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17 de set de 2014

Igreja: Um palanque político?



Por Fred Lins


Dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores. (Lc. 19.46)

O texto em destaque aponta para acusação da Jesus feita a alguns mercadores que estavam negociando às portas do Templo de Jerusalém. Jesus condenou veementemente a disposição daqueles homens em corromper a imagem da Igreja em função da conveniente recompensa financeira que tinham na entrada do Templo. Será que este tipo de atitude é unicamente deste povo? O que temos feito (particularmente) que de alguma maneira tem corrompido a imagem da Igreja imaculada de Cristo? 

Daqui a alguns meses estaremos frente a mais um pleito eleitoral, desta feita, iremos às urnas para votar em um presidente, um governador, um senador, um deputado federal e um deputado estadual. Posto isso nos perguntamos: O que tem a Igreja com isso? Afinal de contas não me parece muito legítimo a Igreja interferir na escolha pessoal que os seus membros devem fazer acerca de um candidato, claro, pode orientar, pode responsabilizar, mas jamais indicar qualquer candidato que seja, pois imagino que esse tipo de postura não faz parte das atribuições da Igreja de Cristo.

A ideia apaixonante que temos da Igreja local (institucional) parece que não cabe mais no mundo real. Uma comunidade isenta do pleito eleitoral (não irresponsável), que não se vende por um milheiro de tijolos, por uma reforma no telhado, por um novo e moderno som, por um ônibus, por um programa de rádio, por uma cesta básica, por um fardamento para festa de tal organização... Enfim são tantos os favores em troca da “fidelização” da membresia para o benefício do candidato “A” ou “B” que chegamos a nos perguntar. “Onde foi parar a missão primordial da Igreja?” Não falo isso como o paladino da moralidade, nem muito menos um padrão a ser seguido, mas como alguém que não observa nenhuma relação amistosa entre a Igreja e o pleito eleitoral, não falo de política, é claro! Mas da relação promíscua, comprometedora e viciante que os políticos (sem escrúpulos) e a igreja (aproveitadora) teimam em nutrir.

A relação fica neste período tão “intensa” e “amigável” que púlpitos são cedidos para grandes autoridades (prefeitos, governadores...) os mesmos púlpitos que são negados a irmãos em Cristo, por serem de outra denominação. É abominável como funções e cargos eclesiásticos compõem os santinhos dos candidatos com a maior “cara de pau”. É bispo fulano de tal, pastor beltrano, diácono fala mansa, sem contar o título de “irmão” que é quase um pedido de voto. Neste período determinadas figuras lembram que são “crentes” e mais: são “autoridades constituídas por Deus” e se apossam das igrejas e suas calçadas tornam-se verdadeiras bocas-de-urna. São trios elétricos, cruzadas evangelísticas que trazem como atração principal nomes em evidência da música “gospel”.

Não vejo qualquer problema em termos uma opção partidária ou ideológica, escolhemos por um candidato em detrimento do outro. No entanto, o grande problema é comprometer a imagem da Igreja em detrimento da eleição dos “candidatos da fé”. A narrativa que está destacada no início deste texto e que muitos de nós conhecemos chama justamente a atenção para este mal: comprometer a identidade imaculada da Igreja por conveniência pessoal e financeira. Não há como não ficarmos estarrecidos. Como não nos escandalizar? São tantos desmandos envolvendo essas relações corrompidas e manchadas pelo oportunismo. Não tenho propósito de demonizar a figura dos políticos, pois acredito que há homens sérios e crentes na política (raridade) nem muito menos quem trabalha para um político. A minha proposta é alertar para o risco da mistura de propósitos políticos dos políticos e os propósitos espirituais da Igreja, que em raríssimos casos se assemelham.

Qual a consequência da relação nada saudável entre a igreja (aproveitadora) e políticos (sem escrúpulos)? Tais igrejas e seus pastores mancham a Fé daquelas Igrejas que nada tem a ver com isso. O saldo negativo dessa relação respinga nas Igrejas sérias que propagam a Fé em detrimento de favores políticos, que suportam a pressão política, financeira, abusiva e falsamente vantajosa. Que a Graça de Deus sustente pastores, presbíteros, Bispos e líderes comprometidos com a pureza e preservação da sua Igreja e a tarefa de não manchá-la nem corrompê-la com nossos pecaminosos desejos pessoais.