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12 de dez. de 2016

Liderança segundo Deus

Por Russell Shedd
Uma característica da natureza humana é uma ambição inata. Quem não quer ser alguém? Quem não quer subir no palco e ouvir as palmas bater? Superados os problemas de segurança e alimentação, diz o psicólogo Abraão Maslow, o homem quer sentir que valeu a pena viver. Ele quer fazer diferença, deixar um legado positivo. Apenas existir durante algumas décadas na terra não cria no íntimo aquele sentimento agradável que ele contribuiu algo de valor ao mundo. Se a origem deste incômodo vem de Deus, podemos entender porque Paulo escreveu 1 Timóteo 3:1: Digna de crédito é esta verdade. Se alguém almeja ser bispo (epíscopos, isto é, um supervisor responsável para uma comunidade), deseja uma excelente (kalos, bela, agradável) obra ou função. Poderíamos dizer: "Quem tem a ambição de ser líder de uma igreja cristã, quer algo que satisfará um profundo desejo em seu coração". Examinemos as condições básicas que Paulo alistou para seu discípulo querido, e o ideal para todo aquele que se sente chamado por Deus para conduzir uma igreja local.
Qualificações do líder:


1) O candidato deve querer esta posição. Ainda que seja praxe em concílios, convocados para pedir do pretendente ao ministério pastoral uma confirmação que ele tenha um chamado para tal, Paulo emprega a palavra "quer". Pedro concorda: "Pastoreiem o rebanho de Deus que está aos seus cuidados. Olhem por ele, não por obrigação, mas de livre vontade" (1 Pe 5:2). Sugere que, se falta este desejo, o candidato não deve ser considerado vocacionado por Deus.

2) Deve ser irrepreensível, isto é, sem falhas morais ou éticas que poderiam diminuir sua aceitação da parte de Deus e da igreja como líder.

3) Não pode ser casado com mais do que uma mulher.

4) Deve ser uma pessoa equilibrada sem tendências extremistas.

5) Deve ter domínio sobre suas emoções e apetites. É também o último item na lista do fruto do Espírito (Gl 5.23).

6) Deve ser digno de respeito da parte daqueles que conhecem bem o seu caráter, isto é, ter qualidades de integridade, honestidade e confiabilidade, sem ações e atitudes que desmentem suas palavras. Pratica o que prega.

7) Gosta das pessoas; gosta de hospedar irmãos que necessitam cuidados básicos – casa e comida.

8) Ele tem facilidade em expor o sentido real e prático da Palavra de Deus. Sendo expositor sério da Bíblia, não omite a responsabilidade de explicar e aplicar o texto às vidas dos ouvintes. Mostra no próprio texto como então Deus quer que Seus filhos vivam no contexto da pós-modernidade.

9) Ele evita qualquer comida, bebida ou droga que possa viciá-lo. Sabe do perigo de se escravizar a um prazer que não seja pecado em si.

10) Ele é manso, portanto não reage à provocações com violência, mas está pronto para perdoar. Longe de querer se vingar, ele cumpre o papel de pacificador e reconciliador. Confrontar pecadores não provoca temores exagerados neste servo do Senhor.

11) Não tem uma personalidade briguenta, mas amável. Tem ouvido para os problemas dos membros da igreja e simpatiza com as pessoas nas intermináveis lutas delas.

12) Não tem nem uma só gota de sangue avarenta cursando pelas suas veias. Seu espírito generoso tem somente os limites dos seus recursos.

13) Vive numa casa ordeira, organizada, que reflete sua disciplina pessoal. Seus filhos são respeitosos e obedientes. Eles amam o Senhor e se sentem privilegiados acima dos colegas da escola que não têm pais tão comprometidos com Deus como eles têm.

14) Não é tão novo na fé que os membros na igreja o reputem imaturo. Feliz no serviço de Deus, sua sabedoria excede em muito os seus anos.

Muitas igrejas são lideradas por pastores que carecem de algumas ou mesmo muitas das qualificações que Paulo estipula. Provavelmente, a Timóteo faltava um ou outro destes valores, mas isto não o desqualificou. Ele tinha o aval de Deus segundo 1 Timóteo 4.14! As igrejas terão que avaliar quais são as lacunas que são totalmente inaceitáveis e quais são toleráveis.
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Publicação original disponível aqui

14 de set. de 2016

9 Marcas de um Presbitério Saudável

Por Sinclair Ferguson[1]

Quero fornecer 9 marcas de um presbitério saudável. Presbíteros podem avançar ou retardar a saúde espiritual de uma congregação. A seleção deles, portanto, é vital. Os poucos comentários abaixo são limitados à questão: Como reconhecer quem deveria servir como presbítero?

1. Ao passo que nos arrependeremos de colocarmos a medida abaixo dos padrões das Escrituras em reconhecer homens chamados para o presbitério, podemos também, em nosso zelo, coloca-la artificialmente acima das Escrituras, e falharmos em reconhecer que alguns dos melhores dons crescem no ministério.

2. Lembre-se especialmente que “estar apto para ensinar” (1Timóteo 3.3), com seu corolário de ser apto para “repreender” (Tito 1.9, isto é, usar as Escrituras para os fins aos quais são dadas, 2Timóteo 3.15-16) não especifica a arena. Alguns que são “aptos para ensinar” não se encaixam na pregação pública regular.

3. Busque homens que exibam o espírito, assim como o apego intelectual, da doutrina saudável. Ortodoxia com aproximação é uma grande aspiração em um presbítero (aproximação como o sentido mínimo de “hospitalidade”, Tito 1.8).

4. Exponha a questão mais negligenciada – “Os de fora pensam bem dele?” (1Timóteo 3.7) – e pondere por que essa questão é importante.

5. Escolha aqueles que já estão “entre” o rebanho e o rebanho “entre” eles (1Pedro 5.2). Tendo conhecido as qualificações morais, domésticas, ocupacionais e didáticas, pergunte: “Esse homem ama o rebanho e é amado por ele?”. O comprometimento para com a oração corporativa é geralmente o papel de tornassol.[2]

6. Evite apontar aqueles que se comprometeriam a amar o rebanho se eles fossem chamados para ser presbíteros. É bem melhor ter homens que amam as ovelhas do que homens que amam serem pastores.

7. Procure por homens que são simultaneamente gentis, mas preparados para serem corajosos e preparados para sofrer se necessário – colocar-se na frente para proteger, como também se colocar atrás para seguir! Um presbítero deve ser capaz tanto da repreensão bíblica quanto da restauração gentil (Gálatas 6.2). Homens quietos, com corações quietos, são dignos do seu peso em ouro e podem nos surpreender por sua sabedoria.

8. Faça a pergunta: “Nossa igreja teria vontade, se necessário, de pagar a esse homem um salário para trabalhar entre nós como um presbítero?”. A resposta pode dizer muitas coisas sobre seu ministério no rebanho e a estima que ele tem diante dos olhos deles.

9. Considere quão bem a vida de um homem ecoa os princípios do pastoreio do Senhor no Salmo 23.

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[1] Esse texto é parte de um fórum, onde diferentes pastores compartilham suas experiências na escolha de seus presbíteros. Você pode ler o fórum completo no excelente blog Voltemos Ao Evangelho

[2] papel de tornassol é um teste feito para diferenciação das propriedades de acidez de um composto químico.

20 de jun. de 2016

Deve o pastor ser teólogo?

Por Samuel Alves

Pode parecer absurda minha pergunta, eu reconheço! Após ler alguns livros do Kevin J. Vanhoozer fiquei regozijado e ao mesmo tempo um senso de responsabilidade surgiu. Comecei a refletir sobre o papel do pastor - principalmente como um teólogo público. O pastor evangélico é um homem que transita em todas as esferas da sociedade e se expressa teologicamente, este homem de Deus dá respostas, expõe as Escrituras e transmite todo o conselho de Deus. Criou-se uma caricatura de que pastor é um ser alienado, alguém que não estuda, que sequer sabe se expressar verbalmente e que a religião desse pastor é apenas experiencial e sensitiva. É claro que não se deve generalizar, a grande questão é que a algumas igrejas compraram esta ideia, principalmente as igrejas neopentecostais[1]. Para os neopentecostais só interessa a experiência, é evidente o desprezo pela doutrina. Já cansei de ouvir frases do tipo: “A letra mata, doutrina esfria a fé, o mais importante é a unção e etc.”. Todo esse conceito envolvido em uma dose de pragmatismo leva muitos pastores a reverem seu papel como teólogo público e negociarem a fé, por este motivo muitos pastores parecem administradores e marqueteiros da fé. Neste tempo de onde o pastor é tido com uma pessoa irrelevante volto meu olhar para a Bíblia e vejo que Deus deu pastores a sua igreja (Efésios 4.11). Mas quem são estes homens que Deus deu a igreja e o que Deus espera deles? Esta é a pergunta que deve estar em nossa discussão, vivemos uma crise existencial e isto faz muitas vezes alguns líderes desprezarem seu chamado enquanto outros abusam de sua autoridade. O Vanhoozer[2] faz uma citação excelente sobre este homem que Deus deu a igreja:

Eis o paradoxo central: o pastor é uma figura pública que não deve fazer nada para o próprio benefício, que não deve falar com o objetivo de atrair atenção para si, mas para longe de si – ao contrário da maioria das celebridades contemporâneas. O pastor deve apresentar alegações de verdade com o objetivo de ganhar pessoas não para a sua maneira de pensar, mas para a maneira de pensar de Deus.


Este é um grande ponto para reflexão e recuperação, muitos pastores vocacionados estão sendo enviados para o seminário com uma visão distorcida do ministério. Um dos meus conflitos como seminarista muitas vezes foi tentar conciliar aquilo que aprendi a luz das Escrituras na igreja local. Em alguns momentos percebi que a doutrina era desprezada em detrimento de um pragmatismo anti-bíblico, convivi com frases do tipo: “os irmãos não tem maturidade para ouvir isso, eles vão perder a fé e etc.”. Este é grande desafio que o pastor como teólogo público enfrenta: como fazer que a dona de casa, o médico, o pedreiro, o auxiliar de escritório compreendam o evangelho? Simplesmente pregando e ensinado todo o conselho de Deus!

Esta é a ordenança, o pastor deve ser apto ao ensino (1 Timóteo 3.2), ensinar a Bíblia é crucial para o trabalho pastoral, precisamos entender que lideramos usando o exemplo de Cristo e Cristo ensinava com autoridade, em Cristo encontramos a essência do ministério pastoral, vemos na pessoa de Cristo ensino e compaixão pelas pessoas. Jeramie Rinne[3] faz a seguinte observação em seu livreto:

O que é mesmo um pastor? A palavra grega poimen, traduzida por “pastor”, significa “aquele que apascenta/pastoreia”.  Poimen pode referir-se a quem apascenta em sentido literal, como pastores encontrados em nos campos, no relato natalino de Lucas. Com muito mais frequência, porém, poimen se refere a Jesus, nosso bom pastor. [...] Assim, o pastor é quem apascenta, e pastorear significa cuidar do rebanho. Não surpreende que o vocábulo português “pastor” provenha da palavra latina “pastor”, que significa... apascentador!

Voltando nosso pensamento para o Texto de Efésios 4.11 podemos concluir que pastor e mestre andam juntos para descrever um só ofício e papel. Os pastores devem ser pastores-mestres e servirem a igreja de Cristo, assim como um médico cuida da saúde de pessoas o pastor cuida da alma das pessoas ao cumprirem seu chamado, em nenhum momento a Bíblia desassocia doutrina e piedade, ensino e prática. A doutrina correta anda junta com a prática e a compaixão (ortodoxia, ortopraxia e ortopatia).

É neste ponto que destaco o papel da doutrina na vida do teólogo público. A doutrina é uma ajuda indispensável na caminhada da igreja em busca de maturidade e crescimento espiritual. A teologia não é apenas uma teoria abstrata e irreconciliável com a vida piedosa, precisamos entender que a piedade vem justamente com a doutrina correta aplicada em nosso cotidiano. Precisamos ensinar a igreja de Cristo que a doutrina permeará nossas atitudes e decisões éticas. A ética que ensinamos é a ética do reino de Deus e isto fara diferença substancial na vida dos santos e sua vivencia em comunidade.

Uma crítica que muito se ouve é que muitos pastores não vivem o que pregam.  É um ponto para pensarmos e avaliarmos: o que os crentes pensam de nós? Precisamos pautar nosso ministério no “De acordo com as Escrituras”, é claro que muitas vezes seremos acusados injustamente, o ponto que destaco aqui é a atitude de Neemias e o Cyril Barber faz a seguinte exortação em seu livro:[4]

[...] quando os inimigos de Neemias atacaram a sua pessoa ele sentiu instintivamente que estava perdendo o pulso da situação. Sua resposta, portanto, foi negar a acusação, entregar toda questão ao Senhor, e depender do fortalecimento divino para continuar a obra. Ela não gastou tempo tentando justificar-se. Levando os seus problemas ao Senhor em oração, deixando tudo nas suas mãos, ele preservou sua estabilidade emocional. Assim, ele estava apto a continuar com a construção e deixar para o Senhor a defesa de sua pessoa. Se ele não tivesse feito assim, teria gasto o resto do dia preocupado com os seus problemas... até que estes vencessem.

Em meio as críticas e acusações injustas deveremos ter compromisso com Deus e sua Palavra. O foco aqui não é a opinião pública e sim agradar o Senhor e fazer sua vontade. Muitos jovens pastores convivem com este problema, agradar a opinião de alguns membros da igreja ou a Deus, e aqui, mais uma vez me abrigo nas palavras do Vanhoozer:[5]

A teologia é uma ciência no sentido de que diz respeito ao conhecimento de Deus, mas talvez “ciência” não seja o melhor rótulo para descrever esse conhecimento ou a razão pela qual a doutrina é importante para os discípulos. No reino secular, ciência significa o domínio de algum campo resumido em um sistema de conhecimento. Saber alguma coisa cientificamente é ser capaz de controla-la, usá-la em nosso proveito. Ninguém “domina” o projeto de viver de forma abençoada com os outros perante Deus.

Este pensamento reflete bem as polaridades que muitos pastores vivem. Uns negligenciam o ensino doutrinário, pregam um evangelho humanista, antropocêntrico e abusam de sua autoridade. Por outro lado, outros se dobram ao sistema e opinião pública em detrimento de uma falsa piedade, é neste conflito que se perde totalmente a visão do que é o verdadeiro chamado do pastor-teólogo. Não fomos chamados para controlar as pessoas, fomos chamados para apascentar e ensinar. Como cumpriremos esta tarefa? Ensinando todo o conselho de Deus! Respondendo à pergunta inicial “deve o pastor ser teólogo?” Sim, deve. Aliás, para pastorear a igreja do Senhor é obrigatório ensinar.
Soli Deo Gloria!



[1] O neopentecostalismo ou terceira onda do pentecostalismo é um movimento sectário dissidente do evangelicalismo, que congrega denominações oriundas do pentecostalismo clássico ou mesmo das igrejas cristãs tradicionais.

[2] VANHOOZER, Kevin J. O pastor como teólogo público: recuperando a visão perdida. São Paulo, Ed. Vida Nova. 2016. p. 34.

[3] RINNE, Jeramie. Presbíteros: Pastoreando o povo de Deus como Jesus; Tradução Rogério Portela. São Paulo: Vida Nova, 2016. p. 39.

[4] BARBER, Cyril J. Neemias e a dinâmica da liderança eficaz. São Paulo: Vida, 2003, p. 90.

[5] VANHOOZER, Kevin J. Encenando o drama da doutrina: teologia a serviço da igreja; Tradução de A.G de Medeiros. São Paulo: Edições Vida Nova. 2016. p. 21.

6 de jun. de 2016

O Apóstolo Paulo encontra Mário Sérgio Cortella

Por Alan Rennê Alexandrino

Certo dia o apóstolo Paulo, numa visita ao Brasil, resolveu participar de um congresso sobre Liderança promovido por uma igreja evangélica. Na propaganda do congresso constava a informação de que o principal palestrante seria o filósofo e educador brasileiro, Mário Sérgio Cortella. Paulo percebeu que dentre as qualificações de Cortella se destacava o seu doutorado em Educação, obtido em 1997, na PUC-SP, sob a orientação do patrono da educação brasileira, Paulo Freire. O apóstolo Paulo deveras ficou curioso e decidiu participar da programação.

Chegado o grande momento, Paulo ocupava um assento na primeira fileira, regalia obtida por ser um membro do verdadeiro colegiado apostólico. O palestrante, Mário Sérgio Cortella, abordava o tema A ARTE DE LIDERAR. A palestra caminhava para o seu final e, no geral, o apóstolo Paulo considerou a palestra interessante e com insights perspicazes. É verdade que muito do que Cortella afirmou era fundamentado no marxismo esposado por ele, mas, ainda assim, algumas colocações foram bastante úteis. No entanto, na conclusão da palestra, Cortella fez uma afirmação que, imediatamente, despertou sentimentos variados na mente do apóstolo Paulo. Cortella repetiu uma frase sua já bem conhecida: “Elogie em público e corrija em particular. Um líder corrige sem ofender e orienta sem humilhar”.

Imediatamente o público irrompeu em efusivos aplausos e ovacionou a sabedoria de Mário Sérgio Cortella. Ao testemunhar a aceitação irrestrita do ensinamento de Cortella, bem como a maneira acrítica como seminaristas e futuros pastores presentes receberam a frase sobre correção, Paulo não pôde fazer outra coisa senão se entristecer diante do estado da igreja evangélica. Ele percebeu que aquelas pessoas apoiavam a ideia do “Elogie em público e corrija em particular” como sendo verdadeira.

Foi aí que, discretamente, ele subiu ao palco do auditório e tomou em suas mãos o microfone. Ao ver a cena, o público, atônito, calou-se e ficou a observar. Paulo disse as seguintes palavras: “Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado?” (Gálatas 3.1). Ele continou: “Não recordais? Não lembrais, de quando Cefas foi a Antioquia e foi necessário que eu lhe resistisse face a face porque se tornara repreensível? De como ele se envergonhou de comer com gentios como vocês e, quando os judeus chegaram, ele fez de conta que não tinha nenhuma relação com aqueles gentios? Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se tu, sendo judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2.14).

Ouvindo isto, o público começou a se retirar do auditório. Alguns até vaiaram o apóstolo. A única reação de Paulo foi dar um suspiro de tristeza e dizer ao Pai: “Tende misericórdia, Senhor!”


Kyrie eleison!

29 de abr. de 2016

Indicação de Livros para Pastores



Alguns de nossos articulistas exercem o pastorado e tem contribuído para preservar e propagar a sã doutrina no âmbito da igreja local. Como muitos pastores e também candidatos ao pastorado leem o nosso blog, decidimos fazer uma pequena lista de indicações especialmente para aqueles que têm a honrosa e diligente vocação para cuidar do rebanho do SENHOR. Cada articulista indicou uma obra apenas, dando um total de cinco livros que como diz um outro pastor – Jonas Madureira – você não pode passar dessa vida para outra sem lê-los. Em cada endosso há o link para que você possa obter informações e também adquirir as obras. 

Vamos as indicações!



Paul Tripp é escritor profícuo, palestrante e principalmente pastor, e isso, o respalda para falar do assunto. Esse livro me surpreendeu! De forma prática e clara o autor trata de temas relevantes e reais da vida do pastor. Ele nos leva a fazer um autoexame constantemente de acordo com a progressão da leitura. O livro nos ajuda a olharmos pra nós mesmos, para o nosso coração a partir das Escrituras e identificarmos os nossos pecados. O mesmo nos confronta a todo instante, nos deixando desconfortáveis diante da exposição das nossas falhas e limitações. São momentos de autorreflexão que nos incentivam humildemente à mudanças. O mesmo trabalha temas diversos sobre a vida e ministério pastoral, sempre de forma expositiva; Ele Trata das nossas guerras, dos nossos medos e temores, de mentes brilhantes quanto à teologia, mas corações doentes, de uma identidade que precisa ser achada e tratada pelo espelho da Palavra, da Gloria própria que precisa ser eliminada, da pregação centrada em nós mesmo e de perigos diversos quê assolam o ministério pastoral. Esse livro me fez ver, a necessidade que temos de sermos pastoreados, como diz o autor: “que possamos desativar o nosso advogado interior, o eu, abrindo o coração para ser tratado”.



Gostaria de indicar este livro do John Sittema. Uma obra que aponta para os desafios que surgem no seio da igreja e como um presbítero deve agir. Esta valiosa literatura nos mostra a responsabilidade pastoral do presbítero e nos leva refletir sobre o resgate de uma liderança bíblica em nossas igrejas locais. 



Um livro importante que levanta uma reflexão e uma discussão salutar e profunda sobre o pastorado como um exercício de teologia pública não apenas numa visão reducionista do termo como restringindo-o a uma teologia cultural, mas, um exercício teológico de atuação pública na pregação, visitação, aconselhamento pastoral e demais atividades relacionadas ao ministério da Palavra; como atuante na esfera pública não num âmbito rasteiro, mas, amplo, largo, profundo e denso. O livro é uma leitura importante para pastores e seminaristas que desejam frutificar em seu serviço a Deus com uma teologia sólida e pastoral.


Fui presenteado com esse livro. Foi o primeiro que li após assumir o pastorado de uma igreja local. Partindo das orações de um ministro puritano (George Swinnock), o autor expõe os deveres e anseios pastorais para que redundem em maior glória a Deus. O livro ainda contém um sermão de Swinnock quando este se despediu de sua congregação. Em tempos de confusão sobre o que venha a ser um pastor fiel, este livro tenta resgatar as bases do pastorado, que são a fidelidade à Palavra e humildade. Como o velho puritano diz: “...o ministério pastoral não é uma escolha de carreira profissional. Ele é um chamado elevado e santo”.



Publicado pela Moody Publishers. Sabe-se que a Cultura Cristã publicará este livro ainda neste ano. Ele aborda questões já conhecidas como o chamado para o ministério e as diversas funções constituintes do múnus pastoral. Os capítulos de que mais gosto são: o de nº 6, em que os autores abordam a necessidade de o pastor continuar estudando; o de nº 10, sobre a responsabilidade pastoral na condução do culto solene; e o de nº 14, onde eles abordam, dentre outras coisas, o desencorajamento e as críticas enfrentados pelos ministros do evangelho. Certamente, quando for publicada em português, esta obra será de grande auxílio. Se você lê inglês, então leia-o.

13 de nov. de 2015

Fatores que evidenciam uma Crise Pastoral

Por Thiago Azevedo

Em dias de crise econômica e escassez ética, nada melhor que refletir sobre as motivações que possam gerar uma situação igual a que estamos vivendo no contexto político de nossa pátria. Refletir sobre o tema específico é proveitoso. É justamente isso que iremos fazer neste conteúdo. Porém, não direcionaremos nossa reflexão à crise político-econômica de nossos dias. Pois, ao abordar este tema, necessariamente, outros temas viriam à baila. E se fizermos uma busca pelo ponto cerne de tudo, sem sombras de dúvidas, chegaríamos ao pecado como causa. Mas, a crise a ser abordada aqui, bem como suas causas, é na realidade outra, e que tem se instaurado em outro ambiente, a saber, no ministério pastoral. Há anos que temos introduzido no cenário religioso tupiniquim uma verdadeira “Crise Pastoral”. Em primeiro lugar, precisamos definir termos: Poimen, este que é o termo utilizado para pastor em grego e que significa supervisionar o rebanho – cuidado contínuo, zelo, preocupação com bem-estar e saúde das ovelhas. Observando o significado do termo em si, logo nos vem algumas dúvidas, a saber: Por que tantas pessoas que se aventuram no ministério pastoral não possuem essas características? Por que tantos que se aventuram neste ofício realizam a lógica contrária, a saber, obter vantagens próprias por meio das “ovelhas” ao invés de ampará-las? Na realidade, vivemos uma grande “Crise Pastoral” sem precedentes. Neste texto, tentarei destacar alguns dos principais motivos de tal crise.

5 de nov. de 2015

Um Bom Ministro de Cristo

Por Alan Rennê Alexandrino

“Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido”(1Timóteo 4.6).

Certa feita tive a honra de participar de um culto em ações de graças pela jubilação de um fiel ministro de Cristo. De fato, o pastor em questão é um fiel servo de Deus, um homem zeloso pela Palavra. Na ocasião várias pessoas receberam a oportunidade para testemunhar algo do pastor jubilado. Um deles afirmou que algo que chamou a sua atenção, foi o fato de nunca ter encontrado uma pessoa sequer para expressar alguma queixa contra o pastor. De acordo com a testemunha, isso mostrava que aquele ministro era, verdadeiramente, um bom pastor.

2 de set. de 2015

O Pastor precisa mesmo ser Teólogo?

Por Richardson Gomes

Mais uma vez, dirijo-me aos pastores. É importante deixar claro que não falo como pastor, mas como ovelha que tem alguns pedidos a fazer. Não falo em tom de superioridade, mas com muito carinho e respeito aos pastores. Tem sido semeada em muitas igrejas - e até em instituições teológicas - a ideia de que ser pastor não é ser teólogo. Antes de qualquer coisa, quero esclarecer que não sou a favor de uma teologia sem espiritualidade, nem de que o conhecimento bíblico apenas, sem que haja uma vida piedosa, seja suficiente. Também não estarei dizendo que não se pode ser pastor sem ter feito algum curso teológico. O ponto não é esse e não entrarei nessa questão.

29 de jul. de 2015

Há Pastores dados por Deus...Outros são Fabricados!

Por Thiago Azevedo

É preciso entender que toda e qualquer expressão que haja nas Escrituras Sagradas é permeada de sentidos e significados. Estudar estes sentidos e estes significados seria uma das principais atividades do estudante da Bíblia. Quando Jesus se auto intitula como sendo o pão da vida e que desce do céu (Mateus 6:33-35), ele na realidade conhece o contexto daquele povo ao qual fala, contexto de privação de comida. Jesus se utiliza de um recurso metafórico para creditar o que está falando. Ora, as pessoas tinham necessidade e ao mesmo tempo escassez de alimento, alguém dizendo que é pão, no mínimo, teria a atenção de quem tem fome. Não foi muito diferente a isso o encontro de Cristo com a mulher samaritana. Nesta ocasião, Jesus fala de uma água viva com qualidade de saciar a sede de forma perene. Imagine agora uma pessoa que busca água todos os dias, percorre quilômetros para isso, esforça-se tanto em retirar a proteção do poço para ter acesso à água como em coletar água no fundo do poço, carrega peso, manuseia animais para este fim, etc. Jesus usa a expressão água viva em paralelo à sua pessoa (João 4:10-15). O espanto daquela mulher pode ser visto sem demora no versículo 15 onde ela pede desta água, para não ter mais sede e para não precisar mais ir até o poço retirá-la. Em um cenário de escassez de água, quem não queria tê-la de forma perene?

24 de jul. de 2015

Da Necessidade de Coerência entre Pregação e Vida do Pregador e a sua Incapacidade

Por Alan Rennê Alexandrino

Introdução

Não há tarefa mais importante para um Ministro do Evangelho do que expor as Sagradas Escrituras, a fim de alimentar o rebanho do Supremo Pastor, o Senhor Jesus Cristo. A tradição cristã reformada entende acertadamente que a fiel pregação é a Vox Dei, a voz de Deus falando ao povo da aliança reunido em assembleia solene no dia do Senhor. A Segunda Confissão Helvética, datada de 1562 e escrita por Heinrich Bullinger, em seu primeiro artigo afirma: “A pregação da Palavra de Deus é a Palavra de Deus”.[i] Tão séria e solene é a tarefa da pregação, que o apóstolo Paulo, escrevendo aos romanos, afirmou: “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? [...] E, assim, a fé vem pela pregação, e a pregação, pela palavra de Cristo” (10.13-15,17). É pela pregação da Palavra de Deus, como instrumento, que o Espírito Santo regenera o coração do pecador e o traz à fé em Jesus Cristo. Tiago, em sua epístola, afirmou que, segundo o querer de Deus, fomos gerados “pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas” (1.18).

30 de jun. de 2015

10 Razões pelas quais os líderes evangélicos atuais não me representam

Por Thiago Azevedo

Tendo em vista que Adão fora nosso primeiro representante na terra e que sua representação deixou a desejar (evidentemente que tudo dentro dos decretos divinos), o evangelho atual não possui bons representantes. Este legado adâmico se torna uma realidade quando observamos a postura de alguns homens ditos representantes evangélicos atuais. Em função disso, pretende-se com este texto elencar apenas dez motivos pelos quais um verdadeiro cristão, aquele que se pauta pelas Escrituras Sagradas, não deve ter os líderes evangélicos atuais como seus representantes. 

25 de jun. de 2015

Pastores Leigos (Série: Os Sete pecados da Igreja contemporânea)

Por Daniel Clós Cesar

Recentemente li uma pesquisa feita pela sociedade bíblica estadunidense, e apontava que mais de 50% dos pastores daquele país nunca leram toda a Bíblia, e estamos falando de uma pesquisa que se baseia unicamente na resposta dada pelo entrevistado, isto é, este número, pode e deve ser muito maior. Uma outra pesquisa aponta que pelo menos 85% dos pastores em serviço hoje no Brasil não possuem formação teológica alguma... Ok, são pesquisas feitas em duas nações diferentes, mas acredito ser possível traçar algum paralelo.

6 de jun. de 2015

A Síndrome de Eurico

Por Thiago Azevedo

Há algumas semanas o mundo do futebol ficou chocado com mais uma declaração do senhor Eurico Miranda, presidente do Vasco da Gama.  O Sr. Eurico teceu um comentário em resposta as possíveis críticas vindas de alguns dos próprios atletas do clube, e proferiu a seguinte frase: “Aqui no Vasco, ninguém pode ter opinião diferente da minha” (veja aqui). 

28 de abr. de 2015

9 marcas de uma igreja doente

Por Kevin DeYoung

Graças a Mark Dever, muitos de nós estão acostumados com as 9 Marcas de uma Igreja Saudável. Por mais que a intenção nunca tenha sido a de dar a palavra final sobre tudo que uma igreja deve ser ou fazer, essas nove marcas tem sido de grande ajuda ao lembrar os cristãos (e os pastores em especial) do conteúdo necessário que muitas vezes nos esquecemos por viver em uma época guiada pela estética.

De certa forma, as nove marcas de uma igreja doente poderiam simplesmente ser o oposto de tudo aquilo que torna uma igreja saudável. Assim, igrejas doentes ignoram membresia, disciplina, pregação expositiva e todo o resto. Mas os sinais dos males da igreja nem sempre são tão óbvios. É possível que sua igreja ensine e entenda todas as coisas certas e mesmo assim esteja em um estado terrivelmente doentio. Sem dúvidas, há dezenas de indicadores de que uma igreja se tornou disfuncional e doentia. Mas vamos nos limitar a nove.

3 de fev. de 2015

Ferramentas Indispensáveis ao Pastor

Por Kevin DeYoung

Que ferramentas todo pastor deve possuir? Que habilidades ele precisa ter? Ou, perguntando com franqueza: o que um pastor tem de fazer razoavelmente para ser um bom pastor?

Observe o que não estou perguntando. Não estou perguntando sobre a teologia do pastor. Ou sobre a sua santidade pessoal. Ambas são essenciais e mais importantes do que algum dom específico. Todo pastor precisa cuidar bem de sua vida e de sua doutrina (1 Tm 4.16). Mas, o que um pastor tem de fazer? Esse é o assunto deste artigo.

Admitamos que ele está indo bem nas áreas de caráter e de convicção. Mas, o que se exige dele quanto à competência?

Em seguida, apresentamos uma lista que não é exaustiva. E, com certeza, não reivindicamos ser excelentes em cada área. Todavia, com base em minha experiência, um pastor de igreja local – estou pensando, em particular, no papel de pastor principal ou de pastor único – tem de ser competente em cinco áreas.

1. Um pastor tem de ser capaz de ensinar. Uma das cinco diferenças existentes nas qualificações de presbíteros e diáconos e a única habilidade na lista é que o presbítero seja “apto para ensinar” (1 Tm 3.2). Se o pastor é o único ou o pastor principal, ele labutará especialmente na pregação e no ensino (1 Tm 5.17). As igrejas suportarão várias deficiências, porém muitas igrejas ficarão impacientes com um pastor que não sabe ensinar.

É verdade que ensinar e pregar são habilidades que se desenvolvem com o passar do tempo. Por isso, talvez seja difícil determinar se um jovem é “apto para ensinar”. Contudo, antes de alguém entrar no ministério, ele deve ser capaz de comunicar a Palavra de Deus com alguma medida de confiança e clareza.
Algumas coisas que devemos examinar:

• Ele gosta de ensinar? Se não gosta, não melhorará no ensino.

• Ele pode se comunicar com as crianças? Seria um grande treinamento e um admirável campo de prova se os pastores trabalhassem como professores de alunos das primeiras séries, antes de entrar no ministério de tempo integral. Bons mestres sabem como tornar compreensíveis verdades profundas. Em contraste, se você torna confusas coisas simples, talvez não tenha o dom de ensino, ainda não.

• Ele gosta de ler? Alguns pastores leem bastante. Outros lerão devagar ou sem muita freqüência. Mas, se um pastor não gosta de ler (supondo que ele tem acesso a bons livros), ele dificilmente crescerá em profundidade e amplitude de discernimento. Se um pastor não tem fome por aprender, talvez não ajudará outros a aprender.

2. Um pastor tem de ser capaz de relacionar-se com as pessoas. Há muitas maneiras de um pastor conectar-se com seu povo. Ele pode fazer visitas aos enfermos, ou mentorear pessoas individualmente, ou liderar grupos pequenos, ou trabalhar para que haja mais envolvimento da equipe de colaboradores. Sempre haverá pessoas ao redor do ministério; e um bom pastor se esforçara para estar disponível a pelo menos algumas dessas pessoas.

Os relacionamentos assumem muitas formas. Você pode ser um pastor extrovertido e gregário ou um introvertido meditativo. Alguns de nós somos bons em bate-papo. Outros odeiam isso e preferem um convívio mais próximo e quieto com outra pessoa. Não estou dizendo que o ministério pastoral é somente para os sociáveis. Mas, se um homem não pode lidar cordial, gentil e amavelmente com as pessoas, ele deve pensar duas vezes em ser um pastor.

Uma boa pergunta a ser considerada: este homem faz amigos com facilidade? Eu hesitaria em chamar um pastor que luta para fazer e manter amigos.

3. Um pastor tem de ser capaz de liderar. Isso pode nos enganar. Ao usar o vocábulo “liderar” não quero dizer que todo pastor tem de ser um empreendedor ousado. Mas ele deve ter pessoas que o seguem. Tem de ser disposto a tomar uma posição, ser impopular às vezes. Precisa de coragem e da habilidade de tomar decisões desagradáveis. Se um homem tem necessidade de ser apreciado por todos, em todo o tempo, ele não está pronto para ser um pastor. Um pastor não deve ter medo de influenciar. E, se ele não é um visionário ousado, deve ser aquele tipo de líder que encoraja outros que têm dons de liderança mais destacados.

4. Um pastor tem de ser relativamente organizado ou cercar-se de pessoas que podem fazer isso por ele. Eu queria usar a palavra “administração” para referir-me a esse assunto, mas decidi não usá-la por receio de ser mal compreendido. Não creio que os pastores precisam ser gurus administrativos. De fato, penso que nenhum pastor entrou num seminário com o sonho de que poderia ser capaz de manter a igreja cumprindo sua função tranquilamente. Administração não é a essência do ministério; pelo menos, não deveria ser.

No entanto, não podemos evitar isto: um pastor tem de possuir alguma habilidade básica de organização. Ele não pode esquecer sempre os seus compromissos ou chegar atrasado em cada reunião de presbíteros. O pastor precisa retornar as chamadas telefônicas e entender como se realiza uma reunião. Na verdade, todos esquecemos coisas. Todos nós falhamos de vez em quando. Ser um pastor não exige onisciência ou onipotência, mas temos de ser responsáveis. Certo ou errado, talvez a sua igreja não perceba imediatamente que você parou de estar com as pessoas e que você não tem capacidade de liderar, mas a congregação perceberá logo que não pode depender de você.
Competência administrativa básica é exigida para o ministério pastoral. Se você não tem essa competência como pastor, ache pessoas que têm e permita que elas cuidem de você.

5. Um pastor tem de orar. Se essa ferramenta ficar corroída, ninguém saberá; pelo menos, não a princípio. É impossível sobreviver como pastor sem as outras quatro habilidades. Contudo, infelizmente, é fácil sobreviver e, até, prosperar no ministério sem essa ferramenta. O pastor que prospera sem oração não é o pastor sob cujo ministério quero estar, nem o pastor que desejo ser. Podemos realizar muito em nós mesmos, mas o que realmente importa exige oração, porque exige a presença de Deus. Um homem que não ora não deve pregar.

Como você mesmo pode testemunhar, essas cinco competências não são iguais em importância. As competências 1, 2 e 5 são essenciais e devem ser o foco do ministério. As competências 3 e 4 podem ser evitadas por algum tempo, mas não podem ser ignoradas. Em minha experiência, todas as cinco habilidades são necessárias ao ministério pastoral. Alguns pastores serão excelentes em várias dessas competências. Alguns serão muito bons em uma área ou muito bons em outras. Nenhum pastor será um modelo de todas essas cinco áreas. Se eu tivesse de avaliar um aluno de seminário que está prestes a entrar no ministério, ou se fosse membro de uma igreja que está à procura de um pastor, desejaria ver competência básica em cada uma dessas áreas.
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Traduzido por: Wellington Ferreira
Do original em inglês: Requisite Tools
Fonte: Ministério Fiel

27 de jan. de 2015

Sobre Pregadores Engraçadinhos


Por Thiago Oliveira

Hoje estamos vivendo um período em que as pessoas acham que a Igreja deve fazer de tudo para agradar os fiéis. Mudar antigas convenções não tem a motivação de glorificar a Deus. Absolutamente! Mudam-se as coisas para atrair mais pessoas.A Igreja precisa ser ao gosto do freguês. O segmento evangélico transformou-se num bandejão, onde você degusta o que quiser e por fim escolhe o prato que mais lhe agrada. Nesse afã de querer agradar a gregos e a troianos, o culto tem se transformado num verdadeiro circo. Além de aparecerem diversas manifestações artísticas de qualidade duvidosa, temos também as pregações transformadas em palestras motivacionais, e o que é pior: apresentações humorísticas.

Estava eu no Facebook e me aparece uma sugestão de página para curtir. Tratava-se da página de um Senhor que tem por slogan: "Um Pastor Cheio de Graça".Eu já conhecia o sujeito, pois o vi dar uma entrevista num talk show. Ele costuma ministrar para casais e sua peculiaridade é fazer piadas. Depois que ele apareceu na TV, muitos foram os vídeos do YouTube que apareceram na timeline de amigos meus, nas redes sociais, elogiando a sua forma engraçada de transmitir a Palavra.

Francamente,não vejo com bons olhos um pregador que coloca um slogan de humorista para projetar o seu ministério, se é que posso chamar assim. Não quero aqui dizer que este homem não é cristão. Também não digo que ele está mal intencionado. O grande problema é que também erramos com boas intenções. Faço minhas as palavras do Dr. Martyn Lloyd-Jones quando ele diz em seu livro (Pregação e Pregadores, p.224) que: “O indivíduo que força a si mesmo para ser divertido é uma abominação e jamais deve ter permissão de ocupar o púlpito. Esta opinião se aplica ao homem que faz isso deliberadamente, para obter as boas graças de seus ouvintes”.


Muitos de nós esquecemos que o culto é para Deus, e este deve ser o princípio regulador.Não devemos nos pautar em princípios sentimentais, estéticos e mercadológicos.O culto é uma demonstração de fé, gratidão e louvor ao Deus que nos amou primeiro e nos transportou das trevas para o Reino do Filho do seu amor. Só o SENHOR é digno de ser adorado e para isto a Igreja se reúne periodicamente. O culto feito ao nosso bel-prazer, para nosso deleite, não é aceito por Deus. Ele só se compraz da adoração que O glorifica, não sendo assim, Ele rejeita a nossa maneira de cultuar, por mais agradável que ela nos pareça.

Quando moldamos o culto segundo as nossas preferências, corremos o risco de contrair a ira divina sobre nossas cabeças. Se não obedecermos o que Deus predeterminou em sua Palavra, estamos em apuros. Um exemplo claro é o que aconteceu com Uzá (leia 2 Sm 6. 1-11). Ele foi fulminado porque tocou a arca da aliança. A arca estava sendo transportada num carro de boi, quando na verdade, ela deveria estar sobre os ombros dos sacerdotes, tal como Deus havia estabelecido. Uzá morreu, mesmo bem intencionado, por causa do amoldamento que foi feito a uma questão litúrgica. E nós, porque achamos que podemos moldar o culto da forma como bem entendemos?

Deus é glorificado através da séria exposição da Sua Palavra. Ele é glorificado a cada vez que o pregador deixa claro que não está levando uma mensagem que é fruto de sua imaginação, e sim a própria voz divina que é capaz de converter os pecadores de seus maus caminhos. Não é preciso muito. Importa sermos fiéis as Escrituras e deixar que o Espírito Santo trabalhe para edificar, consolar e converter os que ali se fazem presentes. O pregador precisa ter cuidado com gracejos, anedotas e ilustrações, pois muitas vezes, eles tiram o foco na Palavra e os ouvintes se acostumam a ouvir o pregador apenas porque se identificam com seu apurado senso de humor, ou pela sua aguçada imaginação .

Não estou dizendo que no púlpito o mensageiro deve ser carrancudo e enfadonho. Ele pode ser alguém simpático, de aparência leve e até vibrante. Todavia, precisa compreender que sua missão não é fazer com que as pessoas o considerem engraçado ou atraente, mas sim levar cativas ao SENHOR a mente dos seus ouvintes. Todos precisam olhar para si, enxergar sua pequenez diante da grandeza e da glória de Cristo e humildemente se aproximarem do trono da graça com orações e súplicas.

Charles Haddon Spurgeon, um dos maiores pregadores que passou por este mundo, era alguém muito bem humorado e que contava algumas histórias engraçadas em seus sermões. Certa vez, uma irmã o repreendeu por isso. Spurgeon não ficou ofendido e confessou aquela senhora que se ele não se controlasse e podasse a si próprio, corria o risco de contar muito mais gracejos. O que esse episódio nos ensina? Que é necessário podar nossa personalidade (Spurgeon era alguém engraçado por natureza) para que não seja ela a maior evidencia em nossos sermões. A glória deve ser exclusiva para Deus, é necessário que Ele cresça e que nós diminuamos. 

Termino alertando a você – pregador - que busque a Deus em oração, pedindo para que Ele venha moldar sua maneira de estudar, preparar e pregar o seu sermão, de uma forma que suas mensagens sejam tão cristocêntricas que você seja sempre ofuscado pelo brilho do Filho de Deus. Alerto também aos crentes de modo geral a se perguntarem: Estou cultuando a Deus ou estou satisfazendo as minhas preferências? Se a resposta for a primeira, então amém. Se for a segunda, ore para que o SENHOR venha mudar o teu coração e que você encontre satisfação na Palavra de Deus, sem necessitar de nenhum subterfúgio a mais. 

A Deus,somente, toda a glória!

22 de jan. de 2015

O que são Apóstolos, Pastores e Presbíteros?



Entre comunidades enfermas e indivíduos doentes

Por Ricardo Agreste

Cresce no Brasil o número daqueles que defendem a possibilidade do exercício da espiritualidade cristã sem vínculos formais com as chamadas igrejas. Tal tendência é cada vez mais encontrada em livros e na postura de pastores, lideres e artistas que não mais possuem compromisso efetivo com uma comunidade local. Para estes, as igrejas, tanto em sua expressão local como também institucional, deslocaram o foco do simples exercício da fé comunitária para a manutenção dos projetos personalistas de seus líderes ou demandas de suas denominações. Inúmeros casos e histórias são contados para justificar a acusação. Ao ouvi-los, somos levados a concluir: estas comunidades se encontram enfermas.
O problema é o que fazer diante dessa situação. Simplesmente abortar a expressão comunitária da espiritualidade cristã seria a solução? Substituir a congregação formal por uma reunião semanal, quinzenal ou mensal, com pessoas à nossa imagem e semelhança, é a saída? Ou é mais válido viver à parte dos demais cristãos, alimentando a perigosa pretensão de que somente nós estamos saudáveis, enquanto todos os demais estão enfermos? Quando condicionamos nossa reflexão aos conceitos e princípios que nos são oferecidos na Palavra de Deus, teremos que admitir que, ao eliminarmos o engajamento comunitário de nossa prática espiritual, geramos apenas indivíduos doentes.
Nosso Deus, ao se revelar através da história da salvação, apresenta-se como um Deus comunitário. Ele é Pai, Filho e Espírito Santo. A trama da salvação é vivida por estas três pessoas, que pertencem a uma comunidade divina. Cada uma delas possui características próprias, porém fazem uso delas não na direção da autonomia, mas da interdependência, a qual constrói historicamente a redenção de todas as coisas. Da mesma forma, o Senhor nos criou como seres comunitários. Existe uma expressão do plano divino em nossas vidas que só pode ser desenvolvida através da vida em comum, com constância e compromisso. O perigo do isolamento é a construção de um projeto autônomo, no qual nossos pensamentos e características próprias tornam-se o parâmetro da verdade.
Quando Deus escolheu e chamou Abraão, manifestou sua intenção em construir historicamente uma comunidade, na qual o alvo maior seria a mutualidade, o serviço. Além disso, o elemento unificador daquela comunidade não seriam as virtudes dos indivíduos que a formariam, mas a perfeição de seu criador e redentor, que por sua imensa graça une gente imperfeita e complexa. O reflexo dessa vida comunitária no Novo Testamento segue o mesmo padrão. Jesus escolhe e chama seus discípulos dentre homens complicados e inconsistentes, para fazer deles um grupo que tem como marca o amor e serviço mútuo. As dificuldades de um projeto dessa natureza se manifestaram desde cedo, e se intensificam ao longo da plantação das primeiras comunidades cristãs. Mesmo assim, a exortação do escritor bíblico é clara: “Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns” (Hebreus 10.25).
Estão certos aqueles que acusam as igrejas de serem comunidades enfermas, já que Deus escolheu e chamou um pessoal complicado para formá-las. Tal constatação pode nos levar ao isolamento, o que até parece mais confortável. Mas também pode nos levar ao compromisso em aprender a celebrar as virtudes do outro e acolhê-lo em suas limitações, o que é mais saudável. Por outro lado, quem diz que os que vivem de forma autônoma e isolada adoecem também têm razão. O dilema, então, chega a ser shakespeareano: ser ou não ser parte de uma comunidade cristã?
Primeiramente, precisamos admitir que não existe outro caminho para aprendermos a amar e a servir, expressando a marca maior daqueles que seguem a Jesus, se não nos engajarmos em relacionamentos duradouros e, consequentemente, na vida comunitária. Aqueles que não se submetem a esse processo desenvolvem uma individualidade imatura e doentia, passando a ter a si mesmos como referência, o que é a pior forma de idolatria. Em segundo lugar, precisamos buscar comunidades que correspondam aos critérios mínimos de higidez estabelecidos pelas Escrituras – e a maneira como a Palavra de Deus é ensinada, a forma como a liderança é exercida e o tipo de relacionamento que é incentivado entre seus membros são bons exemplos de elementos a serem observados.
Mas em terceiro e último lugar, precisamos também abrir mão do mito da comunidade cristã perfeita, que tem levado muita gente a acreditar que ela poderá ser estabelecida por eles mesmos, à sua imagem e semelhança. Todavia, será só uma questão de tempo para perceberem o problema ético e estético de tamanha pretensão. Acontece que comunidades cristãs possuem um fator distintivo: elas são formadas por pessoas imperfeitas, confusas e complicadas que têm como fator unificador não os seus méritos, mas as virtudes daquele que as chamou.
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Fonte: Cristianismo Hoje