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5 de jul. de 2016

Aos Adeptos da TMI: Um Alerta do Passado

Por Thiago Oliveira

Considero o Pacto de Lausanne um documento ortodoxo e de grande valia para o segmento evangelical. Todavia, lamento que o conceito de missão integral tenha sido capturado por cristãos ditos progressistas que têm um alinhamento político-ideológico com os setores da esquerda. Isto fere a própria tradição de Lausanne, pois em Junho de 1980 a Consulta de Pattaya se posicionou contrária ao marxismo, vendo-o como um sistema concorrente do cristianismo e, em seu bojo, anticristão. Na ocasião, pastores do leste europeu - bloco socialista liderado pela extinta URSS - escreveram aos irmãos ocidentais:

"Nosso temor é que a igreja de outros países fiquem alheias aos problemas do marxismo e insensíveis ao fato de que, ao nosso ver, elas estão colaborando com pessoas desta filosofia que nos oprime. Assim como procuramos ser sensíveis à preocupação de tais cristãos com a verdadeira justiça social em favor dos pobres, também pedimos que as igrejas de outros países compreendam como nós nos sentimos quando elas mantém conversações com os marxistas. (...) Poderiam as prioridades marxistas virem a ser reordenadas de tal maneira que o interesse pela justiça social no setor baixo-econômico tivesse preeminência sobre a eliminação da religião?"

O relatório extraído desta consulta foi publicado com o título “Evangelho e o Marxista”, e o trecho supracitado se encontra na página 35. Nessa consulta, também estavam pastores e líderes latino-americanos que falavam acerca da pobreza e de uma possível práxis conjunta entre evangélicos e marxistas para diminuir as injustiças sociais. Tais líderes são os pioneiros da conhecida Teologia da Missão Integral (TMI). Nota-se que aqueles cristãos que viviam oprimidos pela imposição do marxismo, no leste europeu, ficaram preocupados com o resultado desta proximidade, mesmo sabendo que a pauta para tal aproximação era nobre (o cuidado com os pobres). Hoje, diante de alguns fatores, podemos dizer que eles estavam certos ao fazer determinada ressalva, pois, vemos muitos proponentes da TMI convivendo com ideias e com pessoas oriundas do pensamento marxista sem fazer as devidas críticas ou, ao menos, estabelecer as diferenciações de suas pautas.

Recentemente, a revista Cristianismo Hoje, em sua edição de número 52 trouxe como matéria de capa o seguinte assunto: "Missão Integral, Missão de Deus". A matéria é propagandista e diz que a TMI já contribuiu e tende a contribuir muito para a igreja brasileira. O texto evoca os princípios do Pacto de Lausanne e salienta que evangelização e ação social devem andar de maneira conjunta. Ela ainda dá a entender que as críticas feitas a TMI que a associam as ideias marxistas são infundadas. O pastor americano Timothy Carriker, disse que fazer tal associação é algo "tão absurdo que eu tenho muita dificuldade de levar a sério". Mas como não entender se um dos seus principais expoentes diz que para interpretar a Bíblia usa os óculos que possuem os postulados marxistas da mais-valia e da luta de classes? Essa é uma fala do Ariovaldo Ramos registrada em vídeo[1]. O mesmo Ariovaldo que escreveu e leu o manifesto pró-governo com a cobertura da mídia oficial do Partido dos Trabalhadores. [2] Obviamente que ele não representa todos os proponentes da TMI, mas, no mínimo, dada a importância do Ariovaldo, isso evidencia que muitos vão seguindo pelo mesmo caminho. Sendo assim, qual a dificuldade de entender quem tece uma crítica sobre o abraço da TMI aos pressupostos de Marx?

Como se não bastasse, vemos por aqui cantor esquerdista que vai palestrar numa ONG que é influenciada pela TMI[3], além de outras pautas progressistas que ferem a Escritura e que são defendidas por quem hoje se diz adepto da missão integral. A coisa é tão séria que decidiram não relançar o documento de Pattaya, alegando que a conjuntura sócio-política mudou. Mas algo que esqueceram de refletir é que ainda existem cristãos em países socialistas que são perseguidos e mortos. A Coréia do Norte há anos encabeça a lista dos países perseguidores do evangelho. Como diz o documento: "Os marxistas estão plenamente convencidos de seu ateísmo e, consequentemente, uma boa parte de seu pensamento está destinada a erigir-se em antítese do cristianismo" (p.11, grifo meu).

Que as dezenas de milhares de cristãos mortos e torturados[4] por governos pautados em princípios marxistas possam gritar para que alguns dos proponentes da TMI acordem para o fato de que não podem conciliar o ethos evangélico com os escritos de Marx, Engels e os que lhes sucederam. Que eles sejam sensíveis ao que seus “irmãos do passado” levantaram e, atentem para não colaborar com uma ideia que oprime seus “irmãos de agora” em outras partes do mundo. Cito novamente o documento de Pattaya: "O marxismo é uma filosofia e um programa. Como um todo, é fundamental e incontornavelmente ateu. Por esta razão, notamos no conceito 'marxista cristão' uma contradição de termos" (p.22, grifo meu).

Por fim, acredito que a missão cristã deve ser holística (ou integral, como queiram), e deve alcançar o homem todo. Mas, infelizmente, o termo foi maculado com uma aproximação irresponsável entre o evangelho e uma corrente ideológica. Eu, por hora o tenho abandonado. Faço minhas as palavras do Kevin Vanhoozer: "Os pastores precisam vacinar o corpo de Cristo contra toxinas idólatras, infecções ideológicas e outras formas de ensinamento falso"[5]. Quando fazem o oposto disso, o prejuízo doutrinário não pode ser maquiado pelas boas ações e intenções.

4 de jul. de 2016

Ideologia de Gênero: Uma Questão Teológica e Biopolítica

Por Thomas Magnum

Em toda história da Igreja Cristã podemos pontuar vários ensinos contrários ao que a igreja professa. Isso é um fato inegável. O Cristianismo sempre sofreu oposição ideológica. A Ideologia de Gênero que tem sido pauta para os últimos debates sócio-educacionais é um assunto que precisa ser refletido com seriedade pela igreja e não pode ser ignorado, pelo simples fato de ser uma proposta alteradora do modelo bíblico para a sexualidade humana, a saber, homem e mulher (Gn 1.26-28). Ao me referir ao discurso hipermoderno sobre gênero, estabeleço uma ligação própria com a heresia, o termo usado por heresia é o que a Igreja tem professado no decorrer dos séculos, uma distorção da verdade declarada nas Escrituras de forma axiomática. A heresia é um desfoque da fala divina, é uma corrupção do ensino bíblico; e questão do gênero defendida por correntes psicológicas, antropológicas e sociológicas é uma distorção clara e confrontadora do que diz a Bíblia a respeito do homem e da mulher e de seu comportamento sexual[i].

De fato e de verdade, as teorias relativas à ideologia de gênero (também conhecidas como teoria queer ou gender) são desdobramentos de ideologias sociais referentes ao feminismo[ii], homossexualidade e demais distorções do comportamento sexual humano. O processamento de tal ideologia na sociedade é desastrosa e extremamente prejudicial. Crianças de ambos os sexos usarem o mesmo banheiro na escola? Deixar que a criança descubra suas inclinações sexuais sem nenhum molde – seja da religião, seja da moral vinda dos pais, seja de um padrão social ocidental – é uma violação da liberdade e não uma proclamação da liberdade. A intenção claramente é destruir a autoridade estabelecida, e isso é quebra do quinto mandamento descrito no decálogo. É força empregada por ideologias de gênero, obviamente ligadas a questões de hegemonia nas ideias biopolíticas. É um poder ideológico que dá cabo a uma guerra cultural para erradicação da moralidade cristã estabelecida no Ocidente. É um desmonte cultural em relação à função do homem e da mulher na sociedade e uma nova formulação da ideia de família, obviamente contrária a Palavra de Deus.

De um ponto de vista teológico podemos dizer que a ideologia de gênero é uma negação da realidade, uma negação da verdade e uma negação da autoridade. A realidade de que a criança nasce com um sexo e gênero é o sinônimo e não algo a ser escolhido, essa negação da realidade é uma violação do mandato social descrito em Gênesis 1. Onde lemos que o homem e a mulher deveriam procriar, assim a humanidade só se multiplicaria pelo cumprimento do mandato social, e para que isso acontecesse a sexualidade criada por Deus deveria ser cumprida como no plano original do Criador e não no exercício da homossexualidade ou na neutralidade do sexo. Deus criou o homem para se relacionar sexualmente com a mulher e não com outro homem (Rm 1.24-27). O feminismo em seu formado agressivo de desestabilização da autoridade masculina e exaltação da independência da mulher de toda opressão do sexo oposto também é uma distorção do que dizem as Escrituras sobre o papel da mulher no casamento e o papel do marido (veja Ef 5. 22-33), a submissão da mulher ao marido é estabelecida pelo próprio Deus em sua Palavra e todo ensino contrário é uma afronta a vontade do Criador.

É triste observarmos quietos a invasão diabólica de tal ideologia, que em muitos casos é inserida em materiais didáticos e paradidáticos aprovados pelo MEC. A ideologia de gênero tem sido subliminarmente colocada nestes materiais, demonstrando o tamanho da covardia e sordidez de gente que se diz educador e implanta monstruosamente na mente de crianças, padrões de reconstrução moral e social[iii]. Obviamente, nosso objetivo aqui não é examinar historicamente e exaustivamente a questão da ideologia, mas, direcionar para uma pesquisa mais ampla, diga-se de passagem, urgente principalmente para pastores, pais e professores cristãos.

A urgência e a importância de refletirmos a partir de uma visão teológica sobre o assunto é sem precedentes, nenhum cristão que esteja envolvido nos campos de conhecimento está autorizado pela Palavra de Deus a pensar autonomamente sobre quaisquer assuntos envolvendo a criação de Deus. Com isso não estou defendendo a falta de liberdade científica, mas, pontuando um princípio cristão (1 Co 10.31) que tudo que fazemos deve ser para a glória de Deus. Nossa teologia deve atender a questões sociais e devemos cultivar uma mente bíblica para o exercício de uma cosmovisão redentora, uma percepção de mundo que aponte para Cristo, o Cristo total, o Cristo que é um cerne da teologia, da revelação, da Criação e da ordem devida ao mundo criado.

Desenvolvermos uma reflexão social a partir de bases bíblicas e teológicas é ordem das Escrituras (Êx 20.1-3). O professor Felipe Nery, fundador do Observatório Interamericano de Biopolítica relata em um de seus artigos que “... na Alemanha. Dois pais são presos por não permitirem que seus filhos compareçam às aulas de sexo na escola”. E continua:

O caso dos pais presos na Alemanha por não aceitarem que sua filha fosse doutrinada pela cartilha de “gênero” ilustra bem a índole dos promotores da nova moral mundial. Trata-se de um grupo claramente totalitário. Embora use com frequência termos como “liberdade”, “tolerância” e “diversidade”, aqueles que ousam discordar de suas teorias mirabolantes são imediatamente punidos, ora por meio da mentira e da difamação, ora por sanções legais – como é o caso de Eugen e Luise Martens.

A atitude desse casal, no entanto, não é uma simples “reação”, como se os dois estivessem preocupados apenas em “desmascarar” a ideologia de gênero, ou fossem meros soldados preocupados em matar o inimigo. Talvez, Eugen e Luise Martens, pais de nove filhos, nem se interessassem muito por toda essa discussão, por essa que é realmente uma guerra cultural. A situação com que se depararam, no entanto, obrigou-os a agir. Não por ódio ao adversário, mas por amor àquilo que tinham de mais valioso: os seus filhos[iv].

Felipe Nery completa dizendo:

Algum pai poderia imaginar-se na mesma situação? A escola do próprio filho, que ele criou com tanto amor, dedicação e cuidado, querendo incutir em sua mente toda “variedade” de práticas sexuais... O que fazer? Qual atitude tomar? Ora, o gesto de Eugen e Luise parece bastante compreensível. É o mínimo que qualquer pai e qualquer mãe podem fazer para preservar a integridade e a pureza de seus filhos. Contudo, o Estado quer essas crianças para si, quer educá-las do “seu” jeito, quer implantar nelas as suas ideias, ainda que sejam essas, absurdas, citadas acima. É o que alguns parlamentares também absurdamente defendem, quando trabalham pela implantação da ideologia de gênero em nosso país. Filhos doutrinados, pais encarcerados – é este o futuro de uma nação que mina a célula-base da sociedade, a família, e entrega as suas crianças nas mãos do Estado. Eugen e Luise Martens representam a resistência dos homens de bem de todo o mundo, que não querem ver os seus filhos sequestrados de suas mãos, para serem manipulados por um Estado imoral e por uma ideologia depravada. Eugen e Luise lembram, com sua atitude, que os pais, por serem os transmissores da vida aos filhos, devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores, e que essa função é essencial, insubstituível e inalienável. Eugen e Luise não negam a importância da educação sexual, mas recordam que esta deve ser dada fundamentalmente pelos pais, e não em oposição aos seus princípios e valores[v].

Portanto o que nos resta quanto cristãos? Com certeza, não um conformismo com tamanha calamidade moral e social que nos cerca, não um isolacionismo irresponsável para com nossa confissão de fé e para com a missão que nos foi dada (Rm 12.1-2). Finalizo com um grandioso texto da Escritura que me faz refletir sobre nossa postura:

"Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo..."

2 Coríntios 10:5
_____________
[i] Recomendo ao leitor para aprofundamento do assunto, principalmente para um alerta sobre a prática de ensino nas escolas sobre a questão gender (gênero), o site do Observatório Interamericano de Biopolítica que tem discutido de forma competente sobre o assunto de gênero (http://biopolitica.com.br/)

[ii] Para esclarecimentos históricos a respeito da origem e desdobramentos da questão recomendo o livro  - Gender, Quem és tu? Sobre a ideologia de gênero, escrito por Olivier Bonnerwijn, editora Ecclesiae.

[iii] Citação do meu artigo no blog Electus – Ideologia de Gênero, a negação da autoridade, da realidade e da verdade. http://blogelectus.blogspot.com.br/2015/10/ideologia-de-genero-negacao-da.html#.V0cL_jUrLIU

[iv] Link -http://biopolitica.com.br/index.php/cursos/38-pais-na-cadeia-crime-discriminacao-de-genero-vitimas-os-filhos

[v] Ibdem.

29 de jun. de 2016

O Espírito Santo e as Missões

Por Ronaldo Lidório

Neste artigo pensaremos juntos sobre a relação do Espírito Santo com a obra missionária, a clara ligação entre Sua manifestação em Atos 2 e Atos 13 e a promoção da evangelização aos de perto e aos de longe.

Se olharmos o panorama mundial da Igreja evangélica perceberemos que o crescimento evangélico foi 1.5 % maior que o Islã na ultima década. O Evangelho já alcançou 22.000 povos nestes últimos 2 milênios. Temos a Bíblia traduzida hoje em 2.212 idiomas. As grandes nações que resistiam o Evangelho estão sendo fortemente atingidas pela Palavra, como é o caso da Índia e China, que em breve deverão hospedar a maior Igreja nacional sobre a terra. Um movimento missionário apoiado pela Dawn Ministry plantou mais de 10.000 igrejas-lares no Norte da Índia na última década, em uma das áreas tradicionalmente mais fechadas para a evangelização. No Brasil menos evangelizado como o sertão nordestino, o norte ribeirinho e indígena, e o sul católico e espírita, vemos grandes mudanças na última década, com nascimento de novas igrejas, crescimento da liderança local e um contínuo despertar pela evangelização. No Brasil urbano a Igreja cresceu 267% nos últimos 10 anos. Apesar dos diversos problemas relativos ao crescimento e algumas questões de sincretismo que são preocupantes no panorama geral, vemos que o Evangelho tem entrado nos condomínios de luxo de São Paulo e nos vilarejos mais distantes do sertão, colocando a Palavra frente a frente com aquele que jamais a ouvira antes. Há um forte e crescente processo de evangelização no Brasil.

Duas perguntas poderiam surgir perante este quadro: qual a relação entre a expansão do Evangelho e a pessoa do Espírito Santo? E quais os critérios para uma Igreja, cheia do Espírito, envolver-se com a expansão do Evangelho do Reino?

Em uma macro-visão creio que esta relação poderia ser observada em três áreas distintas, porém, inter-relacionadas: a essência da pessoa do Espírito e Sua função na Igreja de Cristo; a essência da pessoa do Espírito e Sua função na conversão dos perdidos; e por fim a clara ligação entre os avivamentos históricos e o avanço missionário.

A essência da pessoa do Espírito e sua função na Igreja de Cristo

Em Lucas 24 Jesus promete enviar-nos um consolador, que é o Espírito Santo, e que viria sobre a Igreja em Atos 2 de forma mais permanente. Ali a Igreja seria revestida de poder. O termo grego utilizado para 'consolador' é 'parakletos' e literalmente significa 'estar ao lado'. É um termo composto por duas partículas: a preposição 'para' - ao lado de - e 'kletos' do verbo 'kaleo' que significa chamar. Portanto vemos aqui a pessoa do Espírito, cumprimento da promessa, habitando a Igreja, estando ao seu lado para o propósito de Deus.

Segundo John Knox a essência da função do Espírito Santo é estar ao lado da Igreja de Cristo, fazê-la possuir a Face de Cristo e espalhar o Nome de Cristo. Nesta percepção, O Espírito Santo trabalha para fazer a Igreja mais parecida com seu Senhor e fazer o nome do Senhor da Igreja conhecido na terra.

A essência da pessoa do Espírito e sua função na conversão dos perdidos

Cremos que é o Espírito Santo quem convence o homem do seu pecado.

O homem natural sabe que é pecador porém apenas com a intervenção do Espírito ele passa a se sentir perdido. Há uma clara, e funcional, diferença entre sentir-se pecador e sentir-se perdido. Nem todo homem convicto de seu pecado possui consciência de que está perdido, portanto, necessitado de redenção. Se o Espírito Santo não convencer o homem do pecado e do juízo, nossa exposição da verdade de Cristo não passará de mera apologia humana.

A Igreja plantada mais rapidamente em todo o Novo Testamento foi plantada por Paulo em Tessalônica. Ali o apóstolo pregava a Palavra aos sábados nas sinagogas e durante a semana na praça e o fez durante 3 semanas, nascendo ali uma Igreja. Em 1º Tess. 1:5 Paulo nos diz que o nosso evangelho não chegou até vos tão somente em palavra (logia, palavra humana) mas sobretudo em poder (dinamis, poder de Deus), no Espírito Santo e em plena convicção (pleroforia, convicção de que lidamos com a verdade).

O Espírito Santo é destacado aqui como um dos três elementos que propiciou o plantio da igreja em Tessalônica. Sua função na conversão dos perdidos, em conduzir o homem à convicção de que é pecador e está perdido, sem Deus, em despertar neste homem a sede pelo Evangelho e atraí-lo a Jesus é clara. Sem a ação do Espírito Santo a evangelização não passaria de apologia humana, de explicações espirituais, de palavras lançadas ao vento, sem público, sem conversões, sem transformação.

Os avivamentos históricos e os movimentos missionários

Se observarmos os ciclos de avivamentos perceberemos que a proclamação da Palavra torna-se uma consequência natural desta ação do Espírito. Vejamos.

Fruto de um avivamento, a partir de 1730 John Wesley durante 50 anos pregou cerca de 3 sermões por dia, a maior parte ao ar livre, tendo percorrido 175.000 km a cavalo pregando 40.000 sermões ao longo de sua vida.

Fruto de um avivamento, em 1727 a Igreja moraviana passa a enviar missionários para todo o mundo conhecido da época, chegando ao longo de 100 anos enviar mais de 3.600 missionários para diversos países.

Fruto de um avivamento, em 1784, após ler a biografia do missionário David Brainard, o estudante Wiliam Carey foi chamado por Deus para alcançar os Indianos. Após uma vida de trabalho conseguiu traduzir a Palavra de Deus para mais de 20 línguas locais e sua influência permanece ainda hoje.

Fruto de um avivamento, em 1806, Adoniram Judson tem uma forte experiência com Deus e se propõe a servir a Cristo, indo depois para a Birmânia, onde é encarcerado e perseguido durante décadas, mas deixa aquele país com 300 igrejas plantadas e mais de 70 pastores. Hoje, Myamar, a antiga Birmânia, possui mais de 2 milhões de cristãos.

Fruto de um avivamento, em 1882 Moody pregou na Universidade de Cambridge e 7 homens se dispuseram ao Senhor para a obra missionária e impactaram o mundo da época. Foram chamados "os 7 de Cambridge", que incluía Charles Studd (sua biografia publicada no Brasil chama-se "O homem que obedecia"). Foi para a África, percorreu 17 países e pregou a mais de meio milhão de pessoas. Fundou A Missão de Evangelização Mundial (WEC International) que conta hoje com mais de 2.000 missionários no mundo.

Fruto de um avivamento, em 1855 Deus falou ao coração de um jovem franzino e não muito saudável para se dispor ao trabalho transcultural em um país idólatra e selvagem. Vários irmãos de sua igreja tentavam dissuadi-lo dizendo: "para que ir tão longe se aqui na América do Norte há tanto o que fazer?" Ele preferiu ouvir a Deus e foi. Seu nome é Simonton (1833-1867) que veio ao nosso país e fundou a Igreja Presbiteriana do Brasil.

Fruto de um avivamento, em 1950, no Wheaton College cerca de 500 jovens foram chamados para a obra missionária ao redor do mundo. E obedeceram. Dentre eles estava Jim Elliot que foi morto tentando alcançar a tribo Auca na Amazônia em 1956. A partir de seu martírio houve um grande avanço missionário em todo o mundo indígena, sobretudo no Equador. Outro que ali também se dispôes para a obra missionária foi o Dr Russel Shedd que é tremendamente usado por Deus em nosso país até o dia de hoje.

Tendo em mente, nesta macroestrutura, os três níveis de relação entre o Espírito Santo e as Missões, podemos observar alguns valores bíblicos sobre este tema, revelados em Atos 2, durante o Pentecoste.

O Pentecoste e as Missões

O Espírito Santo é a pessoa central no capítulo 2 de Atos e Lucas é justamente o autor sinóptico que mais fala sobre Ele utilizando expressões como "ungido" pelo Espírito, ou "poder" do Espírito ou ainda "dirigido" pelo Espírito (Lc 3:21; 4:1, 14, 18) demonstrado que na teologia Lucana o Espírito Santo era realmente o 'Parakletos' que viria.

O Pentecoste, dentre todas as festas judaicas, era, segundo Julius, o evento mais frequentado e acontecia sob clima de reencontros já que judeus que moravam em terras distantes empreendiam nesta época do ano longas jornadas para ali estar no quinquagésimo dia após a páscoa.

Chegamos ao momento do Pentecoste. Fenômenos estranhos aos de fora e incomuns à Igreja aconteceram neste momento e a Palavra os resume falando sobre um som como "vento impetuoso" (no grego 'echos', usado para o estrondo do mar); "línguas como de fogo" que pousavam sobre cada um, "ficaram cheios do Espírito Santo" e começaram a falar "em outras línguas". Lucas fecha a descrição do cenário com a expressão no verso 4: "segundo o Espírito lhes concedia".

Outras línguas. O texto no versículo 4 utiliza o termos eterais glossais para afirmar que eles falaram em outras glosse, línguas, expressão usada para línguas humanas, idiomas. Mas, a fim de não deixar dúvidas, no versículo 8, o texto nos diz que cada um ouviu em sua "própria língua" usando aqui o termo dialekto que se refere aos dialetos ali presentes. As línguas faladas, e ouvidas, portanto eram línguas humanas e não línguas angelicais, neste texto em particular, no Pentecoste. Mas onde ocorreu o milagre? Naquele que falou ou nos ouvidos dos que ouviram? É possivel que tenha sido nos ouvidos dos que ouviram pois a mensagem, pregada, foi compreendida idia dialekto - no próprio dialeto de cada um. O certo, porém, é que Deus atuou sobrenaturalmente a fim de que a mensagem do Cristo vivo fosse compreendida, clara e nitidamente, por todos os ouvintes.

Em meio a este momento atordoante (vento, fogo, som, línguas) o improvável acontece. Aquilo que seria apenas uma festa espiritual interna para 120 pessoas chega até as ruas. O caráter missiológico do evangelho é exposto. O Senhor com certeza já queria demonstrar desde os primeiros minutos da chegada definitiva do Espírito sobre a Igreja que este poder ? dinamis de Deus - não havia sido derramado apenas para um culto cristão restrito, a alegria íntima dos salvos ou confirmação da fé dos mártires.

O plano de Deus incluía o mundo de perto e de longe em todas as gerações vindouras e nada melhor do que aquele momento do Pentecoste quando 14 nações, ali presentes e, no meio desta balbúrdia da manifestação de Deus, cada uma - miraculosamente - passou a ouvir o Evangelho em sua própria língua.

Era o Espírito Santo mostrando já na sua chegada para o que viria: conduzir a Igreja a fazer Cristo conhecido na terra. Em um só momento Deus fez cumprir não apenas o "recebereis poder" mas também o "sereis minhas testemunhas". A Igreja revestida nasceu com uma missão: testemunhar de Jesus.

Daí muitos se convertem e a Igreja passa de 120 crentes para 3.000, e depois 5.000. Não sabemos o resultado daqueles representantes de 14 povos voltando para suas terras com o Evangelho vivo e claro, em sua própria língua, mas podemos imaginar o quanto o Evangelho se espalhou pelo mundo a partir deste episódio. Certamente o primeiro grande movimento de impacto transcultural da Igreja revestida.

No verso 37 lemos que, após o sermão de Pedro, em que anuncia Cristo, "ouvindo eles estas coisas, compugiu-se-lhes o coração" e o termo usado aqui para compungir vem de katanusso, usado para uma "forte ferroada" ou ainda uma dor profunda que faz a alma chorar". A Palavra afirma que "naquele dia foram acrescentadas quase três mil almas". O Espírito Santo usando o cenário do Pentecoste para alcançar homens de perto e de longe.

Podemos retirar daqui algumas conclusões bem claras. Uma delas é que a presença do Espírito Santo leva a mensagem para as ruas, para fora do salão e alcança apenas pelos quais o sangue de Cristo foi derramado. Desta forma é questionável a maturidade espiritual de qualquer comunidade cristã que se contente tão somente em contemplar a presença do Senhor. A presença do Espírito, de forma genuína, incomoda a Igreja a sair de seus templos e bancos. A Não se contentar tão somente com uma experiência cúltica aos domingos. A procurar, com testemunho Santo e uso da Palavra de Deus, fazer Cristo conhecido aos que estão ao seu redor.

Havia naquele lugar, ouvindo a Palavra de Deus através de uma Igreja revestida de Poder pelo Espírito Santo, homens de várias nações distantes, judaizantes, além de judeus de perto, que moravam do outro lado da rua. De terras distantes, o texto, Atos 2: 9 a 11, registra que havia "nós, partos, medos, e elamitas; e os que habitamos a Mesopotâmia, a Judéia e a Capadócia, o Ponto e a Ásia, a Frígia e a Panfília, o Egito e as partes da Líbia próximas a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, cretenses e árabes-ouvímo-los em nossas línguas, falar das grandezas de Deus". Uma Igreja revestida do Espírito deve abrir seus olhos também para os que estão longe, além-barreiras, além-fronteiras, nos lugares improváveis, onde Cristo gostaria que fôssemos.

Que efeitos objetivos na construção do caráter da Igreja produziu a presença marcante e transformadora do Espírito?

A ação do Espirito Santo não produz uma Igreja enclausurada

Esta Igreja cheia do Espírito Santo passa a crescer onde está e em Atos 8 o Senhor a dispersa por todos os cantos da terra. E diz a Palavra que, "os que eram dispersos iam por toda parte pregando a Palavra". Vicedon nos ensina que uma Igreja cheia do Espírito é uma igreja missionária, proclamadora do Evangelho, conduzida para as ruas.

A ação do Espírito Santo não produz uma Igreja segmentada

Após a ação do Espírito sobre os 120, depois 3.000, depois 5.000, não houve segmentação, divisão, grupinhos na comunidade. Certamente eles eram diferentes. Alguns preferiam adorar a Deus no templo, outros de casa em casa. Alguns mais formais, judeus e judaizantes, outros bem informais, gentios. Alguns haviam caminhado com Jesus. Outros não o conheceram tão de perto. Mas esta Igreja possuía um só coração e alma, como resultado direto do Espírito Santo. Competições, segmentações, grupinhos, portanto, são uma clara demonstração de carnalidade e necessidade de busca de quebrantamento e entrega a ação do Espírito na vida da Igreja.

A ação do Espírito Santo não produz uma Igreja autocentrada

Certamente uma Igreja que havia experimentado o poder de Deus, de forma tão próxima e visível, seria impactada pelo sobrenatural. Porém, quando a ação sobrenatural é conduzida pelo Espírito Santo a única pessoa que se destaca é Jesus, a única pessoa exaltada é Jesus, a única que aparece com louvores é Jesus. Esta Igreja que experimentou o Espírito no Pentecoste passa, de forma paradoxal, a falar menos de sua própria experiência e mais da pessoa de Cristo. O egocentrismo eclesiástico não é compatível com as marcas do Espírito.

Creio, assim, que nossa herança provinda do Pentecoste precisa nos levar a sermos uma Igreja nas ruas (não enclausurada), uma Igreja Cristocêntrica com amor e tolerância entre os irmãos (não segmentada ou partidária), uma Igreja cuja bandeira é Cristo, não ela mesma (não egocêntrica), e por fim uma Igreja proclamadora, que fala de Cristo perto e longe. Que as marcas do Pentecostes continuem a se manifestar entre nós.

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Fonte: guiame.com.br

27 de jun. de 2016

Amor Seguro Amor (1 Jo 4.7-21)

Por Thiago Oliveira

Texto Base: 1 João 4.7-21

7. Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor procede de Deus. Aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 8. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 9. Foi assim que Deus manifestou o seu amor entre nós: enviou o seu Filho Unigênito ao mundo, para que pudéssemos viver por meio dele. 10. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. 11. Amados, visto que Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros. 12. Ninguém jamais viu a Deus; se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor está aperfeiçoado em nós. 13. Sabemos que permanecemos nele, e ele em nós, porque ele nos deu do seu Espírito. 14. E vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o Salvador do mundo. 15. Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. 16. Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. 17. Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. 18. No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. 19. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. 20. Se alguém afirmar: "Eu amo a Deus", mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. 21. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão.

Introdução

Hoje concluiremos o 4º capítulo da primeira carta joanina. Veremos que o apóstolo retoma a pauta do amor ao próximo. “A Primeira Epístola de João é, predominantemente, um livro sobre o amor. Nessa epístola, o verbo amar aparece 28 vezes e seu substantivo correspondente, amor, é usado 18 vezes” (Simon Kistemaker). Aqui ele fundamenta o amor no atributo divino e conclama a sua igreja a servir a Deus amando as pessoas. No mundo em que vivemos, de tamanho egoísmo e hostilidade, resultado no pecado, os cristãos têm a responsabilidade de fazer diferente e exalar o perfume do amor pelos quatro cantos da terra.

Que o Espírito Santo nos faça compreender isso e nos mover na direção de ações concretas que resultem no amar prático.

O Fundamento do Amor (7-10)

O apóstolo conclama os seus leitores e diz que deve existir um amor fraternal entre eles. E a razão disso é que o amor é um atributo divino, faz parte do que Deus é. Deus tem outros atributos, sem os quais ele deixaria de ser Deus. Por exemplo: santidade, justiça, onisciência, onipresença, etc. Mas dentre todos, João escolhe falar sobre o amor para fundamentar o mandamento que temos recebido de Deus, que é amar ao próximo. Se amar é algo que está presente no nosso Senhor, também deve existir em nós. Por isso que se diz que quem não ama não conhece à Deus. Não se trata aqui do conhecimento intelectual. A palavra tem enfoque relacional e sintetiza uma verdade absoluta. Daí, se até então não havia ficado entendido, agora não resta a menor dúvida do porque que o amor é assunto central da vida cristã. Amar nos dá credencial de pertencimento, sendo assim, pode-se afirmar que apenas os que amam, de fato, os seus semelhantes, tem comunhão com o Pai. Isso parece refutar os gnósticos que apontavam para uma experiência de “iluminação” com o objetivo de conhecer a Deus.

Apelando para a obra de Cristo, nosso redentor, João exemplifica o amor através do ato vicário que Jesus realizou. Como disse Agostinho: “A cruz foi o púlpito onde Deus pregou o amor”. Esse ato foi um ato de amor. Os homens, por se rebelarem em pecado, apenas merecem a ira de Deus. Como registrado na carta aos efésios, éramos merecedores da ira (Ef 2.3). Sujeitos destinados ao inferno, pois, Deus odeia o pecado e também quem o pratica. Precisamos ser claros: Deus odeia o pecado e o pecador, contrariando uma famosa frase de efeito que circula entre as igrejas. Se formos para as Escrituras veremos que Deus abomina os pecadores (vide Salmo 5. 5, 11.5). Essa ira é santa, pois santidade e justiça também são atributos divinos. Por amar a santidade e a justiça, Deus odeia os que praticam o inverso e sua ira está fundamentada em seus atributos.

Mas então, se Deus abomina o pecado e odeia os que o praticam, onde o amor se enquadraria? Para respondermos isso é necessário olhar para cruz. Em Cristo vemos o amor, pois, ele resgatou parte dessa massa pecadora ao morrer no lugar deles. Esse amor é gracioso: “Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida juntamente com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões — pela graça vocês são salvos” (Efésios 2.4,5). Se temos vida, temos por meio de Cristo, devemos isso a ele, louvado seja o cordeiro de Deus que nos vivificou!

O termo propiciação não está nesse texto à toa. Ele significa “desvio da ira”. Toda ira, santa e justa, do Pai recaiu sobre o Filho ao invés de ter caído sobre nós. É como se Cristo fosse um para-raio que atrai para si a carga energética e mortal do relâmpago. Ele foi castigado em nosso lugar, como diz o profeta Isaías no capítulo 53 de seu livro. Jesus é aquele homem de dores transpassado, moído no lugar daqueles que por seu sangue foram comprados. Nós não o amávamos, mesmo assim ele nos amou e nos salvou. É graça, maravilhosa graça que não somos capazes de mensurar o seu tamanho. Ela extrapola toda e qualquer noção de espaço que temos. Em Cristo, fomos e somos assombrosamente amados pelo Pai!

O Desdobramento do Amor (11-16)

É por ter o fundamento do amor de Deus em nossas vidas, que devemos amar as pessoas. João atenta para o fato da proximidade com que temos das pessoas em nossa volta. Podemos vê-las, tocá-las, senti-las. Deus, por mais que se relacione conosco de uma maneira real, é um relacionamento que não podemos ver a olho nu, muito menos sentir de maneira tangível. Deus é imanente, mas é ao mesmo tempo transcendente, ficando muito além da nossa total compreensão. Nessa proximidade com os nossos semelhantes, somos aperfeiçoados pelo próprio Senhor que em nós atua por meio do seu Santo Espírito. Da mesma forma que o Pai demonstrou seu amor de maneira visível, ao enviar seu Filho ao mundo, sendo o próprio Deus encarnado, nosso amor também precisa ter esse viés “encarnacional”, ou seja, deve se concretizar nas nossas relações para com nossos semelhantes.

O Espírito Santo é um presente que nos foi dado e é Ele quem nos conduz em amor e nos dá a segurança da salvação. É nesse relacionamento íntimo com o Espírito que sabemos que pertencemos a Deus. Também é Ele quem nos dá a compreensão da graciosa obra salvífica, da relação do Pai com o Filho, que arquitetaram o plano para redimir os que amaram desde a eternidade (Ef 1.3-6). O mesmo Espírito nos direciona a confessarmos a Cristo como sendo nosso salvador.

Tal condução é uma benção. Ela nos dá confiança de que graças à atuação poderosa do Espírito Santo através de nós, perseveraremos até ouvirmos a chamada celestial. Temos que se confiantes no amor de Deus para conosco e lembrarmos, como povo dEle, que Deus é amor! Esses são os desdobramentos de quem tem Cristo por fundamento.

A Plenitude do Amor (17-21)

O amor aperfeiçoado é o amor pleno. Todos que foram comprados por Cristo e receberam dele o Espírito Santo caminham neste pleno amor e por isso não temerão o juízo vindouro. Não devemos temer castigo algum, pois, o que Jesus conquistou por nós foi o perdão dos pecados e a garantia de que habitaremos na presença do Deus que é santo, e para isso ele tem nos santificado. Devemos ter a noção de que estamos seguros não pela forma que o amamos, mas por causa de como Cristo nos amou. Ele nos amou primeiro, sendo o nosso amar, um ato secundário e em resposta a sua atuação em nossas vidas. Por isso um velho hino cristão diz: “Que segurança, sou de Jesus, e já desfruto o gozo da luz, sou por Jesus herdeiro de Deus, ele nos leva a glória dos céus”. O músico e poeta brasileiro Stenio Marcius descreve na canção “O Sonho” a confiança inabalável que o crente deve possuir:

Sonhei que eu tinha morrido, não lembro direito do quê. Me vi frente a um alto e belo portão com uma placa escrito "Céu". Bati com um certo receio, um anjo saiu pra atender. Me disse "Pois não?”, eu falei "Quero entrar, pois aí é o meu lugar". O anjo me disse: "Curioso, eu não acho seu nome em nossos registros". Eu disse: "Procure num livro antigo, escrito antes que houvesse mundo, e ali achará com a letra do Rei meu nome em tinta vermelha". Alguém entregou para o anjo registros que eu reconheci. Compêndio de todas as leis que eu quebrei e os pecados que cometi. O anjo olhava os registros visivelmente assutado, e me perguntou: "Foi assim que viveu?" Eu então respondi que sim. "Então como é que você tem coragem de vir nessa porta bater?". Eu disse: "Olhe bem no final dessa lista, você reconhece esta letra?"E o anjo sorrindo me disse "É verdade, o Rei escreveu PERDOADO". E ao som dessa bela palavra aquele portão se abriu. Então eu entrava cantando um hino. Que pena que o sonho acabou! Ficaram comigo aquelas palavras. Primeiro eu quero ver meu Salvador”.

Agora o capítulo termina com uma ressalva que fará os hipócritas temerem: Quem diz amar a Deus e odeia seu irmão, é mentiroso. Ora, o mentiroso não é amado, pois o provérbio diz que: “O Senhor odeia os lábios mentirosos (Pv 1. 22)”. Assim, na nossa confiança no amor que recebemos, temos que cumprir o mandamento de amamos uns aos outros.

Aplicação

- Reconheço que recebi amor do Senhor sem que tenha merecido, e por isso devo amar o meu semelhante de maneira graciosa?

- Tenho procurado imitar a Cristo, amando de maneira concreta, colocando-me no lugar do outro para compartilhar de suas alegrias e dores?

- Estou seguro de que Deus me ama em Cristo e que seu amor me conduz em segurança para o céu?

24 de jun. de 2016

O que Calvino realmente disse sobre o Quarto Mandamento?

Por Dr. Francis Nigel Lee

João Calvino de Genebra (1509-1564) desferiu o golpe de morte para os dias de festa dos romanistas e deu grande ímpeto ao Decálogo e à observância do domingo. Muito uso tem sido feito pelos antinomistas anabatistas a respeito das cuidadosas afirmações de Calvino em suas Institutas de 1536 de que “foi bom deixar de lado o dia guardado pelos judeus” – mas pouco uso tem sido feito das afirmações igualmente cuidadosas que aparecem duas linhas depois na mesma sentença, de que “foi necessário estabelecer em seu lugar outro dia”.[i] Antinomistas têm enfatizado a afirmação verdadeira de Calvino contra os romanistas de que guardadores ferrenhos do domingo “insultam os judeus pela mudança do dia, e ainda atribuem a ele a mesma santidade” – mas ignoram sua afirmação, igualmente verdadeira (aparentemente contra os antinomistas!) que aparece seis linhas depois: “Tenhamos o cuidado, entretanto, de observar a doutrina geral... diligentemente comparecendo às nossas assembleias religiosas”.[ii]

Anti-calvinistas desprezadores da lei não falharam em apreender a opinião correta do genebrino quando disse que “o sábado tenha sido revogado” – mas falharam em apreender com igual correção a opinião apresentada na seção seguinte, de que “algumas mentes levianas se agitam demais hoje em dia por causa do domingo. Queixam-se de que o povo cristão continua preso a um tipo de judaísmo, visto que ainda retém alguma observância de dias. A isso respondo que sem judaísmo observamos o domingo”.[iii] Essas “mentes levianas” não se furtam de citar fortes afirmações de Calvino de que “Cristo é o verdadeiro cumprimento do sábado” e que ele “não está contente com um dia, mas exige o curso inteiro de nossa vida” etc. – mas se furtam de afirmações igualmente fortes de que Deuteronômio 5 é “igualmente aplicável a nós como aos judeus” e que nos tempos apostólicos “os primeiros cristãos substituíram o sábado por aquilo que nós chamamos de Dia do Senhor”![iv]

Contudo, talvez ainda mais importante do que suas visões nas Institutas de 1536 – escritas em seus tenros 26 anos de idade – são as afirmações posteriores de Calvino sobre a questão do sábado, sobre as quais os antinomistas mantêm o mais profundo silêncio. Em seu sermão em Deuteronômio 5, ele escreveu sobre “quando as janelas das nossas lojas estão fechadas no dia do Senhor, quando não andamos segundo a ordem comum e o costume dos homens”. Ele pergunta: “Se empregamos o Dia do Senhor para nos distrair, para nos exercitar, para ir a jogos e passatempos, Deus está sendo nisto honrado? Não é isto uma zombaria? Não é uma profanação de seu nome?”[v]

Em 1550, de acordo com Beza, seu biógrafo, Calvino determinou “que não deveria haver qualquer outro dia de festa, exceto um em sete, que nós chamamos de Dia do Senhor”[vi]; e no ano de 1554, ele escreveu em seu Comentário de Gênesis (2.1-3) que Deus “primeiro descansou, então abençoou este descanso que em todas as eras deveria ser sagrado entre os homens”. “Deus”, continuou Calvino, “consagrou cada um dos sétimos dias de descanso” e que, “sendo ele [o shabbath] ordenado aos homens desde o princípio, para que o empreguem na adoração a Deus, é certo que deve continuar até ao fim do mundo”. Além disso, conclui, “deve-se notar que essa instituição tem sido dada não a um único século ou povo, mas a toda a raça humana”.[vii]

Um ano antes de sua morte em 1564, Calvino claramente afirmou com respeito a Êxodo 20, em sua obra Harmonia do Pentateuco, que “temos a mesma necessidade de um dia de descanso que os antigos”; e acrescentou: “não é crível que a observância do dia de descanso tenha sido omitida quando Deus revelou o rito de sacrifício aos santos Pais, mas aquilo que na depravação da natureza humana estava completamente extinta entre as nações pagãs, e quase obsoleta entre a geração de Abraão, Deus renovou em sua lei”.[viii]

Essas visões do grande genebrino foram propagadas e desenvolvidas por todos os seus seguidores que orgulhosamente chamavam-se por seu nome – os calvinistas.

***

Fonte original: The Covenantal Sabbath[ix]

Extraído de: Monergismo.Net.Br

Tradução: Márcio Santana Sobrinho 


[i] Calvino. “Institutas”, II:VIII:33.
[ii] Ibid., II:VIII:34.
[iii] Ibid., II:VIII:32,33.
[iv] Ibid., II:VIII:32,34.
[v] A. A. Hodge. op. cit., pp. 18-19.
[vi] Bezaop. cit., I, p. xciii.
[vii] A. A. Hodge. op. cit., pp. 17:8; Kuyper. “Tractaat” etc., pp. 165-166.
[viii] Calvino. “Harmony of the Pentateuch”, p. 437.

22 de jun. de 2016

Credo In Deun: Nossa Confissão e Doutrina Evangélica

Por Thomas Magnum

Porque com o coração se crê para a justiça
e com a boca se confessa a respeito da salvação.

Apóstolo Paulo. Romanos 10.10

Crer em Deus é pertencer a Ele.

Alister Macgrath

Muito já escreveu sobre o credo apostólico. Sua importância é sem sombra de dúvidas, grandiosa para uma realidade religiosa no Brasil, cada dia mais deísta e inconfecional ou anticonfecional, pragmática e apática no que se refere à doutrina.

De fato, muitos alimentam a ideia de que a doutrina obscurece a vida espiritual, mas, ao contrário deste quase adágio, doutrina é vida, é solidez num mundo líquido. Doutrina é vitalidade para uma era notoriamente letárgica no que se diz a respeito do que é ser cristão. Numa geração em que a confissão da fé é incompreendida e confundida com mistificações assombrosas e teatralizações frias de uma ortodoxia morta.

A ortodoxia não se resume apenas ao correto ensino. Como o rio que regava o Éden (Gênesis 2.10), a doutrina rega a prática cristã (Ortopraxia) e as afeições religiosas (Ortopatia). A doutrina é o resultante sistemático da revelação, da progressividade da atuação divina no drama do mundo criado. Temos então no credo uma consubstancialidade evangélica, uma importância dinâmica no curso do crer e proferir. Do pensar e do falar. Do abraçar e do avançar. O credo tem um caráter evangélico kerigmático, isto é, proclamador, missionário. E oferece para demanda do coração uma resposta para uma religião imersa na fé no Deus-Trindade.

Esse texto não tem por objetivo tratar da historicidade do credo, muito menos, versar sobre as possíveis datas para sua conclusão histórica. A nossa reflexão se dará sobre a confissão, sobre o crer e sobre o resultado do crer; afinal, o crer não é estéril, não é apático ou imóvel. Nossa modesta escrita pretende contribuir para uma teologia evangélica credal, confessional, missional e estar fundamentada numa tríplice estrutura para fé: ortodoxia, ortopraxia e ortopatia.

Credo in Deun

Importante para nós, sob ótica cristocêntrica, o inicio do credo, ou melhor, a primeira palavra do credo:

Esse Credo, no início do Símbolo, significa em primeiro lugar, apenas e tão somente, o ato de reconhecimento – na forma de conhecimentos decisivos alcançados pela revelação de Deus – da realidade de Deus em seu relacionamento com o homem[i].

O Creio derivado da fé na revelação é o resultado da equação credal. A fé resulta no Credo in Deun. Não há credo sem fé. Não há ortodoxia sem graça, sem revelação cristocêntrica, sem redenção histórica do perdido. Não há credo sem morte, não há credo sem ressurreição. Isso deve nos constranger a uma confessionalidade credal intensa e vigorosa: creio! Creio não por mim, creio, por Ele. Creio pela mediação de Cristo, creio pela obra do Espírito. Creio In Deun, essa confissão é trinitária, pactual e missionária. Creio somente por meio do Deus Triúno e no Deus Triúno. O solus Christus só é possível pelo sola gratia. Não detendo o poder da Trindade na economia da salvação, mas, adorando-o na expansão que causa essa obra. Onde o Deus salvador opera em nós, por meio dEle mesmo para nos levar a Ele mesmo, ou seja, Ele é a fonte, o meio e a finalidade da salvação. Por isso, a economia da salvação pertence somente a Ele. Esse fato me faz adorar: Credo In Deun!

O ato do credo é o ato de confissão da fé apostólica

A fé descrita no credo é confessional e emblemática para a doutrina cristã.

1. A Fé como aceitação (Jo 1.12)
2. A Fé como confiança (Hb 11.1)
3. A Fé como compromisso (Cl 1.4)
4. A Fé como obediência (Rm 1.5)

Aqui está uma amostra da fé credal, da confissão que resulta do que crê o coração.

Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação. Porque a Escritura diz: Todo aquele que nele crer não será confundido. (Romanos 10:8-11)


A confissão da fé que o coração esboça é credo. O credo é a divina proclamação da eterna obra trinitária no tempo e no espaço, num povo salvo, que confessa a obra salvífica, que pela providência se consumou na cruz, em Cristo.

Ter Fé não significa apenas ter uma nova ideia. Significa reconhecer em nossa mente quem é Deus, quais são seus atributos e corresponder a ele em nosso coração[ii].

Deus – O Centro da Fé Credal

- A fé credal é uma confissão, um ato proclamador, testemunhador, espiritual e de adoração a Deus. Por isso o Credo inicia-se com “Creio em Deus”.

- Temos então no credo uma fé depositada não no simples documento confessional, mas, no que ele professa e quem ele professa, o Deus Triúno.

- O credo começa dizendo “creio em Deus”, a questão aqui é de extrema importância para o entendimento do credo como documento trinitário.

Diz-nos Franklin Ferreira:

O fato é que o Credo dos Apóstolos começando com “Creio”, exige de nós uma resposta pessoal; o Credo exige de nós uma aderência ao que está sendo ensinado, uma confiança em seu ensino. Mas a recitação do Credo lembra que somos chamados a expor de forma pública a nossa fé. Ao recitar o Credo, o cristão oferece uma confissão de fé pública: “Porque com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação” (Rm 10.10). Então, o Credo lembra que há uma dimensão pública da nossa fé. Nós somos chamados – todos nós, não somente pastores, missionários, teólogos e seminaristas, mas toda a comunidade cristã – a estarmos aptos a expressar na Escritura. Em outras palavras, o que se crê é o que se confessa[iii].

Qual a importância do Credo na comunidade de fé? Quero apontar alguns pontos que tenho pensado a respeito.

1. Confissão doutrinária no Deus Triúno;
2. Parte integrante de uma adoração trinitária;
3. Proclamação do Evangelho aos pecadores.

Sobre essas questões devemos observar que não há confissão sem doutrina, o que há é confusão. A adoração a Deus como Trindade ainda é em muitos círculos evangélicos incompreendida e na prática, muitas vezes o que existe é um monismo ou modalismo na adoração, que se assim o for, resulta em idolatria, se está adorando um Deus diferente do que está revelado nas Escrituras. E por fim, em relação a missões Barth diz algo interessante: “O Credo finalmente mostra a Igreja comprometida com o trabalho missionário, encaminhada em direção ao mundo que não está ainda congregado junto à Igreja, encarando-o com responsabilidade e apelo[iv]. O credo impele a Igreja a ser kerigmática, a ser arauto do rei.

O Credo e o Primeiro Mandamento

Que relação teria o Credo com o primeiro mandamento? Toda, absolutamente. O Credo invoca o verdadeiro Deus, o Deus único, o Deus que se auto-revelou. O Deus que é redentor. Vejamos os primeiros versículos do decálogo: Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim (Êxodo 20:1-3). Que ligação credal temos aqui? Deus! Credo In Deun! Sou o Senhor teu Deus! Qual é a reivindicação dessa fala divina? Creia! E não é somente essa a analogia teológica da fé credal expressa do Credo Apostólico. Vejamos que o prefácio do decálogo e o primeiro mandamento nos dizem muita coisa. Te tirei da terra do Egito, é expresso no prefácio dos mandamentos a redenção que Deus concedeu a seu povo escolhido. O que expressa o Credo na segunda parte, sobre o Deus redentor?

Em Jesus Cristo, ao único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus; está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos[v].

O que temos no Credo aqui? Redenção. O requer ainda o mandamento? Não terás outros deuses diante de mim. O que nos diz o Credo? Credo In Deun? Que Deus? Aquele que se revelou nas Escrituras.

O Credo e o segundo mandamento

“Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra.
Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êxodo 20:4-6)

Observemos que o Credo professa, confessa e testemunha do Deus Triúno, que se revelou na história da redenção, descrita na Bíblia. Não terás outros deuses implica em algumas questões importantes apontadas pelo catecismo maior de Westminster, nosso dever e nosso pecado diante do mandamento. Devemos repudiar a idolatria em todas as espécies. Por que motivo? Porque Creio em Deus – Pai, Filho e Espírito Santo.

Conclusão

A confissão credal, é monoteísta, trinitária e pactual. A fé em Deus resulta em confissão. Com o coração se crê e com a boca se confessa para a salvação. A confissão é para a salvação e decorrente da salvação – Fala o que convém a sã doutrina (Tt 2.1). Não há credo verdadeiro, sem doutrina sã. “Creio” é resultado da fé que obedece, que aceita o corpus da revelação, que confessa o Senhorio do Deus eterno Triúno. Credo In Deun é condição sine qua non para o ethos e a práxis cristã.

Credo In Deun! Amém.



[i]  Barth, Karl. Credo, comentários ao credo dos Apóstolos. São Paulo. 2003, ed. Novo Século, p.20.

[ii]  Macgrath, Alister. Creio – Um estudo sobre as verdades essenciais da fé cristã no Credo Apostólico. São Paulo. 2013, ed. Vida Nova, p. 25.

[iii]  Ferreira, Franklin. O Credo dos Apóstolos. Doutrinas Fundamentais da Fé Cristã. São José dos Campos, SP. 2015, ed. Fiel.

[iv] Barth, Karl. Credo, comentários ao credo dos Apóstolos. São Paulo. 2003, ed. Novo Século, p. 24,25.

[v] Extraído do livro: O Credo dos Apóstolos. Doutrinas Fundamentais da Fé Cristã. Franklin Ferreira, p.22.