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31 de dez. de 2014

Indicação de Livros: Só Autores Reformados



Hoje é o último dia de 2014. Foi um ano diferente. Copa do Mundo, eleições e tantas coisas que agitaram o nosso país. Foi diferente também, por ter surgido este blog.  Começamos em Janeiro como uma fanpage lá no Facebook. Daí, em Setembro iniciamos o Blog e desde então estamos nessa luta para divulgar um conteúdo com qualidade. Evangelho puro e simples, ao alcance de todos, para a edificação da Igreja de Cristo.

Nossos articulistas se juntaram outras vezes para fazerem indicações de teólogos relevantes. Dessa vez a proposta foi um pouco diferente. Eles se reuniram para indicar um livro que eles leram neste ano e querem compartilhar com vocês, nossos leitores, um pouco do entusiasmo deles com cada uma das obras lidas. Ao clicar no título de cada obra, você será redirecionado para uma loja virtual ou página da própria editora para ver mais detalhes, e se possível, efetuar a compra.

Que essa lista possa ser de grande utilidade. Deus abençoe a todos!

Até 2015...


Leitura excelente para a compreensão do zelo pela pregação e pelo púlpito. O Lawson descreve maravilhosamente a piedade de Calvino na exposição da Escritura. Boa leitura para nosso tempo, onde a pregação da palavra está sendo tão negligenciada nos púlpitos de nossas igrejas. "ir ao púlpito é pisar em terra santa". Este é sentimento que devemos ter .

Fernando Carvalho leu e recomenda “O Spurgeon que foi Esquecido” do Iain Murray:

Recomendo “O Spurgeon que foi esquecido”, pelo apontamento dos perigos da doutrina Arminiana dentro da igreja, assim como o zelo do pregador Spurgeon com o púlpito em uma época de perseguição, dentro da própria convenção onde o mesmo fazia parte. Ele não negociava negligência bíblica em troca de popularidade, além de sofrer várias calúnias no desempenho do ministério da pregação.

Thomas Magnum leu e recomenda “A Força Oculta dos Protestantes” do André Biéler:

Um livro indispensável aqueles que desejam compreender dentro do contexto histórico, social, econômico e teológico a força do pensamento da reforma protestante e como a reforma no século dezesseis e principalmente na cosmovisão calvinista foi além da soteriologia, pregando o reino de Deus e sua soberania a todas as esferas da vida humana. Um livro indispensável para a biblioteca de estudantes da bíblia, seminaristas, pastores e professores de escola dominical.

Morgana Mendonça leu e recomenda “A Batalha Pertence ao Senhor” do K.S. Oliphint:

Um livro boníssimo, na área da apologética pressuposicional, contribuindo com bastante utilidade na nossa literatura teológica. Um livro que você "não pode passar dessa vida sem ler" como diz o Rev. Jonas Madureira. O autor leva o leitor a compreensão da sua responsabilidade em defender a fé usando como base as Escrituras e entendendo que toda a batalha pertence ao Senhor. Um texto claro e que realmente deve ser indicado aos cristãos atuais. Pastores, missionários, professores, teólogos, eis um livro que não pode faltar na sua estante! A leitura começa incrível e termina espetacular!

Samuel Alves leu e recomenda “A Doutrina do Arrependimento” do Thomas Watson:

Escrito pelo puritano Thomas Watson, este livro é um clássico, leitura indispensável. Atualmente, é este livro que tem me exortado...

Thiago Azevedo leu e recomenda “A Oração Muda as Coisas?” do R.C. Sproul:

Este livro traz à tona a importância da principal prática cristã, mas mesmo sendo a principal, é também, a mais negligenciada. Uma frase que muito me marcou é a seguinte: " A oração está para a o cristão como o ar está para vida"! Eis um pequeno livro que fala grandes verdades!

Fred Lins leu e recomenda "Você se torna aquilo que adora" do G. K. Beale:

G. K. Bale nos traz uma maravilhosa análise de um lado da idolatria que pouco conhecemos ou talvez pouco assumimos, que é quando a idolatria não são as imagens, as coisas, mas sim, aqueles ídolos que estão dentro de nós mesmos e que nos consomem e usurpam o verdadeiro sentido de uma adoração  que deve ser inteiramente de e para Deus

Bruno Silva leu e recomenda “Poder pela Oração” do E.M. Bounds:

O livro trata acerca de cultivar uma vida de oração e ter mais intimidade com Deus. Fala também de homens que viveram esta jornada, desafiados a buscar incessantemente a poderosa e santa presença de Deus.

Wallace Jaguaribe leu e recomenda “Apóstolos” do Augustus Nicodemus:

Li recentemente e recomendo. "Apóstolos" é uma leitura muito gostosa. Embora trate de um assunto que já tenha sido bem trabalhado no passado, apresenta uma clareza que o torna indispensável.


O que você faria se soubesse que tinha apenas algumas semanas de vida? O Dr. James Boice decidiu escrever um livro para defender as doutrinas da graça como sendo essenciais para o evangelicalismo, e para isso chamou o amigo e companheiro ministerial Philip Ryken. O texto é incrível. Além de uma sólida defesa dos 5 pontos do calvinismo, tem também um pouco da contribuição do calvinismo para a história e traça o perfil de piedade que todo calvinista deveria adotar. Um dos melhores livros que já li na vida. 

24 de nov. de 2014

Indicação de Teólogos Reformados Brasileiros


Olá pessoal, aqui vai mais uma lista de teólogos reformados, só que dessa vez serão indicados apenas os que produzem em solo tupiniquim. Então, esperamos que vocês gostem das indicações e corram atrás de estudarem através destes sábios homens de Deus. 

Abração!!!

Fred Lins indica Jonas Madureira

Ultimamente tem sido um dos tantos teólogos de destaque no contexto brasileiro, que mais me impressiona, não apenas pela intelectualidade, pelo academicismo aflorado, mas, sobretudo, pela capacidade de tornar acessível conhecimentos complexos tanto no campo da Filosofia quanto da Teologia. Defensor de uma ação mais efetiva e eficaz de cristãos nas universidades e círculos acadêmicos. É autor do nono volume da série, Curso Básico de Teologia Vida Nova. Também é autor de diversos artigos veiculados em revistas e palestras vinculadas na internet podendo ser facilmente acessadas no You Tube.

Thomas Magnum indica Hermisten Maia

Ao falar do Dr. Hermisten Maia estamos falando de um intelectual cristão profícuo, com vasta experiência acadêmica. Tem escrito abundantemente sobre Bíblia, teologia sistemática, educação cristã, história, teologia confessional e teologia contemporânea. Seu trabalho merece atenção ímpar por parte dos estudantes de teologia e também de cristãos que versam por outras áreas da academia. Hermisten também é uma das maiores autoridades na literatura de João Calvino no Brasil, a leitura de sua obra certamente é enriquecedora. Não somente um teólogo, cientista da religião e pedagogo, mas, um pastor que tem contribuído na edificação da igreja de Cristo e na formação de obreiros, recomendo sua obra entusiasticamente.

Wallace Jaguaribe indica Augustus Nicodemus Lopes

Para mim, o Augustus Nicodemus é o mais importante teólogo brasileiro, no momento. Sua obra mais recente, Apóstolos: verdade bíblica sobre o apostolado, é bem apropriada para o período em que vivemos no país; Um alerta para pastores e ovelhas das recentes gerações. Fiquemos alertas, pois, lobos disfarçados de ovelhas estão atacando o rebanho.

Morgana Mendonça indica Paulo Anglada

Seu trabalho como escritor na área da Manuscritologia e Hermenêutica tem me proporcionado um maior conhecimento das Escrituras. Excelente escritor e professor, além de um admirável pregador. Seus livros têm enriquecido nossa teologia reformada brasileira. Anglada é autor de várias obras importantes. No entanto seus últimos livros que tive o privilégio de ler foram Manuscritologia Do Novo Testamento e Sola Scriptura. Suas pregações estão disponíveis e seu arcabouço literário deve ser lido por cristãos, não só para acadêmicos pois seu trabalho tem sido para todo o público interessado na obediência das Escrituras. Por que indicar o Rev. Paulo? Minha resposta é simples: além de ser um grande teólogo reformado, é também, um cristão comprometido com o Reino.

Bruno Silva indica Hernandes Dias Lopes

Indico o Pastor Hernandes Dias Lopes, por ser um homem comprometido com a exposição das Escrituras, e por ser conhecido pela sua devoção e piedade. Possui uma extensa lista de obras publicadas, contudo, gostaria de indicar o livro “Homens de Oração”, escrito em conjunto com Arival Dias Cassimiro.

Thiago Oliveira indica Leandro Lima

Indico o Leandro Lima por seu trabalho na área da escatologia amilenista. Suas exposições sobre o Apocalipse possuem bastante respaldo bíblico. Ele também é brilhante na defesa do calvinismo, denunciando os excessos dos chamados hipercalvinistas. Assinando com L.L. Wurlitzer, publicou Olam, uma obra de literatura fantástica, gênero em que John Bunyan, C.S. Lewis, J.R. Tolkien, Alister McGrath, e muitos outros cristãos já exploraram. É autor de Razão da Esperança, dentre outros.

Luciana Barbosa indica Heber Carlos Campos

Indico reverendo Heber Campos e suas excelentes obras nas mais diversas áreas da teologia. Sobre teontologia temos “O Ser de Deus e Seus Atributos”, na antropologia temos a série de sete livros sobre “O Habitat Humano”, começando em Gênesis, especificamente no Éden (o paraíso criado), e terminando em Apocalipse 21 (o paraíso restaurado), na Cristologia temos “As Duas Naturezas do Redentor” entre outras obras. Por que indico a leitura do Heber? Porque é uma leitura fascinante e de riquíssimo conhecimento.

Fernando Carvalho indica Russell Shedd

Indico o Dr. Russell Shedd por ser um relevante teólogo em nosso tempo, alinhando ensino teológico e aplicabilidade, isto é, testemunho prático. Um dos homens mais piedosos que já conheci, e embora sendo filhos de norte-americanos e tenha se formado em teologia nos EUA, o Dr. Shedd está há muito tempo no Brasil e sua obra extensa foi produzida em território nacional.

Thiago Azevedo indica Elcias Martins

Minha indicação vai para Elcias Martins, professor do S.T.P.N e pastor da 2º igreja Batista em Casa amarela (Recife-PE). Além de ser mentor da minha caminhada no aperfeiçoamento da fé cristã Elcias é um teólogo equilibrado e que possui um domínio como poucos de um dos temas mais importantes do cristianismo, a saber, a graça de Deus. É autor da obra “Como vai sua administração? Uma reflexão prática sobre Mordomia Cristã”. Uma obra que aborda questões práticas sobre mordomia. Possui em andamento uma obra prefaciada pelo Reverendo Hernandes Dias Lopes.

Samuel Alves indica Franklin Ferreira

Indico o Franklin, pastor batista e profundo conhecedor da Palavra e da história da Igreja Cristã. É autor de pérolas da literatura teológica nacional, tais como: “Agostinho de A a Z”, “Servos de Deus”, “A Igreja Cristã na História” e co-autor, juntamente com Alan Myatt, de uma Teologia Sistemática publicada por Edições Vida Nova, editora na qual realiza o importante trabalho de consultor teológico.

26 de out. de 2014

Indicação de Teólogos Reformados



Estamos chegando próximo de mais um aniversário da Reforma Protestante. Quase 500 anos após este evento, a Teologia Reformada ganhou o mundo e vem sido redescoberta nessa primeira década do séc XXI. 

Por conta disso, a equipe de articulistas do Electus decidiu publicar uma indicação de leitura para todos os que estão descobrindo ou querem se aprofundar nos estudos que se originaram da Reforma. Optamos por indicar apenas teólogos do séc XX. 

Aproveitem!!!

Luciana Barbosa indica o Anthony Hoekema:


"Foi um dos grandes nomes na teologia. Seus livros são tópicos centrais na teologia reformada. Sempre cuidadoso na análise bíblica, e o melhor, textos que qualquer pessoa consegue ler e entender.Um dos melhores autores em antropologia, soteriologia e escatologia.

Bruno Silva indica o Augustus Nicodemus:


Um dos teólogos brasileiros mais prestigiados. Um renomado autor, exegeta e pastor. Gostei muito do seu livro sobre Batalha Espiritual. Seu livro mais recente, lançado pela Fiel chama-se Apóstolos.

Wallace Jaguaribe indica o J.I. Packer:


Eu recomendo o eminente Teólogo, por ser um notável estudioso da Bíblia e um brilhante defensor da Teologia Reformada.

Thiago Azevedo indica o Alvin Plantinga*:


A curiosidade em saber mais de seus escritos é que tem me feito debruçar no estudo do inglês. Atualmente possui apenas duas obras traduzidas para o nosso idioma, mas que já respondem questões fundamentais e complexas da fé como a existência de Deus e do mal não implicando em uma contradição. Recomendo ‘Deus a Liberdade e o Mal’ e ‘O conhecimento de Deus’, sendo esta última em parceria com Michael Tooley.

Morgana Mendonça indica o G.K. Beale:


Recomendo muito os escritos do Doutor e professor G. K. Beale, um grande teólogo com muito o que ensinar em suas obras sobre Teologia Bíblica. Tenho me dedicado a exegese e tenho me aproximado de seus livros. Tenho lido ‘Você se torna aquilo que adora’ e ‘O uso do Antigo Testamento no Novo Testamento e suas implicações hermenêuticas’ é extremamente fantástico. Em cada livro, uma belíssima exposição das Escrituras, aguardando a tradução do próximo "The Temple and Church's Mission" (O Templo e a Missão da Igreja).

Fernando Carvalho indica o John MacArthur:


Indico o John MacArthur pela sua pregação expositiva concisa, abordando dificuldades contemporâneas que a Igreja vem enfrentando ao redor do mundo. É um dos pregadores mais influentes na realidade. ‘Com Vergonha do Evangelho’, ‘Pense Biblicamente’ e ‘Escravo’ são seus livros mais destacados”.

Thomas Magnum indica o Martyn Lloyd-Jones:


Foi um dos grandes se não o maior expositor bíblico do século passado. A leitura de Jones em nossa geração é imprescindível. Além de ser conhecido pelos seus exaustivos comentários de Romanos, Atos e Efésios; ele escreveu sobre teologia sistemática, assuntos atuais em Discernindo os tempos e um livro que é leitura obrigatória para qualquer um que tenha recebido o ministério da pregação: Pregação e Pregadores.

Fred Lins indica o John Piper:


Meus primeiros contatos com a literatura de Jhon Piper foram ainda no seminário, mas lembro ainda hoje a minha reação quando comecei a ler ‘A supremacia de Deus na pregação’. É muito mais que um livro acadêmico. É uma belíssima obra que expõe como poucas a relação de Deus com a sua Glória por meio da exposição da palavra. Indico pela profundidade, pela linguagem acessível e pela belíssima leitura que propicia a todos quantos tem a oportunidade de ler a sua obra.

Samuel Alves indica o Geerhardus Vos:


Indico por ser um teólogo revelacional, assim, ao lê-lo vamos mergulhar na mais profunda das maravilhas da revelação especial de nosso Deus. ‘Teologia do AT E NT’ foi o livro que marcou minha vida acadêmica.

Thiago Oliveira indica o Palmer Robertson:


Recomendo o Palmer Robertson por ser um teólogo de muita profundidade e ao mesmo tempo possuir clareza em suas ideias. Ainda a pouco li ‘O Israel de Deus’ e fiquei maravilhado com o equilíbrio e a precisão de sua exegese. Outros dois livros conhecidos do autor são: ‘A Palavra Final’ e ‘O Cristo dos Pactos’. Palmer é conhecido pelo ensino da Teologia da Aliança."

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*Plantinga é um renomado filósofo cristão, e não propriamente um teólogo. Sua educação reformada, estudou no Calvin College, e endossa a visão de Calvino de que Deus implantou o "senso de divindade" ou "semente da religião" na mente humana. Todavia, por questões filosóficas, faz uma defesa do livre-arbítrio para explicar o problema do mal. Ele entra aqui nessa lista como um filósofo que tem um posicionamento protestante ortodoxo reconhecido pela sociedade norte-americana. 

11 de set. de 2014

Resistindo à secularização (2/2)


Por Bruno Silva

O ensinamento à Igreja era um só: “lutar todo tempo contra as pressões e investidas do mundo”. Para nós, igreja contemporânea, ficam aqui alguns ensinamentos da Palavra de Deus.  Nos versículos de 7 à 10 - deste mesmo capítulo - o apóstolo nos mostra os meios, a cura para uma igreja secularizada. Tiago chega em um dos pontos fundamentais na luta contra a secularização que é a origem do mal, o próprio Diabo. Ele diz: “Sujeitai-vos, portanto a Deus; mas resisti ao Diabo e ele fugirá de vós”.

As pessoas têm várias percepções do Diabo. Algumas pessoas acreditam que ele é um ser mitológico, outros acham que é apenas fruto da imaginação criativa dos homens, e ainda há quem acredite que ele não existe. No entanto, precisamos entender que isso são estratégias, do próprio Diabo, para levar vantagem sobre nós, e sermos suas presas fáceis. Tiago nos apresenta estratégias muito práticas para lidar com sua astúcia e termos uma vida piedosa. 

O primeiro é: a submissão ao Senhor. Submeter-se a Deus é estar debaixo de sua autoridade, seguir suas diretrizes, sua Palavra. É ter ouvidos para a voz do Redentor, Cristo! Russell Shedd em seu comentário nos dá uma preciosa definição de Submissão, ele diz: “É estar completamente dependente de Deus em tudo nessa vida, de tal forma que nada é feito sem antes consultar sua Palavra, e ouvir dele a orientação”.[1] Quem assim crê entende que sua vontade é boa, perfeita e agradável (Rm 12:2). Submeter-se a Deus não é um ato de tristeza, não nos traz peso e sim, alegria e deleite.

O segundo é: a resistência ao Diabo. Significa que devemos nos manter firmes diante dele ou nos opormos a ele. Existe uma parcela de culpa por parte do diabo em nossas quedas, mas precisamos nos manter firmes para que ao acontecer o ataque ele fuja de nós. Da mesma forma que aconteceu com Jesus na tentação no deserto. A Bíblia diz que ele o deixou, ainda que por algum tempo, “até momento oportuno”, (Lc 4:13).    

O terceiro é: chegar-se a Ele. Significa que aquele que foi lavado e remido no sangue do Filho de Deus pode se achegar a Ele. Como diz o autor aos Hebreus “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (4:16). No passado éramos proibidos de nos achegarmos a Sua presença, mas agora por causa de Cristo, e somente por causa Dele, podemos nos aproximar da Presença doce e bendita do Pai. Com isso Tiago diz que Ele, Deus, se achegará, (i.é.) aproximará de nós! Significa, que a própria presença de Deus será o nosso galardão. Não, os benefícios que Suas mãos podem dar, e que são muito bons, mas Ele. A seus filhos, o apóstolo, diz que Ele concede: graça (v.6); Sua presença (v.8). Esse lembrete é para todos que podem não estar indo muito bem na sua resistência ao secularismo. Entretanto, não podemos desistir, precisamos confiar e nos aproximar d’Ele.

O quarto é: purificar as mãos e limpar o coração. Purificar as mãos está ligado a ter uma conduta irrepreensível. Os judeus tinham essa prática no cumprimento de seus deveres religiosos e o autor sabiamente faz essa ligação com a nossa prática de vida. Esse confronto é para mantermos nossa vida livre da sujeira do pecado. A limpeza do coração, a qual ele se refere, é mais profundo do que um arrependimento momentâneo. É uma denúncia a todos aqueles que tem uma mente dividida. A expressão: “ânimo dobre” (no grego é dipsuchos) “duas almas”, confronta aqueles que abandonaram o seu primeiro amor. Essa linguagem requer de nós autoexame. Será que os leitores são nascidos do Espírito? De qualquer forma, o genuíno arrependimento é necessário para se achegar diante de Deus.

O Quinto é: um quebrantamento que precede o avivamento. “Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (v.9-10). Precisamos ter em nossos corações esse entendimento da necessidade de um quebrantamento poderoso da parte do Senhor. Na história dos avivamentos o que precedia a conversão de milhares de pessoas era o arrependimento. Richard Baxter em seu livro, Quebrantamento: Espírito de Humilhação, diz: “Um dos usos da humilhação é ajudar na mortificação da carne, ou do “eu” carnal, e aniquilá-la, visto ser esta o ídolo da alma”. E completa: “a humilhação transforma esta torre de Babel em pó, e faz com que detestemos até o pó e cinzas. Ela toca fogo na casa, na qual confiávamos e nos deleitávamos, diante dos nossos olhos; e nos faz não apenas ver, mas sentir que é tempo de nos rendermos”. O que Deus espera é o arrependimento verdadeiro e genuíno. Só o verdadeiro arrependimento poderá gerar em nós a verdadeira alegria. A exaltação da qual ele encerra falando esse trecho é para aqueles que se submetem alegremente a Sua vontade.

Que o Senhor nos ajude em todo o tempo nesta luta contra a secularização. Resistindo fielmente, para que sua glória seja manifestada através de nós, Sua Igreja. Recebendo assim o chamado do Senhor no último dia: “...Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”.  

Soli Deo Gloria!


[1] SHEDD, Russell; uma exposição de Tiago – a sabedoria de Deus. Pág 135

8 de set. de 2014

Resistindo à secularização (1/2)


Por Bruno Silva

Recentemente ouvi uma pessoa, no mesmo coletivo que eu estava, falando a respeito de uma disputa de cargos de ministérios na sua igreja, e como a liderança desta estava se comportando diante deste processo todo. Confesso que fiquei escandalizado com tamanha atrocidade que ouvi. Expressões como: disputa, confusão e inveja, faziam parte de seu discurso. Pensei naquela hora que a grande dificuldade das igrejas evangélicas é - possivelmente - essa falta de entendimento da nossa nova vida em Cristo.

Naquele momento o texto da carta de Tiago, no capítulo 4, para ser mais preciso, me veio à memória. Lembrei-me da exortação daquele pastor às igrejas que estavam na “dispersão” (ARA).

A carta de Tiago é muito prática e livre de embaraços teológicos desde o começo. Essa não foi sua ênfase. Mas podemos observar que mesmo sem se deter aos temas mais robustos da teologia, o apóstolo consegue ensinar a Verdade da Palavra de Deus àqueles irmãos. Seus escritos em muito se parecem com os ensinamentos da “literatura de sabedoria” do Antigo Testamento, conforme encontramos nos livros de Jó, Provérbios, Eclesiastes e em alguns dos Salmos. O autor tinha em mente os crentes fiéis que são um exemplo à religião pura, que passam pela provação. A estes ele encoraja. Mas também, Tiago tem em vista indivíduos mais carnais e egoístas, cuja conduta tem falhado diante do teste da ‘religião pura’. Ele os repreende veementemente.

No texto em que cito acima, o apóstolo faz uma pergunta contra as práticas reprováveis dos cristãos que estão vivendo este secularismo. “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós?” Essa é uma pergunta extremamente desconcertante. Se levarmos em consideração que não é uma pergunta feita a não-cristãos (pessoas que não tem conhecimento da graça salvadora, que não tem conhecimento e envolvimento com a Palavra Viva). Definitivamente NÃO! Essa pergunta é feita para pessoas que fazem parte de um mesmo corpo. De uma mesma igreja local. “Ele está escrevendo para igreja de Deus”.[1]

Tiago usa duas expressões que são muito fortes, e que estão acontecendo na comunidade. “Guerras” (polemos: brigas, conflitos, discórdias) nos dá a ideia de como eram as rixas travadas pelos interesses pessoais. A outra palavra utilizada no texto é “Contendas” (machai), Aqui significa batalhas e inimizades que separam pessoas. Mas “de onde vem?” É a grande pergunta a ser feita. Sua resposta, o apóstolo dá sem nenhuma hesitação: “dos prazeres.” (hedon, que no português é hedonismo). Dos prazeres procurados com intenso desejo. Por isso que os homens entram em guerra uns contra os outros. Por que seus desejos desenfreados entram em conflito com os desejos de outros homens que buscam sua própria satisfação sem controle. Todos querem levar vantagem. Algum prazer que prejudique, que lese o outro. Mas esses prazeres que Tiago fala, não existem por causa de uma influência externa, mas é parte da nossa natureza pecaminosa, da nossa natureza adâmica, caída que precisa constantemente da graça do Senhor. Com isso surge uma segunda pergunta: “De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” É obvio que essa pergunta, nesse contexto, se torna retórica. Tiago sabia que o mal do coração do homem está em sua natureza. Nos lembramos do que o apóstolo Paulo escreve aos romanos no capítulo 7:23 dizendo: “mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros”.  Consideremos ainda o que diz a palavra de Deus em Tito 3:3 “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros”. Isso é nada mais nada menos que o homem disposto a lutar pelos seus “direitos”.      

Mas como essas coisas elas são na prática? Como essas coisas podem acontecer na vida de cada indivíduo que deve resistir a essa secularização? Tiago norteia o nosso entendimento com pelo menos 4 apontamentos que são feitos nos versos seguintes. 1-Cobiça, 2-inveja, 3-lutas e guerras e 4-um pedido soberbo, com o propósito de se vangloriar. Essas quatro são, no mínimo, características de secularização que ele combate dentro daquelas comunidades. Jesus diz que “onde está o nosso tesouro, ali também está o nosso coração”. Quando passamos a viver nossa vida sem ter o Senhor como nosso deleite, nosso prazer, nossa vida estará fadada a perder o foco. Nossa lente ficará desajustada. Existem muitas coisas que o mundo faz para seduzir nossa alma, todavia, nosso coração é um poço de desejo e se Cristo não for o árbitro em nossos corações, certamente viveremos na luta uns contra os outros para obter aquilo que não é nosso e aquilo que Deus nunca nos dará. Apenas por saber o que é melhor para as nossas vidas.

Em algumas igrejas, ditas cristãs, o deus Mamom é invocado constantemente. “Correntes”, “semanas da vitória”, “chave da benção”, tudo isso tem substituído a adoração bíblica tendo Cristo como centro. Uma patifaria, onde os cultos estão ‘cheios’ de corações vazios. Tiago chama isso de Adultério, Infidelidade. A igreja tem apenas um Marido, um Senhor, um dono. Tiago usa a mesma linguagem dos profetas do Antigo Testamento como: Isaías, Jeremias[2], uma linguagem metafórica para descrever a apostasia espiritual, especialmente a idolatria. No caso da igreja esse adultério é a “amizade” com o mundo. O mundo que fornece todo tipo de prazer para o cristão. O Apóstolo João na sua primeira carta no capítulo 2 versos de 15 à 17 diz: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como sua concupiscência; aquele, porém que faz a vontade de Deus permanece eternamente”. O apóstolo João é claro com aqueles que fazem alianças com o mundo, “o amor do pai não está nele”.

É possível experimentarmos esses problemas dentro das nossas igrejas? Sim! Apesar de a Igreja ser uma comunidade dos santos, precisamos lembrar que estamos em um processo de santificação, de mudanças de valores, mudanças da velha vida para a nova vida. É o que Tiago, inspirado pelo Espírito Santo, está fazendo aqui. Essas guerras e contendas, esses desejos insaciáveis da alma humana não pertencem mais a nós que fomos salvos em Cristo. Dizer que somos falhos e usar isso como desculpa para permanecermos como estamos é algo que a Palavra de Deus não nos instrui, pelo contrário, é necessário que seja confrontado em amor com a Verdade! Temos que abandonar o pecado que busca satisfazer nossos “prazeres”


[1] SHEDD, Russell; uma exposição de Tiago – a sabedoria de Deus. Pág. 120
[2] Cf. 54:1-6 e 2:2; 3:20