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6 de ago. de 2015

Cristianismo e UFC combinam?

Por Thiago Oliveira

As lutas do UFC ganharam muitos admiradores ao redor do mundo. No Brasil não é diferente,muitos veneram esse evento esportivo e o colocam na lista dos seus preferidos, torcendo pelos lutadores tais como torcem por times de futebol. Este é o principal evento de uma modalidade chamada MMA, sigla em inglês para “artes marciais mistas”, já que os componentes misturam elementos diversificados de mais de uma arte marcial.

20 de fev. de 2015

Nada de Cinza

Por Kevin DeYoung

Não há nada de cinza a respeito de um seguidor de Cristo ver 50 Tons de Cinza. A questão é preta ou branca. Não vá. Não assista. Não leia. Não alugue.

Eu não quero sequer falar sobre isso. Outro blogueiro e eu andamos em círculos por várias semanas pensando em como poderíamos escrever uma resenha crítica satírica alfinetando aqueles que acham que precisamos ver esse filme para sermos relevantes. Não conseguimos. Não há forma de fazer um humor forte o suficiente para condenar filme tão vil.

E não, eu não fui ver o filme. Nem sequer assisti o trailer. Também não li uma única página do livro. Ler sobre a premissa na Wikipedia e no IMDb por alguns minutos me convenceu de que eu não precisava saber mais. O sexo é um presente maravilhoso de Deus mas, assim como todos os presentes de Deus ele pode ser aberto em um contexto errado e reembalado em um pacote feio. Violência contra mulheres não é aceitável só porque ela é aberta à sugestão, e o sexo não é aberto a todas as permutações, até mesmo em um relacionamento adulto. Consentimento mútuo não cria uma filosofia moral.

Sexo é um assunto privado para ser compartilhado na privacidade e santidade do leito matrimonial (Hebreus 13.4). Sexo, assim como Deus designou, não é para atores que fingem (ou não) que estão fazendo “amor”. O ato da união conjugal é o que casais casados fazem a portas fechadas, não o que discípulos de Jesus Cristo pagam dinheiro para assistir em uma tela do tamanho de suas casas.

Como já disse antes, precisamos ser criteriosos no que colocamos em frente aos nossos olhos, sendo homens e mulheres sentados em lugares celestiais (Colossenses 3.1-2). Se 50 Tons de Cinza é um problema, qual é o padrão de aceitação para o resto da sexualidade livremente consumida? Veja bem, a consciência do pecado não é por si só o problema. A Bíblia é cheia de relatos de imoralidade. Seria simplista e moralmente insustentável – até mesmo antibíblico – sugerir que você não pode assistir ou ler sobre um pecado sem pecar. Mas a Bíblia nunca se deleita em sua descrição do pecado. Ela nunca pinta o vício com as cores da virtude. Ela nunca se entretém com o mal (senão para zombá-lo). A Bíblia nunca cauteriza a consciência tornando o pecado normal e a justiça estranha.

Cristãos não deveriam tentar “redimir” 50 Tons de Cinza. Não devemos achar bonitinho e divulgar uma nova série de sermões chamada “50 Tons de Graça”. Não devemos envergonhar a arte ou a santidade ao pensarmos que, de alguma forma, algo tão escuso como 50 Tons vale a pena ser visto ou analisado. De acordo com a lógica de Paulo, é possível expor um pecado e mantê-lo escondido ao mesmo tempo (Efésios 5.11-12). “Um bom homem se envergonha ao falar do que várias pessoas não se envergonham de fazer” (Matthew Henry).

Alguns filmes não merecem uma análise sofisticada. Eles merecem um sóbrio repúdio. Se a igreja não pode estender graça a pecadores sexuais, nós perdemos o coração do evangelho. E se nós não podemos falar que as pessoas devem ficar longe de 50 Tons de Cinza, perdemos a cabeça.
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Fonte: Reforma21

5 de fev. de 2015

O Covil de Ladrões dos Tempos Bíblicos e suas Filiais nos Tempos Modernos

Por Thomas Magnum

Disse-lhes: Está escrito: A minha casa será casa de oração; mas vocês fizeram dela um covil de ladrões. Lucas 19.46

Essa passagem das Escrituras nos mostra claramente a abominação que tinha se tornado o culto judaico. Ao lermos o livro do profeta Malaquias aproximadamente quatrocentos anos antes desse evento já identificamos a podridão que tinha se tornado o culto de Israel, tinha se tornado uma mera prática ritualística e vazia. Animais coxos, mancos, doentes, oferta maculada. Agora temos uma continuidade daquelas abominações que perduravam por séculos, não era só uma questão de roubo nos dízimos como o caso de Malaquias, mas, a prática de comércio na casa de Deus.

A ridicularizarão promovida pelo neopentecostalismo nas figuras de Macedo, Soares e companhia, os seguidores desses propagadores do falso evangelho, mensagem essa que provém de fontes da confissão positiva, budismo, hinduísmo e forte influência das religiões africanas, animismo e materialismo e o antigo gnosticismo. Temos uma mistura entre filosofias materialistas e práticas religiosas pagãs. E qual é o grande interesse disso tudo? Porque eles pregam tanto sobre prosperidade, cura e exorcismos? Essa é a grande sacada descoberta pelos ideólogos da prosperidade. Quais são as maiores necessidades e temores dos povos latinos? Dinheiro, saúde e paz.

A pregação e denuncia do Senhor ainda ecoam aos nossos ouvidos: ladrões, ladrões, ladrões. Não me refiro às contribuições financeiras apenas, mas também, ao roubo da verdade, da justiça, do temor, do evangelho. Tais homens darão conta de seus ensinos e atos corruptos e imorais. A bíblia nos diz:

Em sua cobiça, tais mestres os explorarão com histórias que inventaram. Há muito tempo a sua condenação paira sobre eles, e a sua destruição não tarda. 

2 Pedro 2:3

Mas eles difamam o que desconhecem e são como criaturas irracionais, guiadas pelo instinto, nascidas para serem capturadas e destruídas; serão corrompidos pela sua própria corrupção! Eles receberão retribuição pela injustiça que causaram. Consideram prazer entregar-se à devassidão em plena luz do dia. São nódoas e manchas, regalando se em seus prazeres, quando participam das festas de vocês. 

2 Pedro 2:12-13

O falso evangelho propagado pela turba é palha, madeira, feno que não resistirá ao juízo de fogo no dia do julgamento. O culto a Deus não é um show da fé, não é uma ostentação de grandes construções, não é uma barganha do toma lá da cá. O culto a Deus é estabelecido por Ele e para Ele. Como nos diz a Escritura:

Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. 

Mateus 15:8

O culto a Deus não é uma mera troca de favores, Deus não está desesperado por nossos favores, ao contrário nós é que dependemos dele. O fato é que muitos que estão a afiliar-se a grupos como esses estão em busca do pragmático, do que funciona, do sucesso. A vida com Deus não é uma carreira profissional bem sucedida, é uma vida espiritual bem sucedida. Os valores estão sendo invertidos e ainda ouvimos:

"A minha casa será casa de oração; mas vocês fizeram dela um covil de ladrões".

21 de nov. de 2014

Facebook Fast-Food

Por Norma Braga

Quando você lê - Coisa boa, coisa ruim, coisa engraçada: há uma absurdamente veloz alternância de assuntos na Timeline. Você fica no máximo 10 segundos lendo cada publicação e suas emoções seguem o fluxo. Resultado: você nunca pensa nem reage profundamente. Perceba qual o seu estado mental descendo o mouse: em menos de um minuto você lê "Ufa, cheguei cedo hoje!", "Olha que lindo esse vídeo do gatinho!" e "Comunico a todos que nossa irmã faleceu de madrugada". Por estarem sempre na montanha russa, as emoções suscitadas pelo FB acabam buscando um modo mais estável, e esse modo é a insensibilidade.

Quando você escreve - No Facebook, tudo o que passa pela sua cabeça durante o dia é passível de publicação: desde torcer para o seu time até reflexões filosóficas sobre um tema preferido. Escrever pensando em publicar no Face significa que você vai ajustar o que pensa para o modo "fast food" - não só pelo pouco espaço disponível, mas porque tem todo tipo de gente na sua Timeline e você quer que todos leiam e reajam imediatamente, se não, escreveria em outro lugar. Percebe o automatismo? Preparar "comida" para todo mundo, a todo momento, gera banalização. E, quanto mais você passa seu tempo no Facebook, mais você desenvolve a mania de exteriorizar para esse faceless public tudo o que você pensa. Logo você começa a pensar exclusivamente no "modo Facebook", e todos os seus pensamentos viram fast food. Sua vida interior, em vez de Estação Gourmet, vira barraquinha de hambúrguer.

E o lado positivo? - Por sua própria estrutura, o Facebook acaba treinando você para a insensibilidade e a banalização das relações. Isso é o contrário do que ele se propõe a fazer. Mas, é claro, há aspectos positivos na rede social: encontrar gente que não se vê há muito tempo, manter contato com leitores (no meu caso), centralizar conversas em torno de temas de interesse etc. O problema é que é muito fácil cair na armadilha da compulsão, quando todos os aspectos negativos superam os positivos.

Então eu tenho que sair do Face? - Não acho que necessariamente você deva sair do Face. Mas, se você já consegue identificar insensibilidade e superficialidade nas suas interações facebookianas, é urgente o movimento inverso: o Facebook precisa sair de dentro de você.

Mas o que eu faço? - Dedique menos tempo ao Facebook. Não esqueça da vida rolando o mouse para baixo, nem pense em publicar toda hora. Perca a compulsão pelas reações imediatas dos leitores: os melhores pratos precisam de tempo para ser preparados e degustados. Se você gosta de escrever, mantenha um caderno só para você e busque registrar reflexões mais longas e pausadas. Preserve sua vida interior e dedique-se mais a quem você pode encontrar pessoalmente. Se está em casa com a família ou amigos, evite o Facebook e dê-lhes a máxima atenção. Ao sair com alguém, não fique consultando o celular a cada minuto; de preferência, coloque no silencioso e esqueça-o. Sempre que sobrar um tempinho de lazer, não corra para o Facebook, mas leia um livro. E, se der vontade de compartilhar tudo o que você está lendo no Facebook, anote no próprio livro seus pensamentos e depois, se achar pertinente, publique - mas depois de já ter lido um bom pedaço. Assim como ir ao McDonald's, o Facebook deve ser exceção na sua vida, não regra.

27 de set. de 2014

Alimentando ovelhas ou divertindo bodes?


Por Thiago Azevedo

Em dias atuais esta é a pergunta que não quer calar. Ela não é recente, Charles Spurgeon, mais conhecido como o príncipe dos pregadores, teceu-a em um artigo (disponível no site Monergismo e acessado em 22/09/2014). Nunca se viu a igreja entretendo tanto o povo ao invés de pregar o evangelho, nunca se viu “pastores” que mais parecem animadores de auditórios ou comediantes de stand up comedy divertindo a massa. Nunca se viu tanta artimanha para atrair os bodes, e, enquanto isso, as ovelhas ficam numa dieta forçada, com pouco alimento consubstanciado e nutritivo – e em alguns casos, nem alimento tem. Estes líderes precisam entender conforme o velho jargão que há nos círculos cristãos “Comida de ovelha todo bode come, mas comida de bode, ovelha não come”.

Por que tanta preocupação em agradar os bodes, em atrair os incrédulos e em fazer o evangelho parecer algo divertido e pitoresco ao invés de alimentar as ovelhas em pastos verdejantes? Na atualidade, as igrejas realizam tantas festividades voltadas para o incrédulo que acabam se esquecendo das ovelhas que estão em seu ambiente. Em certa ocasião, tive acesso ao calendário anual de uma determinada igreja e lá constava mais cultos e festas voltadas para o lado de fora da igreja do que algo voltado para os fiéis daquela instituição. Não estou querendo dizer com isso que estas atividades externas não devam existir, mas a atenção maior, sem dúvida, deve ser dada aqueles que estão no lado de dentro da igreja, isso conforme o próprio texto bíblico de 1Tm 5:8. Deve haver uma preocupação primária com os da família da fé. A proposta-mor destes líderes do evangelho humorístico e banalizado,  voltado apenas para o incrédulo é a aliança com o mundo. Eles baixam o nível do evangelho para que este seja visto como acessível, retiram a exclusividade de Cristo da pregação,  entendendo que isso cria uma barreira para os incrédulos. Omitem preciosas doutrinas bíblicas só para que o evangelho pareça algo diferente daquele que foi pregado pelos apóstolos e pais da igreja.

O reverendo Renato Vargens em seu livro “Reforma agora” mostra a gama de falsos apóstolos que profere interpretações bíblicas se gabando destas interpretações particulares serem mais valiosas que os ensinos dos próprios apóstolos. Recentemente um líder religioso de uma dessas igrejas que mais parece um grande picadeiro teceu a seguinte frase: “Paulo não compreendeu o que Deus quis dizer nesta passagem, e eu irei mostrar a todos o que de fato Deus queria aqui”. Perceba o tom de superioridade e a carga maligna destas palavras. Comportamento bem distinto dos apóstolos de cristo do primeiro século que além de humildes, tinham as escrituras como sendo sua base Jo 3:30 / 2Tm 4:2. Por sinal, no texto citado de Timóteo a recomendação de Paulo é a pregação da palavra e não para contar piadas ou para entreter o povo. Inclusive, Paulo alerta o jovem pastor Timóteo dos tempos que surgiriam homens que iriam repudiar a sã doutrina e com coceiras no ouvido, segundo seus próprios desejos, juntarão mestres para si mesmos (2Tm 4:3).

A gama acachapante de homens que desejam que os holofotes e todas as atenções estejam voltadas para eles é realmente surpreendente. O princípio de Jo 3:30 cai por terra.  Em Ef. 4:11 as escrituras relatam que Deus deu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para mestres e outros para doutores. A bíblia, em lugar nenhum, diz que Deus levantou um ministério do entretenimento ou da comédia dando este dom a alguém – isso não passa de invenção do homem. Em certa ocasião, certo “pastor” pregou mais de 40 minutos e nem se quer a bíblia abriu. Este homem contou toda sua história e trajetória de vida aliando rizadagem e contos engraçados. A plateia se deleitava enquanto eu voltava para casa – e eu ainda fiquei com fama de herege. Em outra ocasião, conversando com um amigo, este me disse que o verdadeiro pastor é aquele que abre a bíblia, lê um texto, e depois disso fecha a bíblia e prega com ela fechada. Em amor, lhe expliquei que isso não procede. A omissão da bíblia é uma estratégia para que não se compare ou se avalie o que está sendo dito. Durante mil anos a humanidade sofreu com isso. O que muitas vezes contribui com este panorama é a própria falta de entendimento e ignorância do povo (Os 4:6). Pois, pautados pela a ideia de que julgar não é dever nosso, e este entendimento provém de uma interpretação pobre de Mt 7:1.

Alguns dão campo para atuação destes falsos mestres e com isso permitem que a igreja se torne um circo e uma fonte de entretenimento direcionada mais para quem se encontra fora dos portões dela. A bíblia nos traz vários textos que alertam acerca de falsos prodígios e sinais, mentiras e falsidade, são eles: (Mateus 24:4; 2 Coríntios 11:13-15; 2 Timóteo 3:13; Apocalipse 13:13-14; 16:13-14). Se acreditarmos na Bíblia, podemos esperar uma abundância de falsos milagres[1]. Logo, como se deve avaliar se tudo isso é verdadeiro ou como se deve avaliar a postura de um líder? A resposta é JULGANDO DE ACORDO COM AS ESCRITURAS! João adverte para testar os espíritos em 1Jo 4:1. Também adverte acerca daqueles que não são de Deus 1 Jo 4:6. Era mais ou menos o comportamento dos cristãos de Beréia (At 17:10-11) que examinavam o ensinamento de Paulo e de quaisquer outros pela escritura. As escrituras são o crivo, e não se o sujeito é ou não cômico ou promove entretenimento. O final do versículo 11 do texto supracitado diz que os cristãos de Beréia examinavam diariamente as escrituras para ver se os ensinos procediam. Deva ser por isso que cada vez mais as igrejas estão se tornando verdadeiros parques de diversão e as ovelhas estão famintas e desnutridas, em paralelo, os bodes estão cada vez mais robustos e cevados pelo fato de serem alimentados constantemente.

Não há mais o costume de examinar as escrituras e confrontar o que está sendo dito e o que está errado. De certa forma, há um regresso aos tempos medievais, vive-se na atualidade uma nova idade média, onde a bíblia tem - cada vez - mais caído no esquecimento  e na omissão. Isso é fruto da estratégia maligna de alguns líderes tendenciosos. Em Gálatas 1: 8-9 Paulo diz que ainda que ele ou um anjo que venha do céu pregue algo diferente, seja este amaldiçoado. Como saberá se é diferente ou não? Por meio das escrituras sagradas. Em outras palavras, é como se Paulo estivesse dizendo que ele mesmo, o seu ensino, devia ser confrontado para ver se era ou não verdadeiro. Por que na atualidade não vemos os líderes fazendo esta proposta? Por que os pastores atuais não pedem para os fiéis procurarem na bíblia onde constam estes tipos de ensino como: ungir objetos, dízimos astronômicos, correntes de fé, copo com água santificada ou vendas de objetos santos que transmitem graça? Ou ainda, por que os líderes da atualidade não pedem para os fiéis procurarem nas escrituras onde existe o ensino de que é preciso fazer algo para alcançar a salvação? Muitos até têm atribuído graça salvífica a certos objetos. Ou seja, ou adquire e vai para o céu ou não adquire e vai para o inferno. É ou não é um medievo contemporâneo? Sim.
A resposta para as demais perguntas é a seguinte: Os “líderes e pastores” contemporâneos não pedem que os fiéis consultem a bíblia à procura destas aberrações porque não há nenhuma passagem bíblica que corrobore com estes sacrilégios heréticos. Isso tudo não passa de ração para bodes, e este tipo de alimento ovelha não come. Na atualidade não se deve avaliar os líderes religiosos pelo o que os mesmos proferem, eles são adeptos de uma verborragia clássica, ou seja, dizem que amam as escrituras, que creem na graça salvífica, que creem na justificação pela fé e na soberania de Deus na salvação. Mas, as práticas e as atitudes destes líderes os denunciam veementemente.

Há um dito puritano que se deve fazer uso no ambiente eclesiástico tupiniquim: “Aquilo que alguém faz fala mais alto que suas próprias palavras” Alguns líderes têm um discurso bonito quanto às verdades bíblicas, mas os seus atos mostram que são filhos do diabo. Estes líderes realizam campanha para que se alcance graça salvadora, uns ainda dizem que quem não contribui não vai para o céu e outros líderes chegam até a vender lugar no céu. Outros colocam um óleo perfumado em um patamar mais elevado que a própria oração etc. Estes líderes são de fato muito habilidosos quando o assunto é alimentar seus bodes e desprezar as ovelhas. Portanto, a convivência entre bodes e ovelhas não cessará tão cedo, os bodes podem muito bem se alimentar na comida das ovelhas – eles até gostam –, mas, infelizmente, alguns falsos pastores preferem privar as ovelhas de um bom alimento e alimentar tão somente os seus cabritos.

É por isso que as ovelhas andam desnutridas. Mas, com toda convicção, há pastos saudáveis e verdadeiros pastores que ainda se preocupam em alimentar suas ovelhas com alimento nutritivo como fez o pastor do Salmo 23. Como ovelha, aconselho que haja uma procura por pastos saudáveis e por pastores comprometidos em alimentar primariamente seu rebanho, e, ao encontrá-los, possa de fato usufruir e se deleitar numa boa alimentação e num bom pastoreio, sobretudo, no Pastor dos pastores que se encontra na pessoa de Deus.



[1] http://www.estudosdabiblia.net/a5.htm

11 de set. de 2014

Resistindo à secularização (2/2)


Por Bruno Silva

O ensinamento à Igreja era um só: “lutar todo tempo contra as pressões e investidas do mundo”. Para nós, igreja contemporânea, ficam aqui alguns ensinamentos da Palavra de Deus.  Nos versículos de 7 à 10 - deste mesmo capítulo - o apóstolo nos mostra os meios, a cura para uma igreja secularizada. Tiago chega em um dos pontos fundamentais na luta contra a secularização que é a origem do mal, o próprio Diabo. Ele diz: “Sujeitai-vos, portanto a Deus; mas resisti ao Diabo e ele fugirá de vós”.

As pessoas têm várias percepções do Diabo. Algumas pessoas acreditam que ele é um ser mitológico, outros acham que é apenas fruto da imaginação criativa dos homens, e ainda há quem acredite que ele não existe. No entanto, precisamos entender que isso são estratégias, do próprio Diabo, para levar vantagem sobre nós, e sermos suas presas fáceis. Tiago nos apresenta estratégias muito práticas para lidar com sua astúcia e termos uma vida piedosa. 

O primeiro é: a submissão ao Senhor. Submeter-se a Deus é estar debaixo de sua autoridade, seguir suas diretrizes, sua Palavra. É ter ouvidos para a voz do Redentor, Cristo! Russell Shedd em seu comentário nos dá uma preciosa definição de Submissão, ele diz: “É estar completamente dependente de Deus em tudo nessa vida, de tal forma que nada é feito sem antes consultar sua Palavra, e ouvir dele a orientação”.[1] Quem assim crê entende que sua vontade é boa, perfeita e agradável (Rm 12:2). Submeter-se a Deus não é um ato de tristeza, não nos traz peso e sim, alegria e deleite.

O segundo é: a resistência ao Diabo. Significa que devemos nos manter firmes diante dele ou nos opormos a ele. Existe uma parcela de culpa por parte do diabo em nossas quedas, mas precisamos nos manter firmes para que ao acontecer o ataque ele fuja de nós. Da mesma forma que aconteceu com Jesus na tentação no deserto. A Bíblia diz que ele o deixou, ainda que por algum tempo, “até momento oportuno”, (Lc 4:13).    

O terceiro é: chegar-se a Ele. Significa que aquele que foi lavado e remido no sangue do Filho de Deus pode se achegar a Ele. Como diz o autor aos Hebreus “Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (4:16). No passado éramos proibidos de nos achegarmos a Sua presença, mas agora por causa de Cristo, e somente por causa Dele, podemos nos aproximar da Presença doce e bendita do Pai. Com isso Tiago diz que Ele, Deus, se achegará, (i.é.) aproximará de nós! Significa, que a própria presença de Deus será o nosso galardão. Não, os benefícios que Suas mãos podem dar, e que são muito bons, mas Ele. A seus filhos, o apóstolo, diz que Ele concede: graça (v.6); Sua presença (v.8). Esse lembrete é para todos que podem não estar indo muito bem na sua resistência ao secularismo. Entretanto, não podemos desistir, precisamos confiar e nos aproximar d’Ele.

O quarto é: purificar as mãos e limpar o coração. Purificar as mãos está ligado a ter uma conduta irrepreensível. Os judeus tinham essa prática no cumprimento de seus deveres religiosos e o autor sabiamente faz essa ligação com a nossa prática de vida. Esse confronto é para mantermos nossa vida livre da sujeira do pecado. A limpeza do coração, a qual ele se refere, é mais profundo do que um arrependimento momentâneo. É uma denúncia a todos aqueles que tem uma mente dividida. A expressão: “ânimo dobre” (no grego é dipsuchos) “duas almas”, confronta aqueles que abandonaram o seu primeiro amor. Essa linguagem requer de nós autoexame. Será que os leitores são nascidos do Espírito? De qualquer forma, o genuíno arrependimento é necessário para se achegar diante de Deus.

O Quinto é: um quebrantamento que precede o avivamento. “Afligi-vos, lamentai e chorai. Converta-se o vosso riso em pranto, e a vossa alegria, em tristeza. Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (v.9-10). Precisamos ter em nossos corações esse entendimento da necessidade de um quebrantamento poderoso da parte do Senhor. Na história dos avivamentos o que precedia a conversão de milhares de pessoas era o arrependimento. Richard Baxter em seu livro, Quebrantamento: Espírito de Humilhação, diz: “Um dos usos da humilhação é ajudar na mortificação da carne, ou do “eu” carnal, e aniquilá-la, visto ser esta o ídolo da alma”. E completa: “a humilhação transforma esta torre de Babel em pó, e faz com que detestemos até o pó e cinzas. Ela toca fogo na casa, na qual confiávamos e nos deleitávamos, diante dos nossos olhos; e nos faz não apenas ver, mas sentir que é tempo de nos rendermos”. O que Deus espera é o arrependimento verdadeiro e genuíno. Só o verdadeiro arrependimento poderá gerar em nós a verdadeira alegria. A exaltação da qual ele encerra falando esse trecho é para aqueles que se submetem alegremente a Sua vontade.

Que o Senhor nos ajude em todo o tempo nesta luta contra a secularização. Resistindo fielmente, para que sua glória seja manifestada através de nós, Sua Igreja. Recebendo assim o chamado do Senhor no último dia: “...Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor”.  

Soli Deo Gloria!


[1] SHEDD, Russell; uma exposição de Tiago – a sabedoria de Deus. Pág 135

8 de set. de 2014

Resistindo à secularização (1/2)


Por Bruno Silva

Recentemente ouvi uma pessoa, no mesmo coletivo que eu estava, falando a respeito de uma disputa de cargos de ministérios na sua igreja, e como a liderança desta estava se comportando diante deste processo todo. Confesso que fiquei escandalizado com tamanha atrocidade que ouvi. Expressões como: disputa, confusão e inveja, faziam parte de seu discurso. Pensei naquela hora que a grande dificuldade das igrejas evangélicas é - possivelmente - essa falta de entendimento da nossa nova vida em Cristo.

Naquele momento o texto da carta de Tiago, no capítulo 4, para ser mais preciso, me veio à memória. Lembrei-me da exortação daquele pastor às igrejas que estavam na “dispersão” (ARA).

A carta de Tiago é muito prática e livre de embaraços teológicos desde o começo. Essa não foi sua ênfase. Mas podemos observar que mesmo sem se deter aos temas mais robustos da teologia, o apóstolo consegue ensinar a Verdade da Palavra de Deus àqueles irmãos. Seus escritos em muito se parecem com os ensinamentos da “literatura de sabedoria” do Antigo Testamento, conforme encontramos nos livros de Jó, Provérbios, Eclesiastes e em alguns dos Salmos. O autor tinha em mente os crentes fiéis que são um exemplo à religião pura, que passam pela provação. A estes ele encoraja. Mas também, Tiago tem em vista indivíduos mais carnais e egoístas, cuja conduta tem falhado diante do teste da ‘religião pura’. Ele os repreende veementemente.

No texto em que cito acima, o apóstolo faz uma pergunta contra as práticas reprováveis dos cristãos que estão vivendo este secularismo. “De onde procedem guerras e contendas que há entre vós?” Essa é uma pergunta extremamente desconcertante. Se levarmos em consideração que não é uma pergunta feita a não-cristãos (pessoas que não tem conhecimento da graça salvadora, que não tem conhecimento e envolvimento com a Palavra Viva). Definitivamente NÃO! Essa pergunta é feita para pessoas que fazem parte de um mesmo corpo. De uma mesma igreja local. “Ele está escrevendo para igreja de Deus”.[1]

Tiago usa duas expressões que são muito fortes, e que estão acontecendo na comunidade. “Guerras” (polemos: brigas, conflitos, discórdias) nos dá a ideia de como eram as rixas travadas pelos interesses pessoais. A outra palavra utilizada no texto é “Contendas” (machai), Aqui significa batalhas e inimizades que separam pessoas. Mas “de onde vem?” É a grande pergunta a ser feita. Sua resposta, o apóstolo dá sem nenhuma hesitação: “dos prazeres.” (hedon, que no português é hedonismo). Dos prazeres procurados com intenso desejo. Por isso que os homens entram em guerra uns contra os outros. Por que seus desejos desenfreados entram em conflito com os desejos de outros homens que buscam sua própria satisfação sem controle. Todos querem levar vantagem. Algum prazer que prejudique, que lese o outro. Mas esses prazeres que Tiago fala, não existem por causa de uma influência externa, mas é parte da nossa natureza pecaminosa, da nossa natureza adâmica, caída que precisa constantemente da graça do Senhor. Com isso surge uma segunda pergunta: “De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?” É obvio que essa pergunta, nesse contexto, se torna retórica. Tiago sabia que o mal do coração do homem está em sua natureza. Nos lembramos do que o apóstolo Paulo escreve aos romanos no capítulo 7:23 dizendo: “mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros”.  Consideremos ainda o que diz a palavra de Deus em Tito 3:3 “Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros”. Isso é nada mais nada menos que o homem disposto a lutar pelos seus “direitos”.      

Mas como essas coisas elas são na prática? Como essas coisas podem acontecer na vida de cada indivíduo que deve resistir a essa secularização? Tiago norteia o nosso entendimento com pelo menos 4 apontamentos que são feitos nos versos seguintes. 1-Cobiça, 2-inveja, 3-lutas e guerras e 4-um pedido soberbo, com o propósito de se vangloriar. Essas quatro são, no mínimo, características de secularização que ele combate dentro daquelas comunidades. Jesus diz que “onde está o nosso tesouro, ali também está o nosso coração”. Quando passamos a viver nossa vida sem ter o Senhor como nosso deleite, nosso prazer, nossa vida estará fadada a perder o foco. Nossa lente ficará desajustada. Existem muitas coisas que o mundo faz para seduzir nossa alma, todavia, nosso coração é um poço de desejo e se Cristo não for o árbitro em nossos corações, certamente viveremos na luta uns contra os outros para obter aquilo que não é nosso e aquilo que Deus nunca nos dará. Apenas por saber o que é melhor para as nossas vidas.

Em algumas igrejas, ditas cristãs, o deus Mamom é invocado constantemente. “Correntes”, “semanas da vitória”, “chave da benção”, tudo isso tem substituído a adoração bíblica tendo Cristo como centro. Uma patifaria, onde os cultos estão ‘cheios’ de corações vazios. Tiago chama isso de Adultério, Infidelidade. A igreja tem apenas um Marido, um Senhor, um dono. Tiago usa a mesma linguagem dos profetas do Antigo Testamento como: Isaías, Jeremias[2], uma linguagem metafórica para descrever a apostasia espiritual, especialmente a idolatria. No caso da igreja esse adultério é a “amizade” com o mundo. O mundo que fornece todo tipo de prazer para o cristão. O Apóstolo João na sua primeira carta no capítulo 2 versos de 15 à 17 diz: “Não ameis o mundo nem as coisas que há no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele; porque tudo que há no mundo, a concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e a soberba da vida não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como sua concupiscência; aquele, porém que faz a vontade de Deus permanece eternamente”. O apóstolo João é claro com aqueles que fazem alianças com o mundo, “o amor do pai não está nele”.

É possível experimentarmos esses problemas dentro das nossas igrejas? Sim! Apesar de a Igreja ser uma comunidade dos santos, precisamos lembrar que estamos em um processo de santificação, de mudanças de valores, mudanças da velha vida para a nova vida. É o que Tiago, inspirado pelo Espírito Santo, está fazendo aqui. Essas guerras e contendas, esses desejos insaciáveis da alma humana não pertencem mais a nós que fomos salvos em Cristo. Dizer que somos falhos e usar isso como desculpa para permanecermos como estamos é algo que a Palavra de Deus não nos instrui, pelo contrário, é necessário que seja confrontado em amor com a Verdade! Temos que abandonar o pecado que busca satisfazer nossos “prazeres”


[1] SHEDD, Russell; uma exposição de Tiago – a sabedoria de Deus. Pág. 120
[2] Cf. 54:1-6 e 2:2; 3:20