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8 de set de 2014

A contribuição dos pais da Igreja na defesa do Evangelho


Por Samuel Alves

Os pais da igreja deram grande contribuição na expansão e defesa do Evangelho. Seus escritos preenchem a lacuna das informações históricas sobre o desenvolvimento da igreja. Esses líderes construíram uma apologética para defesa contras as heresias que adentravam na igreja. Os pais apostólicos apareceram como a testemunha da fé tradicional, não apenas como interpretes, mesmo que suas manifestações, geralmente fragmentárias e muitas vezes ingênuas, proporcionam uma boa noção das bases em que a teologia inconsistente da igreja estava se desenvolvendo, longe de formarem um grupo homogêneo, esses pais da igreja eram porta-vozes de tendências bem distintas.

Olhando para os pais da igreja, J.N.D. Kelly[1], Afirma que:

Esta, portanto, é a ordem da nossa fé... Deus Pai, não criado, não material, invisível; um só Deus, o criador de todas as coisas: este é o primeiro ponto da nossa fé. O segundo ponto é este: o Verbo de Deus, filho de Deus, Cristo Jesus nosso Senhor, que se manifestou aos profetas de acordo com a forma da profecia deles e em harmonia com o método da dispensação do Pai; por intermédio de quem (isto é, do verbo) todas as coisas foram feitas; o qual também, na consumação dos tempos, para completar e reunir todas as coisas, fez-se homem entre os homens, visível e tangível, a fim de destruir a morte e expor a vida, produzindo a perfeita reconciliação entre Deus e o homem. E o terceiro ponto é: o Espírito Santo, por meio de quem os profetas profetizaram, os pais aprenderam as coisas de Deus e os justos foram conduzidos ao caminho da justiça; o qual, na consumação dos tempos, foi derramado de maneira nova sobre a humanidade em toda a terra, renovando o homem para Deus.

O nome “pai da igreja” foi concedido aos bispos, especialmente no ocidente. Esse título foi dado principalmente aos ortodoxos e os expoentes da fé. É praticamente certo que os escritos do Novo Testamento já estavam concluídos, trazendo luz aos escritos dos pais apostólicos.

Abaixo segue tabela que mostram os primeiros pais[2]


Primeiro século (95-c. 150) “Interpretação Tipológica”

Alguns expoentes:

Clemente de Roma (c. 30-100)

Em meados de 95 a igreja de Corinto teve sérios problemas, foi então que Clemente, Presbítero da igreja escreveu sua carta para orientar e exortar os irmãos que estavam em revolta contra o presbitério. Esta carta está entre os escritos mais antigos da Igreja. Esta epístola é muito valiosa por suas informações e relacionamentos entre bispos, presbíteros, clero e leigos. Esta carta cita cerca de 150 textos do Antigo testamento.

Inácio (Séc. I – Séc. II d.C)

Outro pai da igreja, bispo de Antioquia da Síria, foi preso devido a seu testemunho cristão, e enviado para ser devorado pelas feras nos jogos imperiais. Em suas cartas alertou aos irmãos a lutarem contra as heresias que ameaçavam a Igreja. Combateu fortemente os gnósticos e docéticos.

Policarpo (c. 70-155)

Policarpo provavelmente foi discípulo de João, Bispo de Esmirna, foi martirizado em 155, queimado numa estaca, no seu martírio reafirmou a fé em Cristo com a célebre frase: “Não posso falar mal de Cristo, a quem sirvo a 86 anos”. Escreveu sua carta em 110, foi uma testemunha valiosa da vida e da obra da Igreja Primitiva. Ao contrario de Inácio, Policarpo não se interessou pelas questões administrativas da igreja.

Epistola de Barnabé

Geralmente conhecida como pseudo-Barnabé, esta carta foi escrita para ajudar os novos convertidos oriundos do paganismo. Esses escritos, possivelmente, fazem link com o Didaquê. O autor deste livro usa o método tipológico muito usado nas passagens no Antigo Testamento em alegorias, afim de fundamentar sua argumentação.

Epístola de Diogneto

Esta carta tem sua autoria incerta, porém, tem um caráter apologético. O autor apresenta uma defesa racional do cristianismo e mostra a loucura da idolatria, inadequação do judaísmo, superioridade do cristianismo, a esperança que dá aos convertidos.

Segunda Epístola de Clemente aos Coríntios

Embora não seja uma carta, mas, uma homilia, provavelmente não foi escrito por Clemente. Sua autoria está associada aos pais da igreja. O autor encontra-se interessado em fazer uma defesa da cristologia e na pureza da vida cristã.

Papias

A obra “Interpretação dos ditos do Senhor” foi escrita em meados do II Século por Papias, Bispo de Hierápolis, na Frígia. Ela registra informações dos anciãos que conheceram os apóstolos. Possivelmente Papias foi discípulo de João.

Literatura Apocalíptica

O Pastor de Hermas, foi concebido a partir do livro de Apocalipse, foi escrito provavelmente em 150 por Hermas, seu objetivo é moral e prático.

Literatura Catequética

Didaquê foi um livro que teve bastante influência, foi descoberto em uma biblioteca por um homem chamado Bryennios Philoteus em 1883 em Constantinopla, este é um manual de instruções eclesiásticas.

Conclusão

Portanto, é importante ressaltar as contribuições dos Pais da Igreja na defesa da fé. Eles não estavam debatendo por vaidade, mas, por uma ortodoxia saudável. Muitos desses homens foram martirizados, mas, não negam nenhum de seus postulados teológicos, temos que olhar para nossa história e rever nossa postura diante das heresias que entram em nossas igrejas. Mesmo usando os métodos de interpretação Alegórico e tipológico, vale a pena destacar o papel fundamental desses homens que foram martirizados pela defesa da fé.  Os apologistas dão testemunho da tensão em que vivem os cristãos dos primeiros séculos, rejeitam o paganismo, lutam contra os gnósticos, se negam a adorar o imperador, e assim atraem a perseguição.
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Notas: 

[1]  J.N.D. Kelly. Patrística: Origem e desenvolvimento das doutrinas Centrais da Fé Cristã. São Paulo: Vida Nova,1994, 65-66p.
[2]  Cairns, Earle Edwin: O cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova,3ª edição, 2008, 61p.

Referências Bibliográficas:
Cairns, Earle Edwin: O cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 3ª edição, 2008.

J.N.D. Kelly. Patrística: Origem e desenvolvimento das doutrinas Centrais da Fé Cristã. São Paulo: Vida Nova,1994.

González, Justo L. E até os confins da terra: uma história do Cristianismo; tradução Key Yuasa. São Paulo: Vida Nova, 1995.