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10 de set de 2014

O Facebook é um deus?


Por Fernando Carvalho

Diante do comportamento de muitos (incluindo o meu, às vezes), começo a visualizar uma caricatura de um novo “deus” nesse presente século.

O Facebook virou a medida de equivalência para se compreender o estado emocional e até espiritual dos demais usuários. Deixe-me explicar melhor: Se determinada pessoa passa um tempo longe desse mundo virtual fantasioso logo poderá ser interpelado por questionamentos do tipo: “Você está bem?” “O que houve?” Ou basta não ter um certo número de curtidas em um determinado post, que logo nos sentimos mal e com pouca popularidade.

Direcionamos coisas do coração que deveriam estar no altar da graça e não na apoteose dos nossos dedos para expectadores do nosso gueto. Quero com tudo lembrar-lhes que o apostolo Pedro em sua primeira epístola (5.7) nos diz:

“Lancem sobre Ele toda sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês” (NVI).

O que vemos hoje é que essa espécie de “baal” moderno dita costumes e comportamentos, toma o tempo precioso das refeições, provoca brigas em relacionamentos com todo o tipo de flerte e o principal: torna-se o muro das lamentações de muitos cristãos. Podendo ser usado com o propósito de levar a palavra de Deus, assim como esta e muitas páginas reformadas, tornou-se também infelizmente, plataforma de autopromoção para todo tipo de mimo.

Quando dirigimos nossas dores ao Senhor ele cuida para que nossa autocomiseração seja transformada em aprendizado e não em correntes que estancam nossa fé. Mas quando nos dirigimos ao Facebook já esperamos os tapinhas nas costas que podem nos tornar pessoas melancólicas e sem fé.

Busquemos algum momento de solidão como nos diz A W Tozer no texto abaixo:

Os grandes santos caminharam em solidão. A solidão parece ser o preço a ser pago por todos que buscam a santificação. Na aurora da criação- ou deveríamos dizer nas trevas que acometeram o homem após a criação – o piedoso Enoque andou com Deus e Deus o levou para si. Embora não conste no texto bíblico, presume-se que Enoque viveu diferente de seus contemporâneos”.[1]

O texto não fala de isolamento, mas sim de buscar dEle a santificação a sós, diante de um mundo tão barulhento e de uma ferramenta que nos impele a revelar tudo o que fazemos para louvor próprio.

Que o Senhor nos ajude e nos capacite a direcionarmos a nossa vida em Sua obra sem aguardarmos qualquer aplauso dos homens, mas a aprovação Daquele que conhece todas as intenções do coração.

Soli Deo Glória.
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[1] A W Tozer - Os Santos têm que caminhar a sós - O Melhor de A. W Tozer ed. Mundo Cristão.