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12 de set. de 2016

Jonathan Edwards via a justiça econômica como uma preocupação do Evangelho

Por Greg Forster

Jonathan Edwards fez da justiça econômica uma preocupação vital no seu ministério pastoral, porque ele viu que isso era necessário para a proclamação do evangelho da salvação em Cristo. A historiografia tende a negligenciar esse aspecto de sua história. Mas em momentos críticos da carreira pastoral de Edwards, as preocupações com a justiça económica desempenharam um papel fundamental no seu ministério - motivado pelo seu desejo de proclamação fiel e fecunda do Evangelho.

Hoje, mesmo aqueles que afirmam a necessidade de ambos: a proclamação do evangelho e preocupação com a justiça, muitas vezes os veem como prioridades concorrentes. Mais atenção para um deve significar menos atenção ao outro, certo?

Nós nos beneficiaríamos ao nos depararmos com a confiança de Edwards de que estes dois imperativos não podem ser separados, e com sua coragem em viver essa conexão de forma onerosa.

Justiça Econômica e Avivamento

Embora avivamento tenha sido uma das principais preocupações de Edwards, alguns momentos podem começar a rivalizar em importância com o avivamento conhecido como o Grande Despertar. A comunidade de Edwards em Massachusetts era parte de um fenômeno religioso internacional. Seus sermões, atiçavam o fogo do reavivamento e seus livros que descreviam seu progresso estavam sendo lidos em ambos os lados do Atlântico.

No auge do Grande Despertar, Edwards fez um sermão sobre como ter "descobertas espirituais." É uma janela em suas prioridades pastorais. O que ele escolheu para se concentrar, em um momento tão crucial, como chave para alimentar e sustentar o avivamento? Quando seu povo está, finalmente, perguntando como ter descobertas espirituais, para onde ele apontou?

Ele apontou para a justiça econômica

"Ser muito mais em obras de caridade", ele prega, “é a maneira de ter descobertas espirituais." Edwards aplica a frase "obras de caridade" quase exclusivamente ao trabalho com os que são economicamente pobres. Ele cita como exemplos as moedas da viúva (Marcos 12: 42-43); a generosidade de Cornélio aos necessitados; A declaração de Paulo que, para aqueles que dão pouco, mesmo que eles dão testemunho mais a sua cobiça de generosidade ( 2 Cor. 9: 5 ); uma passagem de Isaías sobre a pobreza econômica (Is 58 7-11.) e a pobreza econômica do próprio Cristo.

Aqui, não é difícil ver a conexão com o evangelho: a justiça econômica promove as "descobertas espirituais" que impulsionam o avivamento evangélico. Ele enfatiza a união com Cristo e a santidade à base de graça, como sendo conexões entre a justiça econômica e o evangelho:

Se vamos ser gentis com Cristo e acolhê-lo bem, e quando ele estiver com fome, vamos alimentá-lo e quando estiver sedento, lhe daremos de beber, esse é o caminho a ser recompensado com grande parte de seu reino.

Ele vai ainda mais longe ao dizer em Mateus 9:13 que a caridade para com os pobres é "mais importante do que atitudes externas de culto"!

Edwards tem o cuidado de observar que não podemos adquirir união com Cristo ou perfeição moral através destas boas obras. Ele também observa que somente a regeneração pode ressuscitar nossos corações mortos para as verdadeiras boas obras. No entanto, ele ao mesmo tempo argumenta que as boas obras têm valor evangelístico. Elas são valiosas para os fiéis, por direito próprio, como o caminho para aumentar a piedade, e também para levar o evangelho ao infiel –individualmente e em comunidades.

Justiça Econômica e a Igreja

Outro tema central da carreira pastoral de Edwards foi à controvérsia sobre os limites da igreja. Edwards foi removido de seu posto em Northampton por insistir que todos os membros da igreja devem ser regenerados. Mas Edwards teve uma longa história de conflitos com os líderes em sua igreja, que data antes do grande despertar, e nesses conflitos, a santidade da igreja geralmente era a questão central.

Uma das disputas mais acentuadas entre Edwards e outros líderes da igreja em causa uma mudança na política dos bancos, quando um novo local de reunião foi construído em 1737. Por uma longa tradição que remonta à Idade Média, os bancos foram atribuídos aos paroquianos por ordem de classificação social. A ordem foi determinada por uma mistura antiga, serviço à comunidade e doações monetárias para a igreja. No novo edifício, o papel de doações monetárias foi muito maior em relação aos outros fatores.

Edwards estava lívido. Ele viu a nova política como uma idolatria flagrante pelo dinheiro. Ele lutou com unhas e dentes contra ela, e perdeu. No primeiro domingo na nova casa, o autor de "Pecadores nas Mãos de um Deus Irado" convocou seus poderes e pregou um sermão com fogo do inferno escaldante sobre a idolatria do dinheiro. E ele fez questão de mencionar a política dos bancos:

Alguns têm casas mais imponentes do que outros, e alguns têm cargos mais elevados do que outros, e alguns são mais ricos do que outros e têm lugares mais elevados na casa de reunião do que outros; mas todas as sepulturas estão em um nível. O apodrecimento, a putrefação de um corpo é tão abjeta como num outro; os vermes são tão ousados numa carcaça como na outra.

Os ricos do Northampton pagaram para se sentarem na primeira fila para a sua própria evisceração espiritual.

Edwards pregou este sermão cheio de vermes e cadáveres memoráveis ​​e tudo isso no dia de Natal. Quem entre nós seria corajoso o suficiente para tentar esse tipo de coisa agora?

O historiador Ronald Story argumenta que o conflito dos bancos deve ser visto como um momento crucial no ministério pastoral de Edwards, e uma admirável brecha para o conflito que acabaria por levá-lo a demissão. Foi uma demonstração clara e antiga de que a visão de Edwards do que a igreja deveria ser não se alinhava com aquela de muitas outras pessoas.

Justiça Econômica e Missões

Quando Edwards foi demitido da igreja, ele enfrentou uma das decisões mais importantes de sua vida. Na época do conflito sobre justiça econômica saiu para a missão de nativos americanos em Stockbridge, que Edwards havia apoiado a partir de Northampton durante anos. Edwards assumiu a missão de Stockbridge em grande parte porque ele queria mudar a forma como era executada, a fim de atender a população nativa mais justa e para promover o desenvolvimento econômico e a evangelização.

Na década de 1740 a missão Stockbridge professou lealdade ao evangelho e pretendia ensiná-lo, mas não tratou os povos nativos de forma congruente com ele. A população nativa local doou tanto a terra como o trabalho para a construção da missão. Em troca, o missionário Inglês prometeu que a missão iria servi-los. Mas a promessa não foi mantida; o missionário focou em servir a vizinha cidade de Englishtown, e tratou os postos de ensino nas escolas de missão como posições de patrocínio confortáveis.

Edwards mudou a residência missionária de volta para a comunidade nativa e trabalhou incansavelmente para defender um tratamento melhor. Mas ele teve que lutar com diversas autoridades para obter permissão para fazer alterações. O historiador Gerald McDermott escreve:

Edwards passou horas pacientemente escutando o inglês partido e a linguagem gestual de crianças indígenas e fazendo perguntas em língua nativa partida, para que ele pudesse relatar com precisão para os Comissários de Boston que seus estudiosos indianos não têm cobertores ou alimentos suficientes, que alguns meninos não tinham calças e muitos estavam indo irregularmente às reuniões, e que todos os meninos estavam sendo forçados a trabalhar seis dias por semana.

O primordial em seus apelos às autoridades, foi a credibilidade da missão entre aqueles que pretendia alcançar. A missão não pode enganar as pessoas e depois evangelizá-las. Os esforços de Edwards em nome dos pobres e marginalizados foram recompensados ​​com calúnias pessoais perversas.

Edwards também viu o desenvolvimento econômico como um imperativo do evangelho. A renovação dos nossos corações e vidas pelo Espírito Santo deve resultar em uma intensa preocupação com o aperfeiçoamento espiritual e físico da condições dos outros. A defesa de Edwards por melhores serviços para os nativos em Stockbridge não compartimentam o desejo de evangelizar e o desejo de ajudá-los a construir uma melhor vida econômica. Para ele, isso era todo amor do evangelho.

Perguntas que Assombram

Jonathan Edwards considerou uma parte central do trabalho de um pastor, por causa do evangelho, exortar as pessoas a obras de caridade, para confrontar a injustiça econômica, e promover o desenvolvimento econômico. É claro que sempre haverá tensões e escolhas difíceis. Mas temos a necessidade de um novo encontro com a potencial harmonia do evangelho e a justiça econômica no ministério pastoral.

Os evangélicos americanos hoje são tentados a se sentirem satisfeitos consigo mesmo quando olham para trás na igreja que despediu Edwards por insistir que todos os membros da igreja devem ser regenerados. Mas o que dizer de um pastor que insistiu que todos os membros da igreja devem ser generosos e justos? Quantos pastores hoje, se solicitados a explicar como as pessoas podem ter "descobertas espirituais", sequer mencionar o trabalho com os pobres e muito menos torná-lo o primeiro item na lista, como Edwards desavergonhadamente fez?

Tais questões devem nos assombrar. A dedicação de Edwards para manter o evangelho e a justiça econômica juntos, mesmo com um grande custo para si mesmo, expõe a qualidade superficial da dedicação ao evangelho e a justiça em muitas igrejas hoje.

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6 de abr. de 2016

Conversão Cristã e Marxismo

Por David F. Wells
O marxismo já foi considerado por alguns uma heresia cristã. Ele tem a forma da fé, mas o conteúdo do humanismo ateu. O marxismo tem fortes semelhanças com a fé cristã e divergências importantes. A teologia cristã concorda com a análise inicial de Marx, isto é, a avaliação da discrepância fundamental do ser humano entre ser e dever ser. Ele concorda com a percepção da necessidade da mudança moral básica e constante, como de constante consciência autocrítica. A fé cristã, baseada na Bíblia, lida com essa tarefa moral socialmente relevante; ela não consiste apenas em um sistema de cosmologia ou um conjunto peculiar de costumes étnicos. Na verdade, ela insiste na centralidade da mudança moral e não permite seu desaparecimento periódico em ondas alternadas de dogmatismo e pragmatismo.
Jesus, depois de alimentar as multidões, não permitiu que o considerassem apenas um fornecedor estimado de provisões materiais (Jo 6.15). O cristianismo, também, se importa que todos tenham as necessidades da vida providas. Mas também sustenta que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4) – versículo algumas vezes citado por líderes marxistas, embora apenas a primeira parte! Do ponto de vista cristão, viver consiste em realizar a vontade divina, não buscar o próprio bem-estar. O materialismo inato aplica um truque sujo no marxismo nesse ponto, por meio de uma meia-verdade que muitas vezes se apresenta como a plenitude do evangelho. Na verdade, precisamos de pão, mas não podemos nos contentar quando o temos. Meios materiais não resolvem problemas morais, certamente não quando os problemas são vistos sob o domínio do ego.
Além disso, a fé cristã concorda com Marx a respeito da necessidade de mudança na vida, no trabalho e nos relacionamentos entre os seres humanos (ou seja, na aplicação individual). Embora o cristianismo contemple a necessidade de mudanças nas instruções sociais e na legislação, enfatize o indivíduo principalmente, acima das alterações apenas nos métodos, estruturas, nas leis ou nos oficiais – e que os marxistas tantas vezes parecem propagar. O cristianismo é completamente cético em relação a esquemas globais de salvação social, esquemas que os seres humanos são notoriamente incapazes de pôr em prática.
Por fim, a teologia cristã concorda com Marx que essa mudança nos seres humanos deve ocorrer no sentido de que todos se importem com as outras pessoas e com a humanidade. Marx aqui está bastante certo ao identificar o enigma da alienação moral da humanidade: a falta de consideração para com o próximo. Não pode haver lugar no cristianismo para o cinismo que finge tentar estabelecer uma sociedade mais justa e fraterna. Os problemas morais envolvidos na manutenção da vida humana e na associação humana não desaparecem se forem ignorados, mas precisam de constante atenção, não menos no Ocidente que no Oriente. Como engendrar um comportamento socialmente responsável é de fato um problema de relevância imediata em países cuja cultura é dominada pela filosofia da “geração do eu”.
Em suma, a teologia cristã apoia o conceito da conversão concreta. No entanto, a fé bíblica também chama à conversão completa no sentido de a pessoa se voltar não apenas para o próximo, mas para Deus. Isso é fundamental quanto à motivação. A menos que Deus seja o objetivo e o penhor, não há razão para a manutenção de padrões morais absolutos. Quando Deus é ignorado, e as mudanças se baseiam apenas na autoridade humana, o relativismo moral é inevitável porque o poder da determinação moral é dado a indivíduos ou grupos seletos que facilmente confundem padrões morais com seus interesses. Mesmo no mais elevado dos casos, a desonestidade, pelo bem da causa, pode tornar-se desonestidade por causa de algum objetivo pessoal sem possibilidade de correção. O relativismo moral também significa o fim do discurso moral entre todos os envolvidos. Ele não pode ser contido, e acaba se voltando contra seus primeiros defensores mais bem-intencionados. Nesse ponto, o compromisso do cristianismo com a justiça logicamente exige padrões morais absolutos, e eles são impensáveis sem a autoridade de Deus.
O mesmo é verdadeiro no campo da motivação. O grupo, o coletivo, a sociedade e o Estado são fundamentalmente incapazes como motivadores do altruísmo. A vontade individual sem dúvida questiona as exigências morais alheias. Lidamos aqui com o problema da possibilidade da existência da moralidade sem a religião. Parece haver profunda sabedoria nas cláusulas do Antigo Testamento que apoiam exigências éticas na autoridade divina: “Não explorem um ao outro […]. Eu sou o Senhor, o Deus de vocês” (Lv 25.17; cf. Gn 50.9).
Outro problema é como as exigências morais objetivas podem ser subjetivadas ou internalizadas. A teologia cristã duvida da capacidade da educação, ou da mera apresentação de ideias, para produzir a mudança moral. O marxismo prossegue com esse discurso, e deve ser visto como idealista. Às vezes se tem a impressão, em países socialistas, que as fortes forças do nacionalismo são empregadas como motivadores em direção à meta moral pretendida. Mas isso, como a reintrodução periódica dos princípios capitalistas no caminho para o socialismo, parece apenas mais uma tentativa de “atravessar o rio nas costas do crocodilo”; o nacionalismo sem dúvida não cria o “homem novo” da “irmandade humana”, mas pode facilmente se tornar uma das mais potentes e desagradáveis encarnações do “velho homem”.
“Medidas administrativas”, ou que pressionem as pessoas para que se comportem com correção, provaram-se ineficientes. A aplicação da força – onde, lembremos, busca-se a mudança moral fundamental – produz apenas hipocrisia, falta de confiança e, de maneira generalizada, reconstitui com exatidão o que se considerava o problema, no início. Educação e acompanhamento são medidas externas que não penetram no coração. É inútil pensar que o pecador pode realizar a própria conversão, ou pior, a dos outros. Não ocorrerá a conversão do próximo sem a conversão de Deus. A redescoberta do próximo sem a redescoberta de Deus e vã; o ateísmo marxista causa estragos com suas próprias metas elevadas.
Por isso o jovem Marx, depois de ter esboçado o problema do homem como o único ser na criação que não cumpre seu objetivo, continuou a afirmar que o cristianismo é necessário para o desenvolvimento moral completo. O cristianismo, acima de tudo, ressalta a questão da internalização do bem, de modo que ele se torne uma expressão espontânea do crente. Onde as pessoas encontraram Jesus, a mudança moral (como na história de Zaqueu, o cobrador de impostos) não surgiu como consequência de uma ordem, mas apareceu de modo espontâneo, a evolução de uma necessidade, não de coerção. Também por isso Agostinho, Bernardo e Calvino se referem ao “testemunho interno” do Espírito de Deus, que autoriza a mensagem objetiva anunciada e se torna a propriedade mais íntima da pessoa. Isso efetua a mudança no “coração”, no centro de motivação, e ultrapassa a mudança moral como postulado. Fala do amor como dom divino, derramado em nosso coração (Rm 5.5). Sem ele, procuraremos em vão pela mudança moral que combine autocrítica e a dedicação inabalável aos padrões absolutos do que é certo.
O idealismo dos marxistas muitas vezes é admirável, mas a sua visão e programa são fatalmente falhos pela avaliação do egoísmo e da injustiça, e do perdão e da mudança. No entanto, por mais triste que a história da fé cristã às vezes seja, ela gerou no mundo homens e mulheres criativos e de coragem que mudaram profundamente o curso da vida. E isso pode acontecer de novo! Pois o mesmo Deus que sustenta a vida, governa nosso mundo, regula a ordem moral e dirige o curso da história ainda está chamando pessoas, da mesma maneira, por meio do mesmo evangelho, na mesma vida baseada na ressurreição de Jesus para servi-lo e preservar o que é bom, reto e honroso no mundo. As ondas de materialismo, prático ou teórico, parecem montanhas imponentes, com enorme poder e apelo irresistível, mas sempre elas, também, batem contra a dura realidade da vida. Homens e mulheres foram feitos por Deus. Apesar do alardeado idealismo, de um lado, e dos artigos de consumo e Porsches, de outro, o coração humano está sempre inquieto, até encontrar seu descanso em Deus.
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Trecho extraído da obra “Volte-se para Deus – A conversão cristã como única, necessária e sobrenatural”, de David F. Wells, publicado por Shedd Publicações: São Paulo, 2016, p. 182-187. Traduzido por Vivian do Amaral Nunes. Publicado com permissão. Via: Tuporém

28 de mar. de 2016

Olhai e Sede Salvos da Morte

Por Thiago Oliveira

Texto Base: Números 21:4-9

4. Partiram eles do monte Hor pelo caminho do mar Vermelho, para contornarem a terra de Edom. Mas o povo ficou impaciente no caminho 5. e falou contra Deus e contra Moisés, dizendo: "Por que vocês nos tiraram do Egito para morrermos no deserto? Não há pão! Não há água! E nós detestamos esta comida miserável! " 6. Então o Senhor enviou serpentes venenosas que morderam o povo, e muitos morreram. 7. O povo foi a Moisés e disse: "Pecamos quando falamos contra o Senhor e contra você. Ore pedindo ao Senhor que tire as serpentes do meio de nós". E Moisés orou pelo povo. 8. O Senhor disse a Moisés: "Faça uma serpente e coloque-a no alto de um poste; quem for mordido e olhar para ela viverá". 9. Moisés fez então uma serpente de bronze e a colocou num poste. Quando alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, permanecia vivo.

INTRODUÇÃO

Os israelitas, ainda peregrinos no deserto sob a tutela de Moisés, tinham acabado de sair vitoriosos em campanha contra os cananeus. O Senhor havia entregado os seus inimigos em suas mãos. As cidades cananeias ficaram devastadas e após esta vitória, o que acontece? Os israelitas murmuram contra Deus e reclamam com Moisés ao seguirem em peregrinação. Isto custou à vida de muitos, pois, o Soberano puniu os murmuradores enviando serpentes venenosas que matavam aqueles a quem picavam. Todavia, após a súplica do povo para que o Senhor tivesse misericórdia deles, Deus ordenou que Moisés fizesse uma serpente de bronze e a pendurasse no posto. Esta serpente ficava erguida no centro do acampamento hebraico, e quem para ela olhasse após ser mordido, não morreria.

Esta história tem muito a nos dizer sobre aquele que - muitos anos depois - seria crucificado entre malfeitores. O próprio Jesus ao falar com Nicodemos cita esta passagem do Antigo Testamento para explicar a sua missão na terra. Ele diz:

Da mesma forma como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crer tenha a vida eterna”.

João 3:14,15

Fiquemos atentos às preciosas lições que emergem da Santa Escritura, tratando especialmente deste episódio que aconteceu no deserto com o povo de Deus.

A PEÇONHA DO PECADO

Certa feita, um pastor puritano disse que o pecado é o ventre de nossas dores (Thomas Watson). Ele está correto. Tudo que existe de ruim nesse mundo, e que para nós é externalizado, tem origem no íntimo dos seres humanos. O pecado que reside no coração do homem é o criadouro das mazelas que nos afligem. O pecado é um veneno e como tal não resulta em outra coisa senão morte. Neste texto de Números 21.4-9, vemos que o motivo dos hebreus serem afligidos pelas serpentes foi a sua murmuração, a sua descrença em Deus (vv. 4 à 6). Mesmo após o Senhor ter libertado aquele povo da escravidão no Egito, mesmo após ter sustentado o povo com provisões milagrosas de comida e bebida numa região desértica e mesmo dando-lhes vitória diante de inimigos mais numerosos e mais preparados, eles se queixam e cometem o absurdo de dizer que detestam a comida que veio diretamente do céu para satisfazer suas necessidades (o Maná).

Os hebreus deveriam dar graças a Deus constantemente. A Forma como o Senhor os conduzia era sobrenatural e ao mesmo tempo demonstrava cumplicidade. Deus era deles, comprometido em aliança a dar-lhes uma terra. Comprometido em fazê-los prosperar. Mas ao invés de ação de graças veio um ingrato murmúrio. Aquele povo rejeitava as benesses do Divino. Sua queixa demonstrava não apenas ingratidão. Demonstrava também incredulidade. Mesmo depois de tudo o que viram, ainda se deixaram levar pelo temor de morrer a míngua no deserto, pelo meio do caminho. Esqueceram de que Deus havia dito que os conduziria até um pedaço de chão que seria dado a eles como sua herdade. O Altíssimo os presentearia com a terra que “mana leite e mel”. Só que os hebreus duvidaram, queixaram-se e pagaram o preço pela sua conduta inaceitável.

As serpentes que atacaram o arraial dos israelitas, matando muitos deles, eram a personificação dos seus pecados e do efeito que este causa. A peçonha do pecado os feriu mortalmente. O que nasceu em seu íntimo tomou forma e eles viram o quão asqueroso era aquilo. Por isso meus irmãos, devemos ter cuidado com aquilo que cultivamos no solo de nossos corações, pois, se plantarmos murmúrio e incredulidade, colheremos mortandade. Precisamos ter a fé em Deus firme, e em tudo dar graças (1Ts 5.18). Tal como o maná foi rechaçado, Cristo, o pão do céu (Jo 6.51), também o foi e ainda é por muitos que escutam a boa nova e nela não se alegram nem depositam a sua fé. Que o Senhor nos livre de blasfemá-lo com nossa ingratidão e descrença. Precisamos ter a nossa fé fortalecida. Precisamos lembrar que o Senhor é fiel as suas promessas, sabendo que chegaremos a Canaã celestial. Mesmo que o percurso seja difícil e amargoso, não devemos esquecer que o destino final é doce, doce como o mais puro mel e refrescante como uma loção aromática. Tenhamos fé, Deus é aquele que nos guia e nos guarda.

SALVAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO

Quando o povo reconheceu que as serpentes que o atacava eram resultantes de sua conduta pecaminosa, foram até Moisés e pediram para que o líder que Deus lhes dera, também rejeitado em seu murmúrio, intercedesse em favor deles. Moisés orou e recebeu a ordem de fazer a serpente de bronze e pendurá-la num poste (vv. 7 e 8). O curioso é que para serem salvos, as pessoas picadas deveriam olhar para a imagem que remetia justamente ao animal que lhes causou dolo. Por que disto?

Deus ao revelar-se ao seu povo, sempre apontou para o Salvador que haveria de vir e com isso deu algumas “pistas” de como seria e o que faria esse a quem Ele iria enviar. No linguajar teológico chamamos estas “pistas” de tipologia. Aquela serpente que foi levantada entre os hebreus tipificava Cristo, alçado fora dos muros de Jerusalém. Como vimos na introdução, o próprio Jesus fez uso da serpente de bronze ao falar sobre si mesmo. Vejamos as semelhanças que fazem com que o tipo do Antigo Testamento apontasse para o Cristo:

1. Ambos foram pendurados num madeiro e ficaram expostos, à vista de toda a população.

2. Aquele que fosse envenenado tinha que olhar para a serpente de bronze para ser curado. Semelhantemente, o veneno do pecado é curado quando o pecador olha com fé para o Cristo da cruz.

3. Se para obter a cura, a pessoa veria a imagem do animal que lhe causou dano, de igual modo, para ser liberto do pecado, Cristo assumiu a forma do mais vil pecador, mesmo sendo santo. O pecador que olha Jesus moído na cruz vê que n’Ele foram depositados os seus próprios pecados.

Logo, concluímos que no elemento da salvação há também identificação. Jesus tinha uma imagem de homem comum, e quando sucumbiu na cruz, entre dois ladrões adquiriu a imagem de um bandido. O profeta Isaías vai dizer que o seu semblante era o de um homem no qual escondemos o rosto em desprezo (Is 53.3). Aquele que não tinha pecado assumiu a forma de pecador (2Co 5.21) para garantir cura a todo o que n’Ele crê.  

BASTA OLHAR

Deus ao providenciar a cura após a confissão de pecados do povo, bem poderia ter feito com que eles “cortassem um dobrado” para que não morressem. A ideia de penitência é muito comum em diversas religiões e escritos mitológicos antigos. O maior dos heróis gregos, Hércules, segundo a lenda, teve que realizar 12 trabalhos para recuperar sua honra após ter assassinado esposa e filhos num arroubo de loucura. Mas Deus não cobra nenhuma espécie de penitência. Não há nenhum tipo de trabalho ordenado com o intuito de purgar os pecados. A forma de encontrar cura seria apenas olhar para a serpente de bronze (v.9). Olhar? Algo que não denota esforço. Uma tarefa simples que não leva em conta força ou capacidade intelectual.

Assim mesmo é com a nossa salvação. Em Isaías 45.22 lemos o seguinte:

Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro”.

Um dos maiores pregadores que esse mundo já viu, Charles Spurgeon, se converteu após um homem comum pregar com base neste versículo, pois por alguma razão – possivelmente uma nevasca – o pastor não compareceu,  e conclamá-lo a olhar para Cristo. O próprio Spurgeon em sua autobiografia conta como se deu:

Então, erguendo as mãos, bradou como só um metodista primitivo pode fazer: ‘Jovem, olhe para Jesus Cristo! Olhe! Olhe! Olhe! Você não tem nada a fazer senão olhar e viver!’. Eu vi de uma vez o caminho da salvação. Não recordo de mais nada que aquele homem simples disse, pois fiquei tomado com aquele pensamento. Como quando a serpente de bronze foi levantada, e o povo somente olhava e ficava curado, assim foi comigo. Eu estava esperando fazer cinquenta coisas, mas quando eu ouvi aquela palavra ‘Olhe!’, que palavra fascinante ela pareceu a mim. Oh! Eu olhei até quase não poder tirar os olhos! Então a nuvem se foi, as trevas foram retiradas, e naquele momento eu vi o Sol”.

APLICAÇÕES

1. Reconheça que seus pecados não te levarão a nenhum outro lugar que não seja o vale da sombra da morte e clame ao Senhor por misericórdia, pois, um coração quebrantado e contrito o Senhor não despreza (Sl 51.17). Vá até ele com lágrimas de arrependimento e Ele transformará teu pranto em riso ao salvar você da condenação e da morte.

2. Compreenda que no sacrifício na cruz havia um inocente que foi maltratado no lugar dos homens pecadores. Ao contemplar a imagem do crucificado, saiba que sobre os seus ombros residiam os teus pecados e não os d’Ele. Ele sempre foi e sempre será o Santo dos santos. Jesus recebeu o castigo que nos traz a paz e pelas suas chagas somos sarados (Is 53.5). Creia nisso e confesse que o Filho de Deus é teu redentor e teu senhor.

3. Olhe com os olhos da fé para Jesus, deixe tudo para trás e siga-o. Quer a cura? É simples, olhe para cruz e creia em Cristo. Você não precisa fazer nenhum ato de penitência. Não há trabalho para te fazer livrar do pecado. Olhe para Jesus e veja o fardo ser desatado de suas costas e rolar morro abaixo. Aos pés da cruz você encontrará vida e paz. Aos pés de Cristo você terá perdão e purificação. Olhe! Olhe! Olhe para cruz e siga a Jesus Cristo!

8 de jul. de 2015

Seis Benefícios da Evangelização para o Discipulado

Por Brian Parks

“A evangelização mudou a minha vida”. John, meu taxista, disse-me isso enquanto dirigíamos pela autoestrada de Orlando até a conferência da qual eu estava participando. A nossa conversa mudou para o assunto da fé assim que ele descobriu que eu não estava em Orlando para ir à Disney World, como a maioria dos seus passageiros.

26 de mai. de 2015

Amemos os que nos perseguem

Por Thiago Oliveira

Quando circulou - recentemente - o vídeo de um grupo de cristãos sendo degolado por integrantes do Estado Islâmico, um sentimento de raiva tomou todo cristão que assistiu aquela brutalidade. Chegamos a desejar a morte daqueles homens. Este sentimento é natural e legítimo. Os salmos imprecatórios legitimam esse pensamento. Todavia, o legítimo não quer dizer ideal. Após o furacão da ira passar, devemos refletir sobre a postura que Cristo requer de nós. E embora isso seja difícil de assimilar, embora lutemos contra nós mesmos, o que devemos fazer é amar aqueles que perseguem a Igreja do Senhor.

6 de mar. de 2015

Não existe "artista" na Igreja de Deus

Por Fabio Campos


 “Pois em Deus não há parcialidade”. 
 Romanos 2.11 

Certa vez, um pastor, contou um relato (verídico) onde um missionário estava na missão na África do Sul. Devido ao “apartheid” o preconceito racial era muito grande, e desprezar os negros era um comportamento absolutamente comum para aqueles racistas. Este missionário recebeu em sua casa as principais autoridades daquele país.

Ao receber esta “notável” visita (a vista dos homens), constrangido de que estas autoridades o atrelassem aos zulus, o missionário, então, fechou a janela, pois ela dava exatamente para o lugar onde os zulus estavam reunidos. Na medida em que ele fechava a janela, para que as autoridades não percebessem a sua comunhão com os zulus, o Espírito de Deus segredou no coração dele: “Feche a janela e Eu Fico do lado de fora”.

Lamentavelmente vemos que há em algumas igrejas certa distinção no tratamento para com o pobre para com o rico. Repare como os artistas e políticos são saudados por esses “pastores”. Geralmente estes líderes são pastores de multidão. Amam a massa, mas não se achega ao individuo. Faça uma pesquisa na igreja e você vai comprovar que 80% dos membros nunca tomaram um café num tempo de quinze minutos com estes “bispos” e “apóstolos”. Alguns nunca o cumprimentaram pessoalmente.


O favoritismo pelos “homens que são”, ao contrário de Deus que escolheu os “que não são”, por estas igrejas é grande. O cara mal chega dizendo que é evangélico, e por ter certa influência na sociedade logo já é posto por líder ou pastor. Que desgraça! O resultado disto é desastroso. Gente ímpia governando a igreja de Deus. Nestas igrejas você pode até ser vocacionado, mas se não tiver um bom emprego - uma conta bancária considerável ou não for “esteticamente” bonito aos olhos do mundo, sem chance para você no que concerne às aparições públicas. Esquecem que o pobre íntegro é melhor do que o rico perverso (Pr. 19.1). Isso é pecado e saiba que tal líder tem por “deus” a mamon (Mt 6.24).

O texto de Tiago [2.1-9] é bem claro e denuncia este “favoritismo”. Imagine você - dois homens chegando para prestar o culto a Deus. Tiago diz que os dois são crentes de verdade. Todavia, um é bem pobre, ao ponto de Tiago chama-lo de “pobre andrajoso” (mendigo para nós); já o outro é um homem muito rico que se destaca pelas suas lindas vestes e pelo o seu anel de ouro. O pobre chegou primeiro no culto; o rico chegou depois. O que estava acontecendo, é que o pobre (por ser mendigo) deveria ceder lugar para o rico.

Entretanto, o pobre só tinha aquela roupa. Ele trabalha e dormia com ela, e por estar gasta e cheia de manchas, o pobre, devia ceder o seu lugar para o rico (hoje seria o púlpito [para contar o seu testemunho] e os primeiros lugares) e tinha que ficar lá traz da igreja e em pé.

Não é isto o que vemos hoje? Parcialidade dentro das igrejas? Dentro da igreja do Senhor Jesus não existe rico nem pobre – famoso ou gente comum. Todos são igualmente pecadores perdoados por Deus. Tratar alguém com favoritismo – seja por ser rico ou famoso – em detrimento do pobre e daquele que tem a vida “comum” – é pecado, pois tal coisa não está certa diante de Deus.

Muitos usam o argumentam que, por ser “famosa” ou “rica”, tal pessoa, trará um numero maior de pessoas ao Evangelho. Será? Deus precisa do homem para converter o coração de alguém? Não seria Ele poderoso para das pedras “suscitar” filhos de Abraão (Mt 3.9)? Não é mais o Espírito Santo quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8)? Você acha mesmo que Deus está desesperado em busca da multidão sendo que para Ele uma “alma vale mais que o mundo todo”? Sinceramente, tal argumento é posto para trazer um conforto na consciência culpada destes líderes devido o pecado da “parcialidade”.

Nada dentro da igreja deve ser feito com favoritismo (1 Tm 5.21). Deus não olha como o homem olha, pois Ele não vê a conta bancária, mas o coração (1 Sm 16.7). Paulo detestava este tipo de comportamento e jamais agiria desta forma, como ele mesmo disse: “Quanto aos que pareciam influentes — o que eram então não faz diferença para mim; Deus não julga pela aparência — tais homens influentes não me acrescentaram nada” (Gl 2.6) NVI.

Você pode até ficar empolgado e ostentar que tal artista é da sua igreja, todavia, Deus não considera assim e odeia tal comportamento, como está escrito: “Não é verdade que ele não mostra parcialidade a favor dos príncipes, e não favorece o rico em detrimento do pobre, uma vez que todos são obra de suas mãos” (Jó 34.19 NVI). “Coitado” do irmão pobre que serve a igreja com tantas dificuldades. Sente-se zombado e menosprezado; mas Deus toma a dor dele e sente o que ele sente. Deus se volta contra aqueles que exaltam o “artista” em detrimento do popular (Pr 17.5).

Que Deus nos livre desta praga que se instalou no seio de algumas igrejas, ou seja, o favoritismo que tem por crivo a “posição social”. Tal coisa não tem nada haver com o Evangelho e longe está da postura do Soberano Senhor - Criador dos Céus e da Terra, dono do ouro e da prata - mas que preferiu vir a terra como servo. Tinha toda a Glória, mas esvaziou a si mesmo e se fez pobre (Fp. 2. 5-11); por isso foi desprezado, pois a sua aparência não tinha beleza (Is 53.8). Muitos por analisar somente a aparência estão rejeitando o próprio Senhor Jesus.

No entanto, O “manso e humilde” de coração é Rei dos reis e Senhor dos senhores. A maioria dos seus escolhidos não é sábio segundo o mundo - e nem poderosos de nobre nascimento. Ele escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes; as coisas humildes e as desprezadas (aqueles que mal são visto) para reduzir aqueles que são bem visto (1 Co 2.26-28).

Tudo porque “não há justo se quer (Rm 3.10)”; todos voltarão ao pó (Gn 3.19); por isso ninguém (seja o gari ou o presidente da república) poderá se gloriar diante de Deus (1 Co 2.29). Fuja disto e não seja conivente com o comportamento destes líderes; pois a Escritura exorta a agirmos diferentes de tudo isto que temos visto dentro destas igrejas que preferem os artistas. Fique do lado que o Senhor está, pois assim Ele diz:

“Tenham uma mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam DISPOSTOS a associar-se a PESSOAS de POSIÇÃO INFERIOR”. – Romanos 12.16 (NVI)

Considere este artigo e arrazoe isto em seu coração,

Soli Deo Gloria!
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Fonte: Blog pessoal do Fabio Campos

22 de fev. de 2015

Fazei Tudo Para Glória de Deus (Carta de Campina Grande)


Na noite de encerramento do 17º Encontro para a Consciência Cristã, nesta terça-feira (17), a VINACC, entidade organizadora do evento, lançou a “Carta de Campina Grande – Consciência Cristã 2015”. Na missiva, elaborada por uma comissão de grandes nomes da fé cristã no país, é reafirmado e reconfirmado compromisso com o genuíno Evangelho de Cristo, sua defesa e sua pregação por todo o Brasil e todo o mundo, para a glória do nome de Deus.

Confira a carta na íntegra:

Nossos dias têm sido marcados por momentos críticos. Lamentavelmente, o Brasil tem experimentado, nos últimos anos, uma curva ascendente de escândalos, que nos fazem ruborizar de vergonha. Para nossa tristeza, as primeiras páginas dos jornais têm estampado — quase que diariamente — escândalos políticos de primeira linha. Como se não bastasse isso, a corrupção dos e nos poderes da República nos mostram que a nação encontra-se em avançado estado de “metástase”.

Junta-se a tudo isso o problema da violência, que no Brasil tornou-se endêmica. Segundo a ONU, nosso país possui onze das trinta cidades mais violentas do mundo, isso sem falar no consumo de drogas, no descaso do poder público com a saúde da população, educação, transporte e bem estar social. E, para piorar essa situação, a igreja brasileira não tem cumprido o seu papel como sal da terra e luz do mundo. Pelo contrário, de norte a sul e de leste a oeste multiplicam-se os desvios teológicos e heresias hediondas de um lado, como a esterilidade de um saber teológico desvinculado da santificação e da prática de outro, coisas que, de forma acintosa, causam incontáveis males ao povo de Deus.

Ademais, nos últimos anos, ferozes “lobos” têm tido livre tráfego em nossos arraiais, promovendo dissenções mediante ensinamentos falsos que afrontam a Palavra de Deus e induzem uma parte do povo de Deus ao erro, haja vista as práticas e comportamentos sincréticos que ora são verificados em muitas igrejas, nas quais pastores desprovidos de piedade, amor e misericórdia comercializam o Evangelho, assim como alertaram os apóstolos Paulo e Pedro (cf. 2 Co 2.17; 2 Pe 2.1-3).

Diante do exposto nós, da Visão Nacional para a Consciência Cristã (VINACC), entidade organizadora do 17º Encontro para a Consciência Cristã, decide:

Lutar pela unidade da igreja brasileira através da absoluta lealdade às verdades transformadoras do evangelho, para a glória de Deus.

Cremos na santa Igreja, na existência de um só Corpo, um só Espírito, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus. Cremos na unidade da Igreja, como também na comunhão dos santos. Cremos que essa unidade é obra exclusiva de Deus, e que nós, pelos nossos próprios esforços, não podemos produzi-la. Cremos que a unidade só é possível em torno da verdade, e que uma igreja que relativiza as Escrituras, negando as verdades fundamentais da fé cristã, não pode ser considerada parte do Corpo de Cristo. Cremos que a unidade da Igreja é bíblica e deve ser desejada e vivida pelos salvos.

Cremos que somos chamados por Jesus Cristo a preservar a unidade do Corpo, não tratando como prioridade aquilo que as Escrituras consideram secundário. Pelo contrário, somos chamados por nosso Senhor para andarmos em amor, em humildade e em verdade, obedecendo à Palavra de Deus e glorificando ao Senhor através da nossa união.

Pregar exclusivamente o Evangelho, nada além do Evangelho

Reconhecemos que a Igreja foi chamada para proclamar o Evangelho em sua inteireza. Por isso, nos recusamos a vinculá-lo a ideologias políticas ou a agendas de ambições pessoais. Cremos que o Evangelho deve ser proclamado nos termos e ênfases do Evangelho, segundo a Palavra de Deus, e não de acordo com as circunstâncias mutáveis da sociedade. Proclamamos o Evangelho em sua totalidade, sem omitir seus aspectos essenciais, como a justiça e a santidade de Deus, a culpa do ser humano, a salvação somente pela fé, a ressurreição dos mortos, o julgamento final, o céu e o inferno. Proclamamos o Evangelho a todas as pessoas, independentemente de raça, nacionalidade, sexo, religião ou condição social.

Cremos que todas as pessoas precisam ouvir o Evangelho — em sua própria língua e cultura, de forma contextualizada — e ter a oportunidade de ser discipuladas, a fim de que também estejam aptas para fazer discípulos, formando igrejas locais autóctones, comprometidas com o pleno ensino do Reino de Deus, fazendo da proclamação do Evangelho um estilo de vida.

Denunciar o pecado, proclamar a justiça, lutando pela transformação de vidas, a fim de que Deus seja glorificado

Reconhecemos que somos chamados por Cristo para defender a vida, a verdade, a equidade, a família e a justiça. Acreditamos que a Igreja glorifica a Deus quando se posiciona contra o pecado — em suas mais variadas vertentes —, denunciando de forma profética as arbitrariedades cometidas por políticos, os quais, através de leis anticristãs, promovem a morte, a desconstrução da família, a miséria e relativizam o pecado.

Entendemos que é a missão bíblica da Igreja pregar o Evangelho a toda criatura, para que, no arrependimento e fé de muitos, haja inclusive um impacto social. Desse modo, a Igreja deve ser a voz da consciência da sociedade, a fim de apresentar aos que nos governam os princípios e verdades contidos nas Escrituras. Afirmamos, ainda, o nosso compromisso com a ética, com a decência.

E, por amor a Cristo, repudiamos todo e qualquer tipo manipulação religiosa e política feita em nome de Deus. Cremos ainda que é nosso dever, diante de Deus e da sociedade, exercer a nossa cidadania com responsabilidade e compromisso, convergindo a vocação que temos recebido do Senhor para colocar ordem no caos. Assim, “tudo quanto fizerdes, fazei de coração, como se fizésseis ao Senhor e não aos homens” (Cl 3:23).

Edificar e fortalecer nossas igrejas locais para que sejam exemplos vivos e concretos das verdades do evangelho do Reino em todas as suas dimensões.

Deus será glorificado quando Seus atributos forem visualizados, claramente, na vida de discípulos de Cristo que vivenciam a transformação do evangelho no meio de uma geração degradada e corrompida.

Glorificar a Deus em todas as áreas da vida

Com sincero arrependimento afirmamos, como corpo de Cristo, que rejeitamos todo tipo de idolatria, seja de práticas, pessoas ou instituições, reconhecendo que a honra pertence exclusivamente a Deus e a ninguém mais. Como discípulos de Cristo, assumimos o compromisso de honrar o nome de Deus nas esferas da ética pessoal, da família, da igreja, do trabalho, da cultura e da cidadania, refletindo a glória de Deus em tudo o que fazemos, em todo o tempo e em todos os lugares.

Portanto, confiantes na graça de Deus, assumimos este compromisso diante do Todo-poderoso e de Seu povo, a fim de vermos em nossa nação um poderoso progresso do Evangelho. Façamos, pois, a nossa parte, convictos de que, no fim, o Senhor Jesus Cristo será glorificado em nossa nação.

Pr. Euder Faber Guedes Ferreira (presidente da VINACC)

Comissão relatora:

Pr. Aurivan Marinho
Pr. Elias Medeiros
Pr. Renato Vargens
Pr. Russell Shedd
Pr. Ciro Sanches Zibordi
Prof. Adauto Lourenço
Pr. José Bernardo
Pr. Jorge Noda

21 de fev. de 2015

Aquele que não ama a seu irmão, não pode amar a Deus

Por Paul Washer
Agora, precisamos examinar nossa vida à luz dessas verdades. Amamos o povo de Deus e com isso demonstramos a realidade de nossa fé? Nosso amor é base de atitudes e emoções escondidas que não podem ser provadas ou é demonstrado por evidências reais, práticas e discerníveis, tais como palavras, atitudes e ações? Para nos auxiliar em ver onde estamos nesta questão de suma importância, as seguintes perguntas podem nos ajudar.
Primeiro, de quem é a companhia em que você tem maior prazer? Você busca comunhão com outros crentes e se deleita em conversas sobre Cristo? Ou prefere a companhia do mundo e raramente fala sobre as coisas de Deus? Quando foi a última vez em que você esteve com outros crentes com a única intenção de estar com eles e exaltar a Cristo? Devemos cuidar de como respondemos a essa pergunta, reconhecendo que muito do que se chama de comunhão cristã tem pouco a ver com Cristo.
Segundo, você se identifica publicamente com Cristo e seu povo? Ou se envergonha do escândalo envolto nos que confessam a Jesus como Senhor e procuram viver em submissão a sua Palavra? Os seus colegas descrentes identificam você como sendo um “desses cristãos”? Ou você está tão alinhado ao mundo e conformado à sua imagem que uma acusação dessas raramente, ou nunca, seria feita contra você? Você se coloca entre o povo de Deus como um espetáculo ao mundo, que se considera sofisticado demais para aceitar nossas ilusões religiosas?[1] Ou se distancia da igreja como uma pessoa se distancia do parente próximo do qual está envergonhado? Você consegue se identificar com Moisés, que “recusou ser chamado filho da filha de Faraó, preferindo ser maltratado junto com o povo de Deus a usufruir prazeres transitórios do pecado” (Hebreus 11.24–25)?
Terceiro, embora esteja cônscio das muitas fraquezas e falhas morais da igreja, você tem o compromisso de promover sua melhora? Ou se alinha com o Diabo e o mundo nas acusações contra ela?[2] Temos de nos lembrar sempre de que o Diabo é o acusador de nossos irmãos, e os que estão de fora da igreja com acusações similares, estão fazendo a obra de seu pai, o Diabo.[3] Em contraste, o verdadeiro crente responde às falhas de seu irmão com um amor que encobre multidão de pecados, e se entrega à sua restauração e aperfeiçoamento.[4] Não pode abandonar a igreja nem o santo caído, não obstante as muitas vezes em que eles se desviam. Ele é compelido pelo amor de Deus a buscá-los, assim como Oseias buscou a Gomer, e labutar em seu benefício e para sua glória futura.[5]
Quarto, você é membro atuante e contribuinte de uma congregação local e visível de crentes? Temos de nos lembrar de que a espécie de amor que João escreve só seria manifestado no contexto de relacionamentos com outros crentes no corpo de Cristo. Você está morrendo para seu eu e entregando sua vida em serviço ao próximo cristão? Está labutando para a edificação da igreja através de seus diversos dons espirituais? Em termos simples, o que você faz para edificar o povo de Deus e promover a causa de Cristo entre eles?
Estas perguntas não são restritas somente aos pastores, mas pertencem a cada membro do corpo de Cristo. De fato, uma das evidências de que somos membros do corpo é que somos úteis para ele. Correspondentemente, uma das evidências de não ser convertido é a inutilidade para toda e qualquer boa obra.[6] Amor sem obras, como fé sem obras, é morto.[7] Faríamos bem em lembrar que as ovelhas e os bodes eram divididos pelo que faziam ou não faziam para o povo de Deus.
Concluindo, o amor não é apenas uma boa coisa entre muitas, mas a mais excelente, maior ainda que a fé e a esperança.[8] Sendo assim, não é incomum que João desse ao amor lugar exaltado entre as outras provas conversão. Temos de pesar nossa ortodoxia doutrinária contra o padrão da Escritura e examinar nossa piedade pessoal e vida devocional à luz dela. Porém, sobretudo, temos de provar a nós mesmos quanto ao amor. Esta virtude tem de ser encontrada em nós e manifestada em nossas obras, antes de ousarmos assegurar a nossos corações que o temos conhecido, conforme João relembra muitas vezes: “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte” (1João 3.14). “Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão” (1João 4.20).
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[1] 1Coríntios 4.9–13.
[2] O nome “diabo” vem da palavra grega diábolos, que pode ser traduzida “acusador”. Refere a alguém tendente a maledicência e falsas acusações.
[3] João 8.44; Apocalipse 12.10.
[4] 1Pedro 4.8.
[5] Oseias 3.1–3.
[6] Romanos 3.12.
[7] Tiago 2.17.
[8] 1Coríntios 12.31; 13.13.

13 de fev. de 2015

Fama, intrigas e mentiras: Este não é o Evangelho de Cristo

Por Thiago Oliveira

Uma personagem que tem ganhado destaque no cenário gospel é Bianca Toledo. Segundo sua página oficial do facebook, ela é escritora Best Seller, missionária avivalista, conferencista internacional e ministra de adoração (Uau!). Sua ascensão ao estrelato gospel é devido ao seu testemunho de uma cura, após sofrer bastante quando esteve enferma e quase morrer. Sua biografia está resumida em seu site. Fato inegável é que Deus foi misericordioso para com ela e realmente reverteu o quadro da doença. Acontece que mesmo recebendo esta Graça, a Bianca Toledo está comprometida com uma espécie de mensagem e status que é muito prejudicial à genuína fé cristã.

Recentemente, vi uma resposta que a Bianca Toledo deu a um questionamento de um internauta, sobre ela usar-se da cura que recebeu do SENHOR e fazer disso um trampolim para a fama. A mesma disse que se permitiu ser famosa, pois foi Deus que a quis fazer famosa, tal como Jesus foi famoso (Oi?). Não há como negar que Jesus até teve uma repentina fama de milagreiro, mas ele a rejeitou e fez questão de dizer que era Filho de Deus e não alguém para operar apenas coisas boas e deixar todo mundo numa zona de conforto. Poderia aqui mostrar uma enxurrada de textos que evidenciam isso, mas se você ler João 6, já está de bom tamanho. Ali vemos um povo querendo coroá-lo, mas é despachado pela sua palavra dura. Num discurso apenas, milhares de pessoas se foram, restando só a Cristo e os seus doze discípulos.

Definitivamente Jesus não foi uma superestrela. As pessoas não matam seus ídolos. Os judeus quando gritavam “crucifica” e quando zombaram do nosso SENHOR na cruz não fizeram isso porque o amavam. Quase ninguém daquela horda era fã de Jesus. Poucos na multidão criam ou simpatizavam com seu ser e suas obras.

Já sobre a acusação de cobrar cachê, a Bianca Toledo diz que prega gratuitamente também, principalmente nas redes sociais, gastando horas do seu dia sem ganhar nadica de nada (ah vá!). Ela cobra apenas para pregar em conferências. E diz mais: “Jesus tinha um preço justo para cobrar pelos móveis que fazia”. Esse tipo de argumento é frouxo e descabido. Como ela bem falou, Jesus faturou com seu serviço de carpintaria e não com a pregação da Palavra. Cobrar cachê para pregar e testemunhar é imoral. Sabemos que há custos nos eventos, e quem convida deve, por bom senso, pagar as despesas de translado e hospedagem. Se a Igreja que promove o congresso quiser dar uma oferta, amém. Senão, louvado seja Deus, pois o que de graça recebemos, de graça devemos dar (Mt 10.8).

As exigências que muitos famosos gospel's fazem para participarem dos eventos é estratosférica e mundana. Poucos são os que não exigem hotéis e carros de luxo a sua disposição para cantar ou pregar. Por que não se hospedar na casa de algum irmão? Ou do pastor que faz o convite? Por que não andar num carrinho popular? Porque todo esse aparato é algo que alimenta a vaidade. Porque o espírito do materialismo tem escravizado esses artistas que são estrelas e não servos.

Só que ainda tem mais caroço nesse angu. Bianca Toledo em seu testemunho diz que foi abandonada por seu ex-marido. Hoje, casada com Felipe Heiderich, que é pastor, afirma que seu antigo companheiro lhe abandonou e que era um mentiroso que não gostava de trabalhar. Acontece que o Renato Pimentel (o ex) tem uma conta no Facebook onde posta fotos e escreve coisas que põem em xeque tudo o que é dito pela “missionária”. A lavagem de roupa suja é feita na internet mesmo. A troca de acusações é constante e ninguém realmente sabe quem é que mente mais (ou menos) nessa história toda.

O Renato é o pai do filho da Bianca, e ambos expõem o menino como um troféu em diversas postagens. O garoto, ainda muito pequeno, parece alheio a tudo isso. Mas me pergunto: Quando ele crescer, vai gostar de saber que a vida íntima de seus pais foi ventilada na grande rede? Quais sequelas isso pode lhe causar? O fato é que a baixaria só envergonha os que aderem ao genuíno Evangelho e que muitas vezes pagam o pato quando os que são do mundo colocam todos dentro do mesmo barco. Lamentável!

Fama, intrigas e mentiras: Este não é o Evangelho de Cristo. Alguns dizem que o “ministério” da Bianca Toledo é válido, pois lhes edificou. Bem, se realmente ela foi usada para edificar alguém, isso não quer dizer muita coisa. O fato de Deus usar determinados instrumentos, não significa que Ele se deleita neles. Lembre-se que os babilônicos foram um instrumento nas mãos do SENHOR. E outra: o que muitos confundem é edificação com emoções. O verdadeiro Evangelho não cria famosos, não lucra com as graças recebidas e transforma nossa índole e comportamento. Tenho dito: voltemos ao Evangelho bíblico, que é a Verdade em meio à simplicidade.