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30 de set de 2014

Credos e Confissões: Pérolas Preciosas

Por Morgana Mendonça dos Santos


Hebreus 4.14 "Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão."

É inquestionável, as Escrituras Sagradas é o verdadeiro e único tesouro que nos foi entregue, olhar com um retrovisor e perceber toda a história da transmissão do texto bíblico, o processo do cânon, as traduções, todo caminho percorrido, os manuscritos e toda a estruturação do texto bíblico é definitivamente incrível. As Escrituras Sagradas deve ser reverenciada em todas as épocas, em todos os povos, em todas as culturas, é a palavra de Deus - inspirada, infalível, inerrante e suficiente. É fundamental a lembrança constante que somente e toda as Escrituras é suficiente para vivermos uma vida agradável a Deus. Nossa regra de fé e prática!

No entanto, existe uma herança que chamo pessoalmente de pérolas preciosas, a história do cristianismo nos oferece documentos, credos, confissões, catecismos, cânones, que não podemos desvalorizar. Seria uma pena subestimá-los sem ao menos conhecer. São chamados de símbolos da fé, ou seja, resumo sistemático das verdades fundamentais do Cristianismo.

1- Os CREDOS podemos dizer que são declarações de fé, de uma forma resumida. Os mais antigos símbolos da fé. Exemplos: Credo Apostólico, Credo Niceno, Credo Atanásio.

2- As CONFISSÕES são maiores, detalhadas, produto da reforma protestante, um símbolo de fé. Exemplos: Confissão de Fé Belga, Confissão de Fé de Westminster, Antiga Confissão de Fé Escocesa, Confissão da Guanabara.

3- Os CATECISMOS podemos afirmar que são resumos da fé cristã, estruturados em forma de perguntas e respostas, objetivo didático, uma ferramenta para o ensino da igreja. Exemplos: Catecismo de Heidelberg, Catecismo de Lutero e de Westminster.

4- Os CÂNONES são decisões oficiais de concílios, em relação a doutrinas específicas. Exemplos: Os Cânones de Dort.

Existe uma história que foi preservada de forma sistemática, existe um valor que deve ser aplicado a esses documentos, na história da igreja esses símbolos da fé tornou-se uma grande ferramenta para instrução, defesa da fé e de forma prática e litúrgica proporciona um convívio eclesiástico. Em seu livro Sola Scriptura, Paulo Anglada [1] afirma: "Os credos e confissões tem servido, portanto, ao propósito de registrar para a posteridade o progresso da compreensão bíblica e das formulações teológicas no decurso dos séculos". Nada pode ser comparado as Escrituras Sagradas, afirmando isso podemos questionar, qual o verdadeiro valor que podemos entregar aos símbolos da fé? Podemos observar o reflexo, a subordinação a Palavra de Deus, a luz que recebem das Escrituras nos garante que é uma pérola preciosa, mesmo não reivindicando inerrancia, contudo é uma expressão proporcional e coerente ao ensino bíblico. Isso é valioso.

Destaco nesse pequeno texto a história da Confissão Belga, desejo motivar o leitor a buscar conhecer todo esse aparato que temos como herança da história do Cristianismo. A Confissão Belga ou Confissão dos Países Baixos foi escrita por um homem chamado Guido de Brès, no ano de 1561, escreveu em francês, traduzindo no ano seguinte para o holandês. No ano de 1567, exatamente no dia 31 de maio, Guido de Brès foi condenado a forca por sua fidelidade a fé reformada, foi martirizado. A Confissão Belga contem 37 artigos, tratando dos seguintes temas: Ser de Deus e Sua obra, Escrituras, pessoa e obra de Cristo, pessoa e obra do Espírito Santo, criação, natureza do homem, queda, eleição, promessa, salvação pela graça de Deus mediante a fé em Cristo, igreja universal, governo, disciplina eclesiástica, sacramentos como selos da promessa, autoridade civil, juízo e vida eterna.

Guido de Brès havia preparado essa confissão com o propósito de protestar contra a cruel opressão por parte do governo católico-romano. Um exemplar da sua confissão foi enviado ao rei Felipe II, juntamente com uma petição em que os signatários declaravam estar prontos a obedecer o governo em todas as coisas legítimas, mas que estavam prontos "a oferecer as suas costas aos chicotes, suas línguas às facas, suas bocas às mordaças e o seu corpo inteiro às chamas" ao invés de negarem as verdades expressas nessa confissão.

Junto com milhares que foram mortos por conta da sua genuína fé, Guido de Brès foi um deles, que selou a fé com a sua própria vida, na manhã do seu martírio, as suas últimas palavras foram ouvidas [2]: "Fui condenado à morte hoje, por causa da doutrina do Filho de Deus. Louvado seja por isso o nome do Senhor! Estou muito feliz. Nunca pensei que Deus me daria esta honra. Noto que meu rosto se transforma pela graça que Deus faz aumentar mais e mais em mim. Sou robustecido a cada momento que passa; e mais, meu coração salta de alegria". Como não valorizar uma pérola tão preciosa? A sua confissão de fé foi confirmada com a sua vida, esse tratado foi traduzido em português e podemos aproveitar para conhecer a herança que a história da igreja nos deixou, um belo presente, uma pérola preciosa. Me pergunto se estou pronta para morrer por minha confissão de fé...

A Deus toda Glória, Rm 11.36.
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Notas
[1] ANGLADA, Paulo. Sola Scriptura. Ananindeua: Knox Publicações, 2013, p.24.
[2] Prólodo de G. De Brès, Creemos y Confesamos: Confesión de Fe de los Países Bajos (Barcelona: Fundacion Editorial de Literatura Reformada, 1973, 1976), 22.
As três formas de unidade das Igrejas Reformadas. Os puritanos.