do Senhor. Me impressiona como um livro que está aproximadamente datado no oitavo século antes de Cristo pode ser tão atual na sua aplicabilidade. O livro de Jonas não é o livro do profeta Jonas, filho de Amitai (Jn 1.1), na verdade pouco sabemos a respeito da sua vida. Esse livro é a respeito do Senhor, único Deus, o Deus de Israel.

Deus é o autor do livro, Ele ordenou a Jonas, a primeira frase do livro começa com: "E veio a palavra do Senhor", Ele enviou a tempestade (Jn 1.4), Ele ordenou o grande peixe engolir Jonas (Jn 1.17), Ele ordenou o grande peixe por Jonas para fora (Jn 2.10), Ele ordenou Jonas mais uma vez (Jn 3.1-2), poupou Nínive (Jn 3.10), Ele que fez nascer sombra sobre Jonas (Jn 4.6), Ele que ensina a Jonas uma grande lição, e o livro termina com uma pergunta do próprio Deus: "E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive em que há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem discernir entre a sua mão direita e a esquerda, e também muito gado?" Jn 4.11.

Deus em sua excelência e soberania torna-se o personagem principal desse livro. Jonas reflete apenas o Israel. Ele, um profeta galileu no tempo do reinado de Jeroboão II, profetiza a expansão do seu reinado, é contemporâneo de Amós e Oséias. No Antigo Testamento só é mencionado em 2Reis 14.25, no Novo Testamento é citado por Cristo (Mt 12.40; Lucas 11.30). Jonas foi um homem que nos chama muita atenção, recebeu um chamado desagradável e ficou indignado por ver sua missão obtendo frutos, ou seja, um homem que desejou a morte por vê seu ministério próspero e tendo bom êxito. O sucesso da missão deixou o profeta irado, incrível não? O desafio de Jonas era pregar na nação inimiga, Assíria, onde Nínive era a capital - os assírios conhecidos pela sua maldade, inimigos de Israel – e pregar contra o seu pecado, que havia subido até ao Senhor. (Jn 1.2).

Com apenas cinco palavras no hebraico, no português sete palavras, Jonas prega para aquela cidade, como enviado do Senhor:

"E começou Jonas a entrar pela cidade, fazendo a jornada dum dia, e clamava, dizendo: 'Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida'". Jonas 3.4.

O que Jonas não esperava era essa reação: "E os homens de Nínive creram em Deus; e proclamaram um jejum, e vestiram-se de saco, desde o maior deles até o menor. A notícia chegou também ao rei de Nínive; e ele se levantou do seu trono e, despindo-se do seu manto e cobrindo-se de saco, sentou-se sobre cinzas. E fez uma proclamação, e a publicou em Nínive, por decreto do rei e dos seus nobres, dizendo: Não provem coisa alguma nem homens, nem animais, nem bois, nem ovelhas; não comam, nem bebam água; mas sejam cobertos de saco, tanto os homens como os animais, e clamem fortemente a Deus; e convertam-se, cada um do seu mau caminho, e da violência que há nas suas mãos." Jonas 3.5-8.

O profeta aborrecido, pela misericórdia e benevolência de Deus, deseja morrer do que viver para ver o Senhor ter misericórdia para com os ninivitas. Uma história e tanto não? Deus através desses quatro capítulos nos traz grandes lições, aqui observamos a misericórdia e compaixão do Senhor, percebemos a ponte que nos leva a Cristo, isto é, a cristologia do livro, como também identificamos de forma singular no Antigo Testamento Deus enviando alguém para as nações. O propósito de Israel era ser luzeiro para as nações vizinhas, o povo de Israel precisava entender que Deus estava interessado por outras nações, atrair o povo para o Senhor era a missão de Israel (Dt.4.5-8). A história de Jonas vem lembrar ao povo de algo que havia sido esquecido.

Um dos nossos problemas pode ser algo chamado "indiferença espiritual", ou então, algo parecido como "paixão denominacional", que difere muito do que significa ter paixão pelos perdidos. É simples observar que a tendência para o crescimento da igreja local é bem maior do que o objetivo do crescimento da igreja universal. O livro de Jonas nos faz refletir que fazer a obra do Senhor em sua localidade é justo, agradável e tranquilo, todavia, levantar-se do banco e obedecer a grande comissão seria desagradável. Há igrejas que pregam muito mais por paixão denominacional do que por amor ao evangelho, com o objetivo pragmático de encher a igreja, ocupando os lugares vazios, formando assim uma membresia longe daquilo que a deveria ter sido conquistada - o verdadeiro evangelho. Jonas tão obstinado a fugir da presença do Senhor não percebe que o Único Deus é onisciente, onipresente e onipotente. Como fugir da Sua presença? Os decretos de Deus são imutáveis, Ele chamou. E mesmo que seja desagradável para você, Ele irá chama-lo!

O que nos resta, por conta de toda nossa indiferença espiritual, fuga do chamado ou qualquer outra motivação contraria, é orar como Jonas no ventre do grande peixe:

"Quando dentro de mim desfalecia a minha alma, eu me lembrei do Senhor; e entrou a ti a minha oração, no teu santo templo. Os que se apegam aos vãos ídolos afastam de si a misericórdia. Mas eu te oferecerei sacrifício com a voz de ação de graças; o que votei pagarei. Ao Senhor pertence a salvação." Jonas 2.7-9.

Lembrando de uma frase do Rev. Augustus Nicodemos, encerro o texto:

"As nossas ações são reações das nossas fundamentações teológicas"

Será que nossas ações (motivações) são tão nobres? O chamado tem um custo e isso pode ser desagradável!


A Deus toda glória, Rm 11.36.