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14 de nov. de 2016

Soli Deo Gloria: Um lema para a vida

Por Thiago Oliveira

*Texto Base: Salmo 96

INTRODUÇÃO

Soli Deo Gloria, que quer dizer: Somente a Deus glória, é um dos lemas da Reforma Protestante.  O intuito dos reformadores com este lema foi endossar que apenas o SENHOR deve ser exaltado em tudo o que fizermos. Como nos diz o apóstolo Paulo “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”. (1 Coríntios 10:31).

O pastor norte-americano John Piper costuma abordar o tema de quanto Deus ama a sua glória e de que nós também devemos amá-la e exaltá-la. Uma de suas frases mais famosas e mais repetidas é “Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos nele”. Por isso, devemos desejar Deus e fazer desse desejo o nosso estilo de vida. Nascemos para adorá-lo e devemos fazer isso em Espírito e em verdade. Se não glorificamos o Deus bendito com palavras e ações, logo, nos alienamos de nós mesmos e não viveremos uma vida plena. Não encontraremos satisfação em nada se não nos satisfizermos com a gloriosa presença do Deus trino.

Todavia, muitos se questionam se Deus não é egoísta ou narcisista ao querer ser glorificado e adorado entre os homens. Obviamente, Deus não é uma coisa e nem outra. Expondo o Salmo 96, que parece ser um resumo de um cântico de Davi (1 Crônicas 16) para alguma festa solene em celebração ao SENHOR no período pós-exílico, veremos o porque Devemos dar a Deus somente toda honra e toda glória.

EXPOSIÇÃO

1.Cantem ao Senhor um novo cântico; cantem ao Senhor, todos os habitantes da terra! 2. Cantem ao Senhor, bendigam o seu nome; cada dia proclamem a sua salvação! 3. Anunciem a sua glória entre as nações, seus feitos maravilhosos entre todos os povos!

Os versículos iniciais reforçam o louvor a Deus dando ênfase para que se cante em adoração ao SENHOR. Percebam que “cantai” aparece três vezes nos versículos iniciais do salmo. Um cântico novo não necessariamente seria uma música inédita. O próprio salmo é uma compilação de um texto composto por Davi para que os levitas entoassem no tabernáculo. Aqui, segundo a tradição rabínica e muitos comentaristas bíblicos, o cântico seria usado na inauguração do segundo templo, construído após um remanescente migrar do cativeiro babilônico para reconstruir Jerusalém. Mas então porque o canto se faz novo? Ora, ele se torna novo na disposição de nosso coração, quando cantamos com disposição e alegria para o enaltecimento do nome do Altíssimo. A novidade está na dinâmica de nossa adoração, que não pode ser mecânica, como se estivéssemos no “piloto automático”. E é justamente essa dinâmica que move o adorador a proclamar as maravilhas que vem de Deus. Observem que o canto não fica estático, ele vai se propagando por toda a terra na medida em que o nome do Senhor se torna bendito entre as nações e a sua salvação é proclamada. Isso é apregoar boas novas, o que nos remete a evangelização, termo que os tradutores gregos da Septuaginta usaram e que em nosso idioma foi traduzido por “proclamação”.

Anunciar a sua glória e a sua maravilha é compartilhar de quem Deus é e o que Ele faz para os que são seus. Este anúncio é o que cumprimos na grande comissão, quando pregamos a todos os homens sobre o que Deus Pai fez através de seu filho Jesus Cristo. A dinâmica da evangelização faz com que os adoradores aumentem e isso redunda em mais glória para Deus. Por isso que a adoração não pode ficar confinada ao culto, mas deve mover-se para fora, em busca de aumentar o coro que em muitas vozes cantará a majestade do Deus Todo-Poderoso.

4. Porque o Senhor é grande e digno de todo louvor, mais temível do que todos os deuses! 5. Todos os deuses das nações não passam de ídolos, mas o Senhor fez os céus. 6. Majestade e esplendor estão diante dele, poder e dignidade, no seu santuário.

E porque louvar ao Senhor? Seria Ele um egoísta? Como dito na introdução desta mensagem, a resposta é não. A tentativa de alguns ateus e inimigos da fé de pintar Deus com traços de Narciso é patética, pois, eles partem de um referencial humano para atribuir a Deus o sentimento egoísta. Deus é desde a eternidade, o que significa que não teve começo e não terá fim. Ninguém o criou e ninguém está acima do SENHOR. Ele é autossuficiente e seu deleite se encontra em seus próprios atributos. Ele é grande, maior do que a criação, que já imensa. Paremos para pensar na dimensão do planeta Terra e nos deparemos com o fato de que diante do vasto universo, nosso planeta é um pontinho azul entre bilhões de galáxias. Isso é a grandeza da coisa criada. Imaginemos então quão grande é o Criador. Só este fato deveria ser suficiente para reverentemente glorificarmos ao Deus dos céus e da terra.

O que você faria ao encontrar algo belo e grandioso que lhe conferisse um sentido de propósito? Com toda certeza você amaria tal coisa, a enalteceria com todas as suas forças e se entregaria por completo. Este algo existe e é o Criador que nos criou para si. Deus não pode se deleitar em nada fora dele mesmo, pois nada se equipara a sua grandeza. Por ser autossuficiente, tem paixão pela sua glória, que é a manifestação de seus santos atributos. Assim, pequeno e limitado que é o homem, necessita se conectar com Aquele que lhe confere um sentido para sua existência. O homem precisa de Deus, pois é Deus quem o confere a verdadeira humanidade. Por isso que C.S. Lewis nos diz que “em mandar-nos glorificá-lo, Deus está nos convidando a gozá-lo”. Portanto, quando adoramos a Deus e lhes rendemos glória, estamos fazendo aquilo que nos foi impresso na criação. Todo homem é um adorador por carregar dentro de si a imagem do Criador. Ao nos ordenar que lhe rendamos graças e louvor, Deus está nos dando o privilégio de sermos inteiramente satisfeitos e felizes, e a fonte que nos sacia por completo não é outra senão o próprio Iavé.

Por não glorificar a Deus, o homem sempre arruma um substituto para exercer veneração. Este é o cerne da idolatria, e o salmo deixa claro que todos os deuses não passam de ídolos criados. Eles são vazios e não possuem a majestade e o esplendor do Deus vivo, ao invés disso, são desprovidos de valor. Ao adentrar o santuário, o judeu deveria se deslumbrar não com a prata, não com o ouro e não com as pedras polidas e cravadas. O deslumbramento devia ocorrer diante da gloriosa presença do Deus que é santo. Sendo assim, que nós ao nos reunirmos com Igreja, sabendo que o SENHOR se faz presete, sejamos maravilhados com a beleza e com o esplendor de sua glória em nosso meio.

7. Dêem ao Senhor, ó famílias das nações, dêem ao Senhor glória e força. 8. Dêem ao Senhor a glória devida ao seu nome, e entrem nos seus átrios trazendo ofertas.

Por causa da grandeza de Deus, a adoração deve se estender a todos. As famílias precisam louvar a Deus juntas. Pais e Filhos. Irmãos e irmãs. Gente de toda classe social, seja de qualquer nação, falando qualquer língua. O nome do SENHOR deve receber a glória que é devida. As ofertas que se traziam ao Templo eram para render louvores ao Deus de Israel. Aqui necessitamos entender que não devemos adorar na intenção de receber favores. A adoração se dá como gratidão e serviço por tudo que Deus é e por tudo que Ele tem feito por nós e em nós. Que possamos fazer de nossa própria vida uma oferta toda vez que nos reunimos para engrandecer o nome do Santíssimo.

9. Adorem ao Senhor no esplendor da sua santidade; tremam diante dele todos os habitantes da terra. 10. Digam entre as nações: "O Senhor reina!" Por isso firme está o mundo, e não se abalará, e ele julgará os povos com justiça. 11. Regozijem-se os céus e exulte a terra! Ressoe o mar e tudo o que nele existe! 12. Regozijem-se os campos e tudo o que neles há! Cantem de alegria todas as árvores da floresta, 13. cantem diante do Senhor, porque ele vem, vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com a sua fidelidade!

O salmo vai se encaminhando para o fim sem perder de vista a conclamação a adoração ao Divino. O verso 9 enaltece a santidade do SENHOR, o que é visto como motivo para reverentemente tremermos diante do Santo dos Santos. Todos os que estão na presença de Deus devem reverência pelo fato dEle ser santo e sua santidade contrastar com a nossa pecaminosidade. O profeta Isaías se encheu de temor ao se deparar com a santidade divina (vide Isaías 6). Ele não ficou com vontade de pular ou dançar, mas automaticamente se prostou. Essa é a reverência que cabe ao Rei dos reis e Senhor dos Senhores.

Deus reina e o mundo é sustentado pelo cetro de seu poderio. Isso precisa ser dito entre as nações. Os governantes do mundo precisam saber que estão debaixo do poder dAquele que tudo governa. O mundo é dEle, criado por Ele e para Ele mesmo se deleitar. Por isso que a conclamação para o regozijo é geral, englobando todos os seres criados. De uma forma hiperbólica, até mesmo seres inanimados são convocados para enaltecerem o Criador. O louvor aqui é oferecido a um Rei que governará com justiça. Juíz, no texto, é aquele que governa, e seu governo será justo, pois a sua base está na fidelidade de quem não é homem para que minta e nem filho do homem para que se arrependa (Números 23.19).

CONCLUSÃO/APLICAÇÃO

Para que essa palavra seja aplicada em nossa vida, podemos responder a nós mesmos a algumas perguntas:

1. Se eu preciso glorificar ao Senhor em todas as coisas, em que área eu tenho sido negligente e não a vivo para o louvor do meu Deus?

2. A quem tenho proclamado sobre a grandeza do meu Deus? Estaria a minha adoração se restringindo apenas aos momentos de culto congregacional ou privado?

3. Diante do governo dos homens e de tanta instabilidade política e financeira, estamos louvando ao Rei dos reis na expectativa de participarmos de seu reino de justiça?


Que o Senhor nos ache no meio de seus adoradores. A Ele a glória, pra sempre e amém! 

12 de out. de 2016

Não Faça a Vontade de Deus Como Um Ateu

Por John Piper

Depois da minha mensagem ao corpo discente da University Liberty semana passada, um estudante atento me perguntou essa questão esclarecedora: "Então você não acredita que atos altruístas são possíveis ou desejáveis?".

Eu pedi para ele definir altruísmo de modo que eu pudesse responder o que ele realmente estava perguntando. Ele disse: "Fazer uma boa obra a outros sem vislumbrar uma recompensa". Eu respondi: "Está certo, sendo ou não possível, eu não acredito que é desejável, porque não é o que a Bíblia nos ensina a fazer; e não é o que pessoas sentem como sendo um amor genuíno. Porque isto não é amor genuíno."

QUANDO DEUS É GLORIFICADO

Eu tinha dito na mensagem de convocação: "Fazer o certo pela causa da retidão é ateísmo. Crentes deveriam fazer o que é certo pela causa de Deus; porque a Bíblia nos ensina a fazer tudo para a glória de Deus (1 Coríntios 10:31). Mas Deus não é glorificado se nós O deixamos fora da questão e dizemos que fazer a obra certa é sua própria justificação. Nada justifica a si mesmo se Deus é deixado de lado.

Crentes deveriam fazer o que Deus diz que é certo porque, ao fazer isso, nós apreciamos mais a Deus. Jesus estava nos motivando a ser generosos aos outros quando Ele disse: "Mais bem-aventurado é dar que receber" (Atos 20:35). Estou simplesmente dizendo que essa benção motivadora prometida não é principalmente mais dinheiro, mas mais de Deus. Deus gosta mais de revelar mais de si mesmo ao generoso do que ao mesquinho (João 14:23).

Esse motivo glorifica a Deus. Deus é glorificado quando Ele é desejado como um tesouro. Se nós queremos uma comunhão mais profunda com Ele porque Ele nos faz mais felizes do que qualquer pessoa, nós O glorificamos. Então, estar motivado a fazer o certo pelo desejo de mais de Deus, glorifica a Deus.

COMO JESUS MOTIVA

Jesus disse que quando nós somos difamados enquanto crentes, devemos nos regozijar (Mateus 5:12) e amar os nossos inimigos (Mateus 5:44) "porque é grande o vosso galardão nos céus" (Mateus 5:12), e "para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste" (Mateus 5:45). A motivação a qual ele apela é que o caminho do amor sacrificial leva a um aumento de alegria no nosso relacionamento com Deus enquanto Pai.

Jesus nos motiva a "convida(r) os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos" para nosso banquete" pelo fato de não terem eles com que recompensar [a nós]". E adiciona: "a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos." (Lucas 14:13-14). Em outras palavras: seja generoso; faça sacrifícios nesse mundo; porque grande é a sua recompensa no céu.

A recompensa, é claro, inclui tudo na herança de Deus. Você será um "herdeiro do mundo" (Romanos 4:13). "Porque tudo é vosso" (1 Coríntios 3:21). Os mansos "herdarão a terra" (Mateus 5:5). Sim, a recompensa inclui coisas terrenas. Mas naquele dia não haverá o perigo da idolatria. A terra, os céus e todas as coisas declararão a glória de Deus, e a essência da nossa alegria nelas será a alegria Nele. O que faz nossa recompensa verdadeiramente excelente é a plenitude maravilhosa da nossa comunhão com Deus. "Tu me farás ver os caminhos da vida; na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente." (Salmos 16:11).

Essa "plenitude" e esse "perpetuamente" estão por trás da motivação dos crentes da igreja primitiva quando eles faziam o certo e sofriam. Eles visitavam amigos crentes na prisão porque eles viam a recompensa. "Porque não somente vos compadecestes dos encarcerados, como também aceitastes com alegria o espólio dos vossos bens, tendo ciência de possuirdes vós mesmos patrimônio superior e durável." (Hebreus 10:34). Eles se regozijavam na prisão porque sua recompensa era grande no céu. É disto que eles ganhavam coragem para arriscar suas vidas: "tem grande galardão." (Hebreus 10:35).

Então, eu respondo novamente: "Fazer uma boa obra a outros sem vislumbrar uma recompensa" é antibíblico e ateísta. Isto desonra a Deus. Ele oferece mais alegria na sua comunhão àqueles que fazem o certo "pela Sua Causa" do que "pela causa da retidão". Se não abraçarmos a oferta da Sua Recompensa, nós O desprezamos. Mas se abraçarmos a oferta, mostramos que Ele É O Nosso Tesouro supremamente desejado — acima de todas as recompensas de fazer o que é errado.

NOSSA ALEGRIA EM AMAR OS OUTROS

Finalmente, eu disse como resposta à ótima pergunta do estudante: "Não apenas tentar fazer o bem pela causa da retidão desonra a Deus, mas também não mostra amor aos outros. Pessoas não experimentam isto como amor." Mas por que elas experimentariam o nosso bem como amor se estivéssemos buscando a nossa grande alegria em Deus? Elas não estariam sendo apenas usadas?

Não. Porque parte da alegria maior que buscamos em Deus, fazendo o bem a elas, é a inclusão delas na nossa alegria. Nossa alegria em Deus seria expandida pela alegria deles em Deus. Nós não os estamos usando para a nossa maior alegria. Nós os estamos trazendo para a grande alegria e desejando que eles sejam parte disso.

Mas fazer o certo pela causa da retidão não tem esse efeito. Suponha que eu vá visitar Ethel no hospital, uma senhora idosa que teve um ataque cardíaco. Eu estendo a minha mão no seu braço frágil, ela abre os olhos e diz: "Oh pastor, você não precisava vir". Suponha que eu responda: "Eu sei, mas era meu dever vir. Isso era a coisa certa a fazer por si mesma. Portanto, eu vim." Esta resposta não faz Ethel se sentir amada.

Mas suponha que eu diga: "Eu sei, mas sempre me faz mais feliz em Deus, Ethel, trazer um pouco de encorajamento para você e lembrá-la das promessas do Senhor." Ethel nunca diria: "Você é tão egoísta. Tudo o que você pensa é o que faz você ficar feliz." Ela não sentiria isso, embora eu tenha dito: "Sempre me faz mais feliz...". E a razão pela qual ela não o sentiria é porque minha busca de mais alegria em Deus ao fazer o bem a ela, e querer que ela faça parte disso, é o que amor genuíno é.


Que Deus nos proteja da noção ateísta de fazer o bem pela causa da retidão. E que ele nos transforme nesse tipo de adoradores esquisitos e maravilhosos que negam a si mesmos os "prazeres transitórios do pecado" e "preferem ser maltratados junto com o povo de Deus", porque nós "contemplamos o galardão" (Hebreus 11:25-26).

***

Fonte: Desiring God

16 de dez. de 2015

Maravilhosa Graça

Por Luciana Barbosa

E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.”

Colossenses 2:13-15

Escutando o sermão do pastor na igreja nesse texto de Paulo aos colossenses, num domingo à noite, me senti mais uma vez constrangida por essa tamanha e maravilhosa graça que me alcançou. Glória a Deus! Tantas vezes falamos da graça de Deus, agradecemos por ela, mas será que temos a real noção e entendimento do que seja a graça de fato? Sabemos qual a sua devida importância para nossa salvação? Podemos começar vendo o conceito de graça e sua extensão em nossas vidas.

30 de jan. de 2015

Rivais de Jesus

Por Francis Schaeffer

Tendo enfatizado que Jesus precisa ser o centro de nossa vida, quero mencionar quatro outras coisas que devemos cuidar de não pôr lá. A primeira é qualquer estado totalitário ou qualquer igreja totalitária. Se eu tenho a perspectiva que os discípulos foram instruídos a ter no Monte da Transfiguração – “este é meu filho amado...a ele ouvi” – então não há lugar nenhum para qualquer coisa totalitária! Nem uma igreja que se impõe entre o indivíduo e Deus, nem um estado que exige lealdade primária tem tal direito. Há um lugar legítimo tanto para o estado como para a igreja, mas não no centro. O centro precisa ser uma Pessoa.

Estados totalitários, autoritários, não estão longe de nós. Sentimos seu hálito em nossas nucas, a cada volta – não só em países comunistas, como também em elites modernas do mundo ocidental. O cristão sempre deve dizer: “Quero que o estado e a sociedade tenham o seu lugar apropriado. Mas se tentarem chegar ao centro da minha vida, sou contra, porque só Jesus deve estar lá”.

Esse perigo é mais sutil num cenário religioso, e especialmente em um cenário evangélico, quando manifestado na forma de uma liderança humana totalitária, autoritária. E porque isso também costuma fazer pressão sobre nós, devemos ter cuidado constantemente. Deve haver liderança humana na igreja, sob a liderança do Espírito Santo, mas é errado aos homens, mesmo os homens bons, assumirem para si o centro. A mentalidade de Paulo, como vimos, não era essa. Nem a de João Batista. Só o Deus triúno pode ser central. O perigo não precisa vir de um Hitler ou Stalin. Pode vir de um cristão que se empolga tanto com a mecânica da liderança que, inconscientemente ou não, põe-se no lugar onde só Deus deve estar.

Se vivêssemos num estado totalitário, estaríamos bem apercebidos disso. E mesmo numa igreja, uma liderança totalitária, autoritária, provavelmente nos faz sentir desconfortáveis, como um casaco muito apertado. Mais difícil de detectar, porém, é uma fase do trabalho cristão se tornar central em vez de Cristo e a Trindade serem centrais. Quando o trabalho cristão se torna o centro de integração, isso também é errado.

É curioso que nós podemos fazer coisas em nome de Cristo ao mesmo tempo que o empurramos para fora do palco. Consigo ver isso mais claramente quando uma igreja se empolga com um projeto de construção e move o céu e a terra para completá-lo. Uma cobertura sobre nossa cabeça é necessária, mas isso é só uma parte mínima do ministério da igreja. O edifício é apenas um instrumento.

Lutar pela evangelização e salvação de almas também não se deve tomar a importância primária; mas quantas vezes isso acontece! Outras pessoas, com razão, veem a igreja ameaçada por apostasia, mas também passaram a fazer a pureza da igreja visível o centro de sua vida. Em todos estes casos Jesus pode permanecer como tópico de conversa, mas sua centralidade verdadeira foi esquecida. Em nome de Cristo, Cristo é tirado do trono. Quando isso ocorre, mesmo o que é certo fica errado.

Mas sutil ainda é tornar certas doutrinas o ponto central. Por exemplo, podemos calcular: Eu sou presbiteriano, por isso vou dar ênfase acima de tudo à doutrina da predestinação. Sim, a soberania de Deus deve ser ensinada, mas alguns de meus amigos o enfatizaram tanto que a doutrina, e não Deus, tem se tornado o centro de seu ministério. Isso pode acontecer com outras doutrinas. Certamente você já conheceu pessoas que tanto enfatizaram o tipo de batismo que uma pessoa deve ter que isso se tornou o centro da conversação, o centro da batalha, realmente o centro da perspectiva. Logo que fazemos isso com qualquer doutrina, é como um pneu furado que faz o carro inteiro dar solavancos.

Na realidade só há um centro, não só como doutrina, mas na prática – Cristo e a Trindade. O que o Deus ´que está i tem a dizer sobre si próprio? logo que respondemos a essa pergunta e vivemos na base da resposta, tudo se encaixa no lugar, como um guarda-roupa belamente organizado ou uma linda seleção de música de Bach, em que cada voz tem seu lugar.
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Extraído do livro "Não há gente sem importância". p.159. 

12 de dez. de 2014

A ordem dos fatores altera o produto

Por Thiago Azevedo

É com esta afirmação “matemática”, diferente da tradicional que alega que a ordem dos fatores não altera o produto, que pretende-se demonstrar que nem sempre a alteração da ordem dos fatores mantém o produto intacto. Talvez, matematicamente falando, a veracidade desta alegação possa ser considerada, mas isso não se torna uma verdade universal quando aplicada a outros ramos do saber. Citaremos a teologia como exemplo.

Houve um tempo em que a pregação da palavra de Deus se tratava de algo sério, a saber, em um período em que pregadores de renome se destacaram como sendo grandes referências na arte da pregação da sagrada escritura. Estes não se envaideciam com o status de pregador de renome, muito pelo contrário. Nomes como Jonathan Edwards, George Whitefield, Charles Spurgeon, dentre outros, sempre mantiveram uma postura humilde sem colocar os holofotes direcionados a si mesmos. Na certa, estes homens tinham em mente o legado de outros que lhe antecederam, tais como, Jan Huss, John Wycliffe, João Calvino, etc. Estes, com certeza, lembravam-se de outros expoentes da fé cristã que também lhes antecederam como, por exemplo, Pedro Valdo, Arnaldo de Brescia e assim sucessivamente até meados do primeiro século da era cristã. Estes homens citados em seus respectivos tempos padeceram em prol da causa do evangelho e deram suas respectivas vidas na causa cristã, com isso, criaram um ambiente propício para que outros viessem a desfrutar de uma fé robusta e madura. Esta é a mesma lógica que se vê nas páginas da bíblia, a saber, pessoas que conhecem um passado construído com luta e amor à causa divina e que externam um desejo perene de manter uma honra a tal passado. Um bom exemplo disso é o texto de Hebreus 11 conhecido como a galeria da fé em que o autor relembra um passado mais que glorioso naquilo que pode ser visto como o combustível do cristianismo, ou seja: a fé.

Os primeiros nomes de pregadores mencionados neste texto entendiam que para aquele presente está acontecendo foi necessário um rastro de sofrimentos e derramamento de sangue incalculável, neste ambiente em destaque, nos parece que a profecia tertuliana de que o sangue dos mártires era como semente em terra fértil se cumpriu. Logo, parece-nos que não se faz mais pregadores como antigamente, na atualidade há uma preocupação com tudo, menos com a relevância da mensagem bíblica. A pregação pode ser vista como o elo mais estreito entre Deus e os homens, pois é por meio desta que a obra de Deus é anunciada. Assim, é mais que notório a percepção da inversão da ordem de alguns fatores que comprometem os produtos. Ou seja, a negligência na prática da pregação da palavra de Deus e das responsabilidades que a cerca é tida como a consequência mais grave nas inversões dos papeis e resultado final.

Sabemos que uma gama de pregadores surgiram no vácuo dos verdadeiros anunciadores do evangelho, em todas as épocas houve este comportamento, homens que queriam nada mais nada menos que ser notados no vácuo destes que são verdadeiros ministros do evangelho. O que dizer de Paulo confrontando os falsos apóstolos em 2 Co 12? Conta-se que Spurgeon na sua época também passou por isso. Um dos que se opuseram ao mesmo foi Dwight Moody. Conta-se que Spurgeon mostrou-lhe os princípios de se fazer tudo para a glória de Deus conforme 1 Co 10:31 em uma espécie de debate em que o mesmo criticava Spurgeon por algumas atitudes. Em outra ocasião, conta-se que um grupo de jovens visitou duas igrejas no mesmo dia, a saber, a Tabernáculo Batista Metropolitano – igreja de Spurgeon – e a igreja de Joseph Packer, outro grande pregador da época. Os comentários dos grupos em questão foram os seguintes: “Que pregador maravilhoso, que eloquência!” isso acerca de Packer. “Que Deus maravilhoso é esse anunciado por este pregador!” Isso acerca de Spurgeon (VARGENS 2013 p. 90).

A glória de Deus deve ser vista necessariamente na mensagem do indivíduo e na vida deste, se houver uma inversão na ordem destes fatores o produto se altera. Em outra ocasião conta-se também que Spurgeon testando o som do microfone do local que ia pregar repetiu a seguinte passagem bíblica: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”, alguns operários que ali estavam trabalhando vieram chorando aos soluços e aceitaram o evangelho. Este sentimento, o de pranto e choro, era uma marca ao cabo dos sermões do chamado “príncipe dos pregadores”. Isto sem falar nas conversões em massa e sempre marcadas pelo desespero de indivíduos que reconheciam seus respectivos estados pecaminosos. Tudo isso nada mais era que resultados de uma mensagem bíblica cristocêntrica e eficaz. Spurgeon demorava, mais ou menos, entre 40 minutos à uma hora ministrando. Segundo dados biográficos, o maior auditório em que pregou continha, exatamente, 23.654 pessoas: este imenso público lotou o The Crystal Palace, de Londres, no dia 7 de outubro de 1857, para ouvi-lo pregar por mais de duas horas.[1]

Até o tempo que se passa ouvindo sermões na atualidade pode ser tido como uma inversão de fatores que altera em muito o produto ou resultado final. Muitos não conseguem mais ministrar mais que meia hora, isso quando se alcança esta marca. Esta situação, por muito, se dá por duas razões, a saber, a exigência dos próprios fiéis que não suportam mais de meia hora de ministração e também pela ausência de preparo de quem ministra. Uma das maiores dificuldades de algumas igrejas quanto ao tempo da ministração se dá por conta da acachapante quantidade de ministérios que a mesma possui, com isso há uma negligência à ministração da palavra em prol de uma tentativa de agrado aos ministérios diversos. Em certa ocasião fora dado a certo pastor convidado para ministrar em certa igreja apenas cinco minutos para expor uma mensagem. Tudo isso se deu por conta de um ministério específico naquela data está completando idade nova. Logo, se pode concluir que os aniversários ministeriais em algumas igrejas são mais importantes que as escrituras sagradas e tudo que nela contém. Estas inversões na ordem dos fatores resultam na alteração de diversos produtos.

A inversão dos sentimentos demonstrados no momento exato da mensagem da palavra de Deus na atualidade deixa mais que notório que há uma alteração na ordem dos fatores. Na atualidade as pessoas ao ouvirem certos pastores pregando apenas riem, riem de se estourar. Não é para menos, pois a moda de rir ao ouvir mensagens ditas cristãs já se tornou até em uma unção, a saber, a funesta “unção do riso”. Nesta, as pessoas riem, riem, riem, até desmaiar. Outra moda nova é alguns pastores ao pregar mudarem a tonalidade de suas vozes, ou seja, tentam imitar uma criancinha falando ou tentam imitar aquele líder mais famoso de seu ministério. A moda do stand up comedy chegou aos púlpitos. A ênfase é no riso, na brincadeira e na palhaçada em cima do púlpito. Tudo isso se dá por meio da alteração na ordem dos fatores que resulta em um produto alterado – povo se deleitando em sucessivas risadas ao invés de contrição –, além do desprezo e do compromisso às escrituras em troca da ênfase hedonista que permeia o ambiente cristão brasileiro.  Importante que se diga que rir e ser feliz são mais que importantes, não defendemos uma vida sem risos e gargalhadas, muito pelo contrário, mas o púlpito não é lugar para isso. Na atualidade um bom pastor ou líder é medido pelo “risômetro” do povo e não por seu conhecimento bíblico ao mostrar o plano de Deus por meio da pregação. Isso altera ou não a ordem dos fatores? Esta alteração na ordem dos fatores também altera o produto. Além dos sentimentos externados pelas pessoas ao ser ministradas na atualidade diferirem daqueles que as pessoas externavam quando Spurgeon, Edwards e outros  ministravam. Existem outros pontos notórios de uma mudança na ordem dos fatores: antes se enfatizava uma vida de caráter ilibado, na atualidade não, antes se dedicava horas a fio numa verdadeira busca espiritual que resultaria no preparo de sermões, na atualidade não.

Há relatos de pregadores que passavam mais de 12 horas orando antes de ministrar um sermão, mas na atualidade não há este comportamento. Sabe-se que este foi o ambiente que permeou os maiores e verdadeiros avivamentos de Deus na história da igreja, com isso se pode alegar que não há avivamento sem ênfase nas escrituras. Na atualidade é justamente o oposto, os ditos ministros do evangelho realizam seus avivamentos sem se quer respaldo bíblico ou ênfase nas escrituras. Ainda bem que estes avivamentos são dos próprios supostos ministros e não de Deus.  Os supostos ministros do evangelho preparam seus sermões minutos antes de subirem no púlpito, outros nem isso, basta uma acessada na net ou uma colinha no rodapé de suas grossas bíblias de estudos. Quanto a isso existe uma anedota que vem a calhar: Em certa cidadezinha de interior havia uma igreja reformada e muito apegada aos preceitos das escrituras sagradas. O pastor morava há alguns quilômetros da referida igreja. Os irmãos já haviam conversado sobre a queda no desempenho do pastor nos sermões ministrados. Logo, os irmãos interrogaram o referido reverendo e o mesmo prontamente alegou que estava preparando os sermões no caminho entre sua casa e a igreja. Aquele grupo de irmãos, por gostar muito do pastor, encontrou a solução de imediato. Compraram uma casa na cidade vizinha para o pastor. Moral da história: haveria, portanto, uma distancia maior a ser percorrida no caminho entre a casa do pastor e a igreja. Logo, o sermão teria mais tempo para ser preparado. Essa história alude à situação atual do evangelho brasileiro, ou seja, uma mudança na ordem dos fatores em que a fé cristã se consolidou. Um maior tempo na preparação dos sermões com ênfase no lado espiritual sendo abandonado por preparação de sermões do tipo caldo de cana – saindo na hora. Não tem como o produto se manter intacto numa inversão de ordem dessas.

Conclui-se, atestando que dentro deste esquema apresentado acerca do panorama dos sentimentos externados na hora da pregação da palavra de Deus, tanto por quem prega como por quem recebe a pregação, como também nos interesses e objetivos envolvidos no ambiente da pregação da palavra de Deus na atualidade, como também o tempo de preparação destes sermões etc., que há de fato uma alteração na ordem dos fatores que desemboca numa modificação do produto em si. Ou seja, antes o produto era pessoas quebrantadas, arrependidas, desesperadas por ter a real noção de suas respectivas situações pecaminosas, ministros de Deus conseguiam mostrar-lhes suas verdadeiras e respectivas realidades e seus estados pecaminosos. Isso desembocava em choro, pranto e desespero. Estas pessoas alcançadas por uma mensagem do evangelho pura e simples refletiam sobre seus estados, era um sentimento semelhante ao de Moises em Êxodo 33:3 quando Deus lhe revela que não acompanharia o povo na caminhada – isso é motivo para se desesperar.

Na atualidade o produto é afastamento de Deus, perca da noção do real estado pecaminoso, rebeldia, idolatria promiscuidade etc., etc., e, em meio a isso, há risos, alegria demasiada e felicidade em excesso. Isso porque os animadores de plateia que sobem aos púlpitos, e que muitos intitulam de pastores ou ministros os proporcionam. Estes estão se ramificando cada vez mais na pregação do evangelho, alguns se especializam em temas específicos: Família, jovens, casais, finanças etc. Em suma, trata-se de uma alteração na ordem dos fatores que altera e muito o produto – resultado – e a verdade desta conta, desta operação numérica pervertida onde os fatores foram tirados de ordem, não só poderão ser vistos na vida presente, mas também na vida eterna. Esperamos que muitos, como bons matemáticos, possam identificar a alteração dos fatores e o comprometimento dos resultados enquanto há tempo.
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[1] Disponível em <http://www.projetospurgeon.com.br/quem-foi-spurgeon/quem-foi-charles-haddon-spurgeon/> Acessado em 07 de Dez. 2014.  

10 de dez. de 2014

Vale tudo para pregar o Evangelho?

Por Richardson Gomes

Nesse final de semana, li um pequeno texto de uma antiga edição de revista da Juerp, de um autor que não me lembro o nome, onde ele cita uma pesquisa que foi feita em várias igrejas com a pergunta "Qual a principal missão da Igreja?" A resposta foi quase sempre a mesma: "Evangelizar". E provavelmente esta também foi sua resposta. Diante de tantas estratégias para se conseguir um número maior de pessoas, onde muitos têm promovido festas, baladas, bares, curas, milagres, prosperidades e acham que "tá tudo certo com Deus" se colocarem o nome "gospel" no final da frase, uma reflexão deve ser feita: A principal missão da Igreja é GLORIFICAR A DEUS, inclusive quando se prega a Sua Palavra.

Hoje, os jovens não se contentam mais com a Palavra de Deus, não estão mais satisfeitos com ela. Querem algo a mais. E aí, vêm esses que querem atrair o povo fazendo todo tipo de coisa pra chamar a atenção dos jovens. Se vestem de Chapolin, fazem encenações, põem jogos de luz, fumaça, artistas e pronto, o show está feito. Estão deixando de lado o que é certo pra fazer o que dá certo. O que falta hoje é amor à Glória de Deus. O que estão fazendo é simplesmente um circo para entreter toda essa criançada.

Contudo, ainda insistem no erro de que "muitos estão sendo transformados". E esse é o grande problema. Resultados nunca foram e nunca serão prova que ministério A ou B é fiel ao Senhor. Testemunhos, mudanças de vida, milagres e até vidas salvas não garantem que uma pessoa é correta. Garantem que Deus é misericordioso e soberano para usar quem quer que seja para cumprir seus planos eternos.

Pense comigo num violão e num instrumentista. Ainda que o violão seja perfeito, não haverá música boa se o instrumentista não souber tocar. Mas todos nós sabemos o que um exímio instrumentista pode fazer com qualquer violão. Não há glória para o instrumento. A diferença está na habilidade do instrumentista. Eis algumas passagens na Bíblia que nos ensinam que ser usado não significa ser fiel:

Nabucodonosor foi um homem perverso, mas Deus o chamou de “meu servo”: E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonosor, rei de babilônia, meu servo; e ainda até os animais do campo lhe dei, para que o sirvam. E todas as nações servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho, até que também venha o tempo da sua própria terra, quando muitas nações e grandes reis se servirão dele. (Jeremias 27:6-7)

Na parábola dos talentos, todos são chamados de servos. Tanto os bons e fiéis, como os maus e inúteis: Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. [...] Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. [...] Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? (Mateus 25: 14-15; 20-21; 24-26)

Até Satanás, quando Deus se irou contra Israel, foi usado por Ele para se levantar contra Seu povo. Até Satanás é servo de Deus.“Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá” (2Sm 24.1). “Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel” (1Cr 21.1).

Reflita no que o apóstolo Paulo diz, quando ele e Apolo são vítimas de idolatria por parte de alguns de seus seguidores: Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais? Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. (1 Coríntios 3:4-7)

Um ministério não é bom porque é usado por Deus, um ministério é usado por Deus porque Deus é bom. O problema é que quando as pessoas se prendem aos resultados para justificar seus ministérios, estão demonstrando que amam mais os resultados do que a Deus. Fidelidade é continuar temente a Deus, sem corromper-se, sem desviar-se do evangelho, sem deixar a centralidade de Cristo e a autoridade das Escrituras, mesmo que não haja nenhum resultado. Nem mesmo o apóstolo Paulo usou os resultados para defender-se. Pelo contrário, ele disse: “Pois, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação” (1 Co 9:16). Peço-lhe que reflita nisso, com temor e tremor, e antes de achar que uma pessoa está no caminho certo somente porque é usada por Deus, lembrem-se: Deus usou uma mula.

Se você sabe que tem ouro nas mãos, você entende que não precisa de nenhum enfeite para valorizá-lo. Preguemos somente as Escrituras. Nos voltemos somente para Cristo. Nos rendamos somente à Graça de Deus. Glorifiquemos somente à Deus. Esta é a nossa missão: Proclamar a Glória de Cristo. Enquanto você oferecer doces para que as pessoas venham a Cristo, elas serão apenas cheias de doces e vazias de Cristo. Que em meio à tanta falta de zelo por Deus, nós possamos nos revestir da Sua Palavra, para que não caiamos nos mesmos erros. Que Deus tenha misericórdia de nossas vidas e nos preserve até o fim.

Amém.

3 de dez. de 2014

Salvos para a Glória de Deus

Por John Piper

Eu me lembro de dar uma aula sobre Efésios 1 em janeiro de 1976 como professor visitante na Bethel College. Eu desenvolvi a aula sistematicamente ao longo dos primeiros catorze versículos de Efésios e minha mente novamente foi constantemente espantada. Isso porque três vezes nos versículos 6, 12 e 14 — Paulo diz que Deus nos escolheu em Jesus antes da fundação do mundo e nos predestinou para sermos seus filhos para o louvor da glória de sua graça.

Ele escolheu você. Por quê? Para que sua glória e graça possam ser louvadas e magnificadas. Sua salvação é glorificar a Deus. Sua eleição é glorificar a Deus. Sua regeneração é glorificar a Deus. Sua justificação é para a glória de Deus. Sua santificação é para a glória de Deus, e um dia, sua glorificação será um mergulho na glória de Deus.

Você foi criado para a glória de Deus. Isaías 43.6-7: “Trazei meus filhos de longe e minhas filhas, das extremidades da terra, os que criei para minha glória”.

Deus resgatou seu povo Israel do Egito para a sua glória. Salmo 106.7-8: “Nossos pais, no Egito, não atentaram às tuas maravilhas; foram rebeldes junto ao Mar Vermelho. Mas ele os salvou por amor do seu nome, para lhes fazer notório o seu poder”.

Em outras palavras, ele dividiu o Mar Vermelho e salvou seu povo rebelde para que ele fizesse notório o seu poder; e sua fama se espalhou até Jericó e salvou uma prostituta, de maneira que quando os israelitas chegaram lá e estavam prontos para soprar as trombetas, ela já tinha nascido de novo, pois ela disse: “Ouvimos o seu nome e o seu renome”, e uma mulher e sua família creram em um Deus teocêntrico e escaparam da destruição.

Deus teve misericórdia de Israel no deserto  para a sua glória. Deus poupou Israel no deserto diversas vezes. “A casa de Israel se rebelou contra mim no deserto”, disse Ezequiel citando Deus,“Então, eu disse que derramaria sobre eles o meu furor no deserto, para os consumir. O que fiz, porém, foi por amor do meu nome, para que não fosse profana do diante das nações” (20.13-14). Então, finalmente Deus os envia para o julgamento na Babilônia, e após 70 anos, a misericórdia começa a se aproximar deles. Ele não se divorciará da sua noiva da aliança, e ele os traz de volta, mas por quê?

Qual é o motivo enraizado no coração de Deus? Ouça a resposta de leaíae 48.9-11: “Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a exterminar. Eis que te acrisolei, mas disso não resultou prata; provei-te na fornalha da aflição. Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem”. Esse é um motivo teocêntrico para a misericórdia.

Jesus veio e morreu para a glória de Deus. Jesus veio ao mundo por qual razão? Ah, quantas vezes já citamos João 3.16, e isso é gloriosamente verdadeiro. Antes que esta mensagem termine, espero que você veja que tal ênfase (a glória de Deus) e a ênfase que você conhece há muito tempo (sua alegria) não estão em desacordo.

Mas por que Jesus veio? De acordo com Romanos 15.8-9, ele veio por esta razão: “Cristo foi constituído ministro da circuncisão, em prol da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos nossos pais; e para que os gentios glorifiquem a Deus por causa da sua misericórdia”. Jesus veio à terra, tornou se totalmente humano e morreu para que você desse glória ao seu Pai pela misericórdia. Ele veio por amor ao seu Pai. Essa é a razão principal de sua vinda: a glória do seu Pai, e sua glória alcança seu ápice no derramamento da misericórdia.

Ouça esta palavra de Romanos 3.25-26: Deus propôs a Cristo, no seu sangue, como propiciação para manifestar a justiça de Deus. Isso foi para provar, no tempo presente, que ele mesmo é justo. Foi por isso que ele morreu. Ele morreu para vindicar a justiça de Deus que havia deixado impunes pecados como os de Davi, o adultério e o assassinato.

Em algum momento você já se incomodou que Deus tenha deixado impune o adultério do Rei Davi, e Davi simplesmente continuou sendo rei? Bom, isso incomodou Paulo até às profundezas de seu ser, que Deus não seja justo e deixe pecados impunes. E não foi apenas Davi. Houve milhares de santos no Antigo Testamento (e hoje) cujos pecados Deus simplesmente esquece e ignora. E Paulo clamou: “Como tu podes ser Deus e fazer isso? Como tu podes ser justo e fazer isso? Como tu podes ser reto e fazer isso? Como tu podes ser digno de adoração e fazer isso? Se qualquer juiz aqui em Austin fizesse isso — se ele absolvesse um pedófilo, um estuprador ou um assas sino ele seria demovido imediatamente, e ainda assim Deus faz isso todos os dias. Então, podemos perguntar: “Que tipo de Deus é você?”.

A cruz é a solução para um mega problema teológico, a saber: Como Deus pode ser Deus e perdoar pecados? Jesus veio para vindicar a Deus pela salvação de pessoas como você e eu. A salvação é uma coisa grandemente e gloriosamente teocêntrica.

Jesus retornará para receber glória. Por que ele voltará? Jesus está voltando, e deixe-me te dizer por que ele está voltando e o que você pode fazer quando ele voltar, para que você esteja pronto e o faça. 2 Tessalonicenses 1.8-10: “Os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus (…) sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando ele vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram, naquele dia”. Você consegue ver essas duas coisas? Ele está vindo para ser glorificado (magnificado) em seus santos e para ser admirado. Se você não começar isso agora, você não será capaz de fazê-lo quando ele voltar.
Esta conferência existe para acender um fogo em seus ossos e para iniciar um incêndio em suas mentes e em seus corações, a fim de prepará-los para encontrar o Rei Jesus, de maneira que vocês continuem por toda a eternidade fazendo o que ele criou vocês para fazerem; a saber, admirá-lo e magnificá-lo.

3 de nov. de 2014

Sou filho de Deus e irmão de Jesus, será que sou fraco?

Por Morgana Mendonça dos Santos

Quando estou dirigindo sempre me deparo com adesivos desse tipo estampados em carros. O engraçado é que a parte mais evidente - em letras maiúsculas - são essas: "SERÁ QUE SOU FRACO?" (exatamente assim). Não parece ser tão importante o fato de ser filho de Deus e irmão de Jesus. O que vemos nessa frase é mais uma vez a super valorização do homem acima de Deus e Sua obra.

Quando me refiro ao adesivo, crítico a forma como fica deturpado o ensino bíblico nesses movimentos "gospeis". A antropologia precisa ser analisada pelo crivo das Escrituras, e diante desse padrão nem todos são filhos de Deus e nem irmãos de Jesus, portanto o adesivo é de fato questionável. No entanto, meu objetivo está na ênfase dada ao que somos, quando somos filhos de Deus e irmãos de Jesus. A intenção do autor (desconhecido) nessa frase seria afirmar que somos "fortes", ou seja, se sou "isso" e "aquilo" sou o "cara". A ideia egocêntrica continua, por exemplo: "meu valor é outro", "meu nível é outro", "eu sou o bom".

Essa frase adesivada em vários carros, de cristãos e não cristãos, têm muito a dizer em relação ao que entendemos sobre o que somos antes e depois de Cristo. A doutrina da depravação total nos ensina e nos humilha perante o Criador, quando de fato conhecemos quem somos entendemos quem Deus é. Quando conhecemos quem somos compreendemos a obra de Cristo. Antes da regeneração somos conforme diz Romanos 3:

"como está escrito: Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." Romanos 3.10-12.

Como todos podem ser filhos de Deus e irmãos de Jesus? Está claro que não há ninguém que busque a Deus, ninguém que faça o bem, a situação é de extravio e inutilidade, não de filiação e irmandade. Sem a obra da regeneração somos como Paulo continua a dizer, pecadores e distantes completamente de Deus!

"Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" Romanos 3.23.

Logo, nem todos são filhos de Deus e irmãos de Jesus, a razão é pelo fato de que isso não depende de nós, não é por obras e sim pela graça mediante a fé, que é dom de Deus. Paulo escrevendo para a igreja em Éfeso diz:

"Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.Efésios 2.1-3. 

Aqui o sujeito que muda a situação de morte do homem é Deus (Ele). Nossa condição de morte impede qualquer atitude de ser alguma coisa sem que Cristo nos vivifique. Éramos por natureza filhos de Deus? Não! O texto diz: "filhos da ira". Aqui o texto diz que a nossa vida era "segundo o curso deste mundo", "segundo o príncipe das potestades do ar". Não segundo Deus, nem Cristo. Portanto, sem Cristo você e eu estamos mortos, sem vida, condenados a ira de Deus. (João 3.36) No entanto, pela graça de Deus mediante a fé, Deus nos vivifica, nos tornando membros de sua família.

"Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus". Efésios 2.19. 

Nos Evangelhos observamos um momento da vida de Cristo que Ele declara algo sobre ser membro da família de Deus. A questão é que somente a obra de Deus nos impeli a obediência da Sua palavra.

"Vieram, então, ter com ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproximar-se dele por causa da multidão. Foi-lhe dito: Tua mãe e teus irmãos estão lá fora, e querem ver-te. Ele, porém, lhes respondeu: Minha mãe e meus irmãos são estes que ouvem a palavra de Deus e a observam." Lucas 8.19-21.

Deus nos reconcilia com Ele, em Cristo nossa situação não é mais a mesma, passamos da morte para a vida, fomos justificados por Cristo na Sua morte, selados por Ele e redimidos.

"A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis". Colossenses 1.21-22.

A grande questão desse adesivo é que se Deus nos escolheu para adoção, nos chamou como filhos amados, em obediência a palavra somos membros do seu corpo, sua família e seu povo, o que deveríamos declarar era: "Sou filho de Deus e irmão de Jesus, será que eu mereço?" Porque de fato, a questão não é "se sou fraco" no sentido "sou o cara", mas a verdadeira ênfase é no que Deus é e o que Ele faz.

Calvino, nas Institutas, no capítulo I.2 declara que o conhecimento de Deus nos conduz ao conhecimento de nós mesmo e vice-versa:

"Por outro lado, é notório que o homem jamais chega ao puro conhecimento de si mesmo até que haja antes contemplado a face de Deus, e da visão dele desça a examinar-se a si próprio. Ora, sendo-nos o orgulho a todos ingênito, sempre a nós mesmos nos parecemos justos, e íntegros, e sábios, e santos, a menos que, em virtude de provas evidentes, sejamos convencidos de nossa injustiça, indignidade, insipiência e depravação. Não somos, porém, assim convencidos, se atentamos apenas para nós mesmos e não também para o Senhor, que é o único parâmetro pelo qual se deve aferir este juízo. Pois, uma vez que somos todos por natureza propensos à hipocrisia, por isso qualquer vã aparência de justiça nos satisfaz amplamente em lugar da real justiça. E porque dentro de nós ou a nosso derredor nada se vê que não seja contaminado de crassa impureza, por todo tempo que confinamos nossa mente aos limites da depravação humana, aquilo que é um pouco menos torpe a nós nos sorri como coisa da mais refinada pureza. Exatamente como se dá com um olho diante do qual nada se põe de outras cores senão o preto: julga-se alvíssimo o que, entretanto, é de brancura um tanto esfumada, ou até mesmo tisnado de certa tonalidade fosca".

Em suma, devemos conhecer a Deus e seremos confrontados com quem realmente nós somos, agradecidos por não merecer tal filiação e menos ensoberbecidos de nos considerar acima Dele ou de alguém, não somos merecedores, no entanto Ele nos escolheu. Por isso, devemos ser santos e irrepreensíveis, pois, somos membros de Sua família!

A Deus toda glória, Rm 11.36.

25 de out. de 2014

O princípio da ruína espiritual


Por Fernando Carvalho

Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória, por amor de vossa misericórdia e fidelidade. Salmos 115:1

O Salmo acima fala que somente a pessoa de Deus seja dada a glória e não ao homem. Em seguida explica-se isso ao dizer que Deus é misericordioso e fiel. Mesmo portando tamanha glória nosso Deus jamais se corrompe com esse poder infinito a ponto de negligenciar sua misericórdia e fidelidade. O homem não foi criado para portar tal ou parecida glória, por que essa não foi à finalidade da sua existência.

A confissão de fé de Westminster nos dá um parâmetro a respeito da grandiosidade da pessoa de DEUS:

Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível, - onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo para a sua própria glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável. É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro remunerador dos que o buscam e, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo o pecado; de modo algum terá por inocente o culpado.

A respeito do HOMEM o breve Catecismo nos diz:

Qual é o fim principal do homem?

O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.
Referências: Rm 11.36; 1Co 10.31; Sl 73.25-26; Is 43.7; Rm 14.7-8; Ef 1.5-6; Is 60.21; 61.3.

Sendo assim, o homem está condicionado pelo criador a glorificar e não ser glorificado e quando o mesmo busca tal glória se corrompe. Mas, o que vemos hoje no mundo é o ser humano incansavelmente buscando glória para si, sendo direcionadores das suas escolhas, reféns da própria alma, estando entregues a si mesmos. Continuam dando seguimento ao reflexo da queda no Eden (Gn 3), envolvidos em soberba, imoralidade aprovando tudo o que desagrada ao Criador.

Minha preocupação é quando esse tipo de pensamento passa a pairar na mente de pessoas que estão dentro das nossas igrejas e adotam um comportamento que contradizem as escrituras, com o pretexto de estar fazendo tudo isso para agradar a Deus. São verdadeiros figurantes de uma lamentável crença, arrastando a outros que são seduzidos pelo status da glória corruptível levando a ruína espiritual.

Quando se acham donos do próprio destino não querem depender mais de ninguém, não adoram a mais ninguém a não ser os seus próprios delírios espirituais que passam a existir em suas mentes, abandonando a fé comum e ilustrando um caminho que leva a perdição. Inclusive se ganha dinheiro com o nome de Deus! Não falo só dos pastores que se tornam ricos com as ofertas dos fiéis, mas de pessoas que usam o nome de Deus em grifes, músicas, utensílios de vários tipos e seguimentos, para buscarem uma glória própria, difamando o caminho do Senhor.

A essas alturas tais indivíduos já se encontram numa ruina espiritual, totalmente cegos as realidades do Reino, negligenciando o verdadeiro chamado que é anunciar o evangelho para glória de Deus. Denominam o nome dessas ações como MINISTÉRIO e buscam agradar os homens e não a Deus.

Fuja desse comportamento todo aquele que diz amar a Jesus Cristo, pois Ele mesmo, Senhor dos céus e da terra, humilhou-se em obediência e para dar glória ao Deus Pai e para também ser o nosso resgate. Aqueles que não portam esse tipo de consciência não são de Cristo, mas ainda vivem as paixões da alma encapadas com um selo GOSPEL enganando a si mesmos e a outros que tem a mesma pré-disposição em buscar a própria exaltação.

Neste mundo os convertidos experimentaram mais perdas do que ganhos, mais fracassos do que exaltação, mais lagrima do que risos. Porem conhecerão a alegria e a paz de Deus habitando em seus corações trazendo infinitas consolações para uma grande recompensa! Sim uma grande recompensa no último dia, Cristo revelado em nós. Aleluia.